Rodovia aumenta pedágio, mas trecho mais perigoso continua sem obra

28 de Ago de 2026 - 16:45
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Rodovia aumenta pedágio, mas trecho mais perigoso continua sem obra
  • Por Marília Rodrigues

  • de BELO HORIZONTE, especial para a Gazeta do Povo

  • 28/08/2026 às 14:04

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Desde o início deste mês, os motoristas que passam pela rodovia BR-381 em Minas Gerais pagam pedágio mais caro, mas as obras que prometem tornar a estrada mais segura seguem no mesmo ritmo lento de antes.

A concessionária Nova 381 S.A. reajustou as tarifas nas cinco praças sob sua gestão: Caeté, João Monlevade, Jaguaraçu, Belo Oriente e Governador Valadares, aplicando o IPCA acumulado de 4,37% entre julho de 2025 e junho de 2026. Após os mecanismos contratuais, a variação média ficou próxima de 4,1%.

O aumento chega sem contrapartida visível nos pontos mais críticos da BR-381. No último ano, a rodovia registrou 999 sinistros, segundo o Boletim Anual de Sinistros da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) — 21 deles graves, com 26 mortes. A colisão frontal lidera como causa mais frequente e mais letal.

Onde tem mais acidente na BR-381

Um levantamento por quilômetro, com dados da ANTT entre julho de 2025 e janeiro de 2026, aponta a concentração de acidentes em pontos específicos dos 303,4 km sob concessão, entre Belo Horizonte e Governador Valadares, atravessando 21 municípios mineiros, enquanto parte das obras estruturais de duplicação ainda está em execução ou em fase de projeto.:

  • km 249 (Vale do Aço): 36 acidentes — o pior ponto do trecho
  • km 383 (São Gonçalo do Rio Abaixo): 27 acidentes
  • km 422 (Caeté) e km 250 (Vale do Aço): 20 acidentes cada
  • km 379 (São Gonçalo do Rio Abaixo): 18 acidentes

Na Região Metropolitana de Belo Horizonte, a divisão de responsabilidades é mais complexa. Embora o corredor integre a concessão da BR-381, o governo federal manteve sob responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) as obras de duplicação, restauração e melhoramentos dos lotes 8A e 8B. Esses lotes somam 31,4 quilômetros — do km 422,4 ao km 453,8 — e concentram o pior indicador de segurança de toda a rodovia.

Os 10 quilômetros entre os km 430 e 440 tiveram 58 acidentes e 10 mortes em 2025, segundo o Guia CNT de Segurança nas Rodovias mais recente. Foi nesse trecho, no km 438, próximo a Ravena, que um carro de reportagem da Band Minas colidiu de frente com um caminhão em 15 de abril de 2026, vitimando a repórter Alice Ribeiro e o cinegrafista Rodrigo Lapa.

A tragédia aconteceu no mesmo dia marcado para a chegada das máquinas ao lote 8A — a ordem de serviço para início da duplicação havia sido assinada pelo Dnit 16 dias antes. O lote 8A tem 18 quilômetros (do km 422,4 ao 440,4), recebe cerca de 35 mil veículos por dia e vai consumir mais de R$ 405 milhões do Novo PAC, com conclusão prevista para 2028.

O lote que ainda não saiu do papel

O lote 8B, entre Sabará e Belo Horizonte (km 440,4 ao 453,8), é o mais movimentado do corredor: cerca de 100 mil veículos por dia. O contrato de R$ 509,9 milhões para projeto e obras foi assinado em maio de 2025, mas até agora só avançou a etapa de projeto — a execução física depende de uma nova ordem de serviço, ainda sem data. Uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) já havia identificado, em 2025, riscos no cronograma, nas desapropriações e no orçamento usado na licitação.

Diante do cenário desafiador de segurança e engenharia da rodovia, a concessionária Nova 381 S.A. antecipou para este ano uma obra de duplicação de 6 quilômetros em Antônio Dias, originalmente prevista para 2027. Os trabalhos começaram em abril, com intervenção em 12 encostas; 13 taludes já foram recuperados, segundo a concessionária, que projeta concluir o conjunto em fevereiro de 2028.

As intervenções na região ainda estão concentrados principalmente na estabilização das encostas, drenagem e preparação do terreno necessária para a ampliação da capacidade da rodovia. A ANTT também autorizou, em agosto, obras de estabilização de terraplenos nos km 305+300 e 305+350, com prazo contratual até fevereiro de 2028.

Conservação avança, mas grande parte da pista simples permanece

Paralelamente, a concessionária Nova 381 S.A. mantém uma agenda de manutenção — pavimento rígido entre Antônio Dias e Caeté; fresagem e recuperação do asfalto em Nova Era e no trecho entre João Monlevade e São Gonçalo do Rio Abaixo; limpeza no sistema de drenagem, tapa-buracos, roçada e sinalização — além da recuperação do viaduto do Severo, em Antônio Dias, prevista para terminar antes do período de chuvas de outubro.

Esta última obra é para recompor o talude que sofreu erosão e recuperar o sistema de drenagem, responsável pelo escoamento das águas no local. Mas a fotografia estrutural da rodovia segue praticamente a mesma do início da concessão: dos 303,4 km que compõem o corredor, 223,83 km ainda são pista simples.

O contrato prevê 134,27 quilômetros de duplicação, somando obras remanescentes e trechos novos — sem prazo definido para os pontos mais letais.

Procurados pela reportagem da Gazeta do Povo, o Ministério dos Transportes e o Dnit não responderam aos pedidos de esclarecimento sobre os prazos de entrega física dos lotes 8A e 8B até a publicação deste conteúdo.

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