Lula convoca empresários do “PIB” para discutir investimentos
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reunirá, na segunda-feira (31), em Brasília, um grupo restrito de grandes empresários para ouvir propostas e discutir investimentos na economia brasileira. Entre os convidados estão os irmãos Joesley e Wesley Batista, da J&F, José Seripieri Júnior, dono da Amil, e Rubens Ometto, da Cosan.
A reunião ocorre poucos dias depois do senador Flávio Bolsonaro (PL) receber representantes do mercado financeiro em um jantar em São Paulo. Apesar da proximidade entre os encontros, integrantes da campanha de Lula negam que a reunião tenha sido organizada como uma resposta ao evento promovido pelo senador.
Segundo apurações da CNN Brasil e do jornal O Globo, o encontro com os empresários já estava previsto há dias e deverá funcionar como um canal direto entre o governo e representantes de grandes grupos econômicos. A intenção é ampliar o diálogo com o setor privado e discutir formas de aumentar os investimentos em áreas consideradas estratégicas para o país.
A equipe de campanha chegou a considerar o Palácio da Alvorada como local do jantar, mas passou a procurar outro endereço para evitar questionamentos eleitorais sobre eventual uso de prédio público em atividade relacionada à campanha. A preocupação é reduzir o risco de adversários apresentarem representações por possível uso da estrutura pública para fins eleitorais.
Lula também sinalizou a interlocutores que pretende modificar sua relação com banqueiros que participaram do jantar com Flávio Bolsonaro. Segundo relatos, o presidente deverá adotar uma postura mais protocolar e distante em relação a empresários do setor financeiro que antes eram considerados próximos e tinham bom trânsito no governo.
Na área econômica, Lula defende uma combinação de responsabilidade fiscal, crescimento, investimentos públicos e privados, reindustrialização e aumento da renda dos trabalhadores. O presidente afirma ainda que pretende elevar o peso do Brasil na economia mundial por meio de investimentos em ciência, tecnologia e na agregação de valor aos recursos naturais.
Nesse cenário, o capital privado é tratado pelo governo como peça fundamental para ampliar investimentos e acelerar projetos, buscando complementar os recursos públicos destinados a programas como o Novo PAC e a Nova Indústria Brasil.
Entre os setores considerados prioritários estão a infraestrutura e energia, transição energética e indústria, inteligência artificial e data centers, e minerais críticos e novas tecnologias.
Lula também defende a redução dos juros como mecanismo para estimular investimentos produtivos e acelerar a expansão econômica. A avaliação do governo é que o Brasil tem condições de atrair grandes volumes de capital nos próximos anos graças à oferta de energia renovável, aos recursos naturais, ao tamanho do mercado consumidor e ao potencial na transição para uma economia de baixo carbono.