Trump anuncia acordo que dá aos EUA controle sobre 65 bilhões de barris de petróleo na Venezuela

28 de Ago de 2026 - 20:30
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Trump anuncia acordo que dá aos EUA controle sobre 65 bilhões de barris de petróleo na Venezuela

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (28), em uma publicação na Truth Social, que Washington fechou um acordo com a Venezuela que dará aos americanos controle majoritário sobre mais de 65 bilhões de barris de reservas comprovadas de petróleo no país sul-americano. Mais cedo, veículos da imprensa americana haviam informado que os dois governos negociavam uma participação dos EUA em mais de uma dezena de campos petrolíferos venezuelanos.

Segundo Trump, o acordo foi articulado pelo secretário de Estado, Marco Rubio, e pelo secretário de Guerra, Pete Hegseth, em conjunto com a ditadora interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, além de empresas privadas envolvidas na operação. O regime venezuelano ainda não se manifestou sobre o acordo.

Na publicação, Trump classificou o acordo como “o maior acordo de petróleo da história mundial” e afirmou que os Estados Unidos garantiram controle majoritário sobre mais de 65 bilhões de barris de reservas comprovadas na Venezuela “sem custo para o contribuinte americano”.

De acordo com o presidente, a operação mais do que dobra as reservas de petróleo dos Estados Unidos e amplia de forma significativa a oferta disponível ao país. Trump também afirmou que o aumento da disponibilidade de petróleo deverá contribuir para reduzir os preços da gasolina para os consumidores americanos no longo prazo. O republicano disse ainda que o acordo deve fortalecer a relação entre Washington e Caracas e contribuir para a recuperação econômica da Venezuela.

O anúncio ocorre poucas horas depois de informações divulgadas pelo portal Axios e pela Bloomberg indicarem que os Estados Unidos negociavam uma participação relevante em campos de petróleo venezuelanos atualmente em operação. Segundo o Axios, as conversas envolviam mais de 12 campos produtivos e tinham como objetivo ampliar de maneira substancial o volume de reservas de petróleo sob participação americana. A negociação era conduzida por Rubio e Delcy Rodríguez.

A Bloomberg informou que uma das possibilidades em discussão incluía contratos de exploração com duração de até 100 anos sobre determinados campos de petróleo. O modelo também previa maior presença de empresas americanas na exploração e no desenvolvimento desses ativos.

A Venezuela possui as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, mas sua produção permanece muito abaixo do potencial do país após anos de crise econômica, deterioração da infraestrutura e restrições ao setor.

O acordo ocorre em um momento de aproximação entre os governos dos Estados Unidos e da Venezuela. Washington já havia flexibilizado parte das sanções para permitir o retorno de empresas americanas e prestadores de serviços ao setor petrolífero venezuelano.

Segundo a Bloomberg, Caracas avalia também neste momento deixar a Organização dos Países Exportadores de Petróleo, a Opep, grupo que ajudou a fundar em 1960. Uma eventual saída do país sul-americano do grupo representaria um golpe político e simbólico para a organização.

A possível retirada venezuelana ocorre depois da decisão dos Emirados Árabes Unidos de abandonar a Opep e em meio a sinais de insatisfação do Iraque com as restrições de produção impostas pelo grupo.