EUA negociam controle sobre mais de 12 campos de petróleo da Venezuela
O governo dos Estados Unidos negocia neste momento com o regime da Venezuela um acordo para ampliar sua presença na indústria petrolífera do país. O acordo que está sendo negociado envolveria o controle americano sobre mais de uma dezena de campos de petróleo no território venezuelano. As conversas incluem até contratos de longo prazo para exploração.
Segundo o portal Axios, as negociações são conduzidas pelo secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, e pela ditadora interina da Venezuela, Delcy Rodríguez. O acordo busca ampliar de forma significativa a participação americana nas reservas petrolíferas venezuelanas.
A Bloomberg informou que uma das conversas prevê contratos de exploração com duração de até 100 anos sobre determinados campos petrolíferos na Venezuela. O desenho do acordo também abriria mais espaço para empresas dos Estados Unidos atuarem na exploração e no desenvolvimento das áreas envolvidas.
De acordo com o Axios, as tratativas se concentram em mais de 12 campos que atualmente já estão produzindo petróleo. A negociação, no entanto, não abrange toda a reserva de petróleo venezuelana, estimada em cerca de 300 bilhões de barris.
Ainda segundo o Axios, caso seja concluído nos termos discutidos, o acordo poderia mais do que dobrar as reservas de petróleo dos Estados Unidos.
As conversas acontecem depois de Washington aliviar parte das sanções aplicadas à Venezuela, permitindo a retomada de atividades de empresas e prestadores de serviços americanos ligados à indústria petrolífera.
A Venezuela possui as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, mas sua produção continua muito abaixo do potencial do país após anos de crise econômica, deterioração da infraestrutura e restrições ao setor, problemas agravados pelo chavismo.
Venezuela avalia deixar a Opep
Ao mesmo tempo em que negocia com os EUA, Caracas passou a discutir sua permanência na Organização dos Países Exportadores de Petróleo, a Opep, da qual é membro fundador desde 1960.
Segundo a Bloomberg, uma eventual saída venezuelana teria efeito limitado sobre a oferta mundial no curto prazo, porque o país produz hoje muito menos petróleo do que no passado. O impacto político, porém, seria relevante. A Venezuela teve papel central na criação da Opep e sua retirada ocorreria pouco depois da decisão dos Emirados Árabes Unidos de abandonar a organização.
O Iraque também demonstrou insatisfação com as restrições de produção e já indicou que pode reconsiderar sua permanência caso não consiga ampliar seu limite.
Se Venezuela e Emirados deixarem oficialmente o grupo, a Opep perderá mais de 5 milhões de barris por dia em capacidade produtiva, o equivalente a cerca de 17% da capacidade dos principais integrantes registrada no início do ano, segundo a Bloomberg.
Especialistas ouvidos pela agência avaliam que novas saídas podem enfraquecer a capacidade da Opep de coordenar a produção mundial e influenciar os preços internacionais do petróleo.