“O Paraná não rejeita o PT”, diz Dr. Rosinha em entrevista à Gazeta do Povo
Por Kalrhen Braga
Especial para a Tribuna do Paraná
28/08/2026 às 12:46
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O Café com a Gazeta do Povo recebeu nesta sexta-feira (28) o médico e ex-deputado federal Dr. Rosinha (PT), candidato ao Senado pelo Paraná. Ele foi sabatinado por jornalistas e comentaristas convidados durante quase uma hora, ao vivo, no Youtube da Gazeta.
Na apresentação inicial, o candidato contou parte de sua trajetória: nascido em Rolândia, trabalhou na roça com o pai, que era pequeno agricultor, até os 18 ou 19 anos, e foi professor primário na mesma escola rural onde havia sido alfabetizado. Formou-se médico em 1970 e se aposentou como servidor público da prefeitura de Curitiba, não como deputado.
Ele também afirmou nunca ter recebido benefícios extraordinários durante o mandato parlamentar e disse ter denunciado a prática à época, o que teria motivado uma mudança na Constituição que extinguiu esse tipo de verba no Congresso Nacional.
Rosinha nega rejeição ao PT no Paraná e cita força eleitoral do partido
Um dos primeiros temas da entrevista foi a relação do PT com o eleitorado paranaense. Questionado sobre por que o Paraná, com 399 municípios e apenas três prefeituras petistas, além de um governo estadual e uma prefeitura de Curitiba sem vínculo com o partido, costuma rejeitar candidaturas do PT, Rosinha discordou da premissa.
“Eu acho que o estado do Paraná não rejeita o PT”, afirmou. Ele citou como exemplo as duas eleições de Flávio Arns e Gleisi Hoffmann ao Senado pelo partido, e lembrou que o PT já teve 20% da bancada federal eleita em 2003.
Segundo o candidato, mesmo em um momento de desgaste político, o partido obteve 35% dos votos no primeiro turno da última eleição presidencial. “Quem tem um terço dos votos em primeiro turno não tem rejeição”, disse, citando um conceito atribuído a Leonel Brizola, de que um terço do eleitorado apoia, um terço rejeita e o terço restante está em disputa.
Candidato defende PEC da Segurança e mandato para ministros do STF
Questionado sobre segurança pública, Rosinha defendeu a aprovação da PEC da Segurança Pública, em tramitação no Congresso Nacional, e disse que pretende atuar como interlocutor entre o governo estadual e o federal caso seja eleito.
“Nós temos que aprovar a PEC da Segurança Pública, que está no congresso nacional, para que efetivamente tenha mais segurança através de um sistema único”, afirmou. Ele também mencionou a estrutura de segurança montada para a Copa do Mundo em Curitiba, financiada pelo governo Dilma, que segundo ele segue subutilizada.
Sobre a crise de confiança no STF, apontada por pesquisas recentes, o candidato disse que qualquer denúncia contra ministros da Corte precisa ser investigada, incluindo o contrato de R$ 129 milhões citado durante a sabatina.
“Toda denúncia que existir, eu tendo algum mandato, ela tem que ser investigada”, declarou. Ele defendeu ainda a limitação do tempo de mandato de ministros do STF e do Tribunal de Contas da União, entre 8 e 10 anos, proposta que já apresentou como deputado federal.
Rosinha critica Moro e diz que impeachment de Dilma foi golpe
Rosinha também comparou os processos de impeachment de Dilma Rousseff e Fernando Collor de Mello, classificando o afastamento da ex-presidente como um golpe político. “A Dilma foi caçada por excesso de plena honestidade, foi um golpe de Estado, um golpe político”, disse. Ele relacionou o episódio às mudanças em direitos trabalhistas e à condução da pandemia de Covid-19 durante o governo seguinte.
Em relação ao escândalo de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS, o candidato afirmou que o problema começou antes do governo Lula, ainda no governo Temer, e teria se aprofundado durante a gestão de Jair Bolsonaro.
Segundo ele, a Controladoria-Geral da União (CGU) e a Polícia Federal apontam essa origem mais antiga do esquema, embora reconheça que familiares de Lula também estejam entre os citados nas investigações em andamento.
Rosinha critica Moro e defende renovação gradual do PT no Paraná
Ao comentar a disputa estadual, Rosinha defendeu a coligação formada pelo PT com o PDT no Paraná, com Requião Filho como candidato a governador, e criticou a gestão de Sérgio Moro (PL) à frente do governo estadual.
“O homem vai pra Cascavel e diz que foi pra Santa Casa de Cascavel, e não tem Santa Casa em Cascavel”, disse, ao questionar também a atuação de Moro à frente do Ministério da Justiça no combate ao feminicídio.
Falou ainda sobre a dificuldade do PT em renovar quadros políticos, o candidato disse que o partido tem promovido renovação, mas de forma gradual, e defendeu a manutenção de nomes mais experientes em cargos majoritários diante do que classificou como um cenário de desinformação. “Nós temos que enfrentar uma narrativa que hoje a extrema direita e a direita nos acusa de tudo aquilo que eles não sabem do que se trata”, afirmou.
Confira as respostas de Rosinha ao pingue-pongue do Café com a Gazeta
Dr. Rosinha respondeu de forma direta a perguntas sobre temas políticos e sociais.
- Bets: “Contra.”
- Voto impresso: “Contra.”
- Câmeras no uniforme da polícia: “Favorável.”
- Redução da maioridade penal: “Contra.”
- Audiência de custódia: “Favorável.”
- Revisão da Lei de Responsabilidade Fiscal: “A favor.”
- Escola cívico-militar: “Contra.”
- Impeachment de ministro do STF: “Favorável, se cometeu crime.”
- Grande político brasileiro: “Lula.”
- Alexandre de Moraes é: “Ministro do STF.”
- Lula é: “Melhor político da história do Brasil.”
- Jair Bolsonaro é: “Presidiário.”
- André Mendonça é: “Ministro do STF.”
- 8 de Janeiro foi: “Destruição de patrimônio público por tentativa de golpe.”
O candidato encerrou a entrevista agradecendo às perguntas feitas e pedindo voto para a chapa do PT no Paraná, formada por ele e pela senadora Gleisi Hoffmann, além de Lula à presidência e Requião Filho ao governo do estado.
Gazeta do Povo realiza série de entrevistas
A Gazeta do Povo promove em seu canal do YouTube uma série de entrevistas com candidatos ao Senado pelos estados do Paraná e de São Paulo. Serão convidados todos os candidatos e candidatas cujos partidos têm representação mínima no Congresso Nacional (ao menos cinco parlamentares eleitos).
As entrevistas terão duração de 45 minutos e ocorrem ao vivo, das 9h15 às 10h, no programa Café com a Gazeta. Além do canal da Gazeta do Povo no YouTube, elas também serão veiculadas no portal de notícias.
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