Pesquisadores da Univali lideram missão internacional para estudar o Atlântico
Uma equipe de cientistas brasileiros da Universidade do Vale do Itajaí (Univali) inicia, em 18 de setembro, uma expedição de 42 dias para explorar o fundo do Oceano Atlântico. A missão, chamada "The gap", percorrerá a distância entre Fortaleza e Gana para investigar a Zona de Fratura Romanche, uma região abissal que guarda segredos sobre a biodiversidade e a formação geológica do planeta.
Qual é o principal objetivo da expedição The gap no fundo do mar?
O objetivo central é entender como o relevo submarino, as correntes e as massas de água influenciam a vida em uma região quase desconhecida: a Zona de Fratura Romanche. Essa área é uma fenda gigantesca no solo oceânico que surgiu há 100 milhões de anos, quando a América do Sul e a África se separaram. A equipe quer descobrir quais comunidades de animais e organismos vivem nesses vales profundos. Mesmo que não encontrem nada em certos pontos, os cientistas explicam que o "dado zero" é valioso, pois obriga a ciência a investigar o porquê da ausência de vida naquele local específico.
Como os cientistas vão explorar profundidades de até 4,5 mil metros?
Para chegar onde a luz do sol não alcança e a pressão é esmagadora, os pesquisadores utilizarão o SuBastian, um robô operado remotamente de última geração. Esse equipamento é essencial para coletar amostras de rochas, sedimentos, água e pequenos seres vivos sem colocar vidas humanas em risco. Antes de o robô mergulhar, o navio realiza um mapeamento detalhado do relevo com sonares para identificar os melhores pontos de observação. Isso evita que o robô seja enviado às cegas para o fundo do mar, garantindo que as câmeras de alta definição captem imagens nítidas da biodiversidade local.
Quem são os brasileiros que integram esse time internacional de pesquisa?
A liderança da missão brasileira está com o professor José Angel Perez, da Univali, um experiente cientista que já participou de outras seis expedições semelhantes. Ao lado dele, trabalham a pesquisadora Flávia Masumoto e o doutorando Lucas Gavazzoni. Juntos, eles coordenam um grupo de 25 cientistas vindos de cinco países diferentes. Esse intercâmbio de conhecimento é fundamental para as análises posteriores, que usarão técnicas modernas como o DNA ambiental — um método que permite identificar a presença de espécies apenas analisando vestígios genéticos deixados na água ou no solo.
O público poderá acompanhar as descobertas da missão em tempo real?
Sim, uma das grandes inovações desta jornada é a democratização do conhecimento por meio de transmissões ao vivo. Os mergulhos do robô SuBastian serão exibidos no YouTube, no canal da organização filantrópica Schmidt Ocean Institute. Durante as transmissões, os próprios pesquisadores e pilotos do robô vão narrar o que está aparecendo nas imagens, respondendo perguntas do público em português e inglês. A ideia é aproximar as pessoas comuns da ciência, mostrando que a exploração do mar profundo pode ser tão inspiradora e fascinante quanto as missões espaciais para outros planetas.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.