Unico x Serasa: perícia enfraquece caso do ?maior roubo de dado do Brasil?

29 de Ago de 2026 - 06:30
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Unico x Serasa: perícia enfraquece caso do ?maior roubo de dado do Brasil?

(Toda semana, e conversam sobre tecnologia no podcast. O programa vai ao ar às terças-feiras no, no, no e no. Nesta semana: ; ; ; )

A Unico move na Justiça uma ação contra a Serasa, acusada de protagonizar o "maior roubo de dados biométricos do Brasil". Uma perícia judicial enfraqueceu o caso, pois concluiu não ter encontrado "nenhum dado biométrico oriundo da Unico" nos sistemas da Skill, empresa que aparece como pivô da disputa entre a gigante da biometria e um dos maiores birôs de crédito do país.

No novo episódio de , o podcast do para os humanos por trás das máquinas, e contam o que mudou no caso. Depois da acusação da Unico contra a Serasa, sua subsidiária ClearSale e a Skill, uma perícia feita a pedido da Justiça e depoimentos à polícia enfraqueceram a tese de que houve um conluio para formação de "banco paralelo" de biometria.

A perícia concluiu: 'não foi localizado nenhum dado biométrico oriundo da Único nos sistemas da Skill'. E ela continua: 'não haveria a existência de banco paralelo de dados biométricos, mas uma divergência sobre o uso das rotas'. Ou seja, a Skill estava usando rotas diferentes para acessar o sistema da Único e atender o Banco do Brasil.
Helton Simões Gomes

Um dos gatilhos do caso foi a Unico ter constatado um salto no volume de transações de checagem de identidade ligadas ao Banco do Brasil. Era a Skill a responsável por intermediar o acesso da instituição financeira aos bancos biométricos da Unico. Após análises internas, a empresa constatou que os acessos adicionais podem ter comprometido os dados de 22 milhões de brasileiros.

Na versão de um executivo da Skill apresentada em depoimento à polícia, o aumento teria outra explicação: uma mudança contratual e um teste solicitado pela própria Único, com duplicação de verificações ao rodar um algoritmo novo junto do antigo.

A Skill pagava R$ 1,1 milhão para acessar a Único por mês. Só que, em meados de 2024, a Único passou a cobrar R$ 1,8 milhão pelo contrato e esse acesso passou a ser ilimitado. A Skill disse que a Único também estava testando um novo algoritmo e pediu para a Skill usar esse novo sistema e também usar o sistema antigo. Aí tem a duplicação e isso explicaria por que o volume de dados usados pelo Banco do Brasil teria crescido tanto. E o perito judicial atestou tudo o que a Skill está dizendo agora.
Helton Simões Gomes

O que era parceria virou briga comercial, mostra o depoimento: ao pagar mais, a Skill teria passado a atender outros clientes, incluindo a ClearSale, posteriormente comprada pela Serasa, rival da Unico. Segundo o executivo da Skill, quando percebeu isso, a Unico rompeu o contrato e aplicou uma multa rescisória. Agora, é a Skill que entrou com um processo para derrubar essa cobrança na Justiça.

Para Diogo Cortiz, a disputa ajuda a entender por que biometria virou um ativo central para controlar acessos e identificar pessoas no mundo digital, o que pode concentrar poder em poucas empresas.

A gente usa o dado biométrico agora como um grande identificador. Cada vez mais, quem tiver esses dados biométricos e prestar esse serviço vai criando um ambiente com uma espécie de monopólio ou oligopólio.
Diogo Cortiz

Brasil adota 'modelo Grippen' para supercomputadores da IA de China e EUA

O governo Lula quer adotar um "modelo Gripen" para os supercomputadores de inteligência artificial vindos dos Estados Unidos e da China, conta Helton Simões Gomes no novo episódio de Deu Tilt, o podcast do UOL para os humanos por trás das máquinas, que trata de como a estratégia ganhou forma após viagem à China de servidores para participar da conferência de IA em Xangai.

A aposta, segundo os apresentadores, é reduzir o risco de depender de um único fornecedor -hoje, a norte-americana Nvidia— num cenário em que controles de exportação e disputas geopolíticas podem cortar o acesso a infraestrutura de computação essencial ao treinamento e operação de modelos de IA.

O que o governo quer fazer ao comprar esses dois supercomputadores, tanto dos Estados Unidos quanto da China, é criar um modelo Gripen da IA. Ou seja, eles não vão só comprar a máquina, instalar aqui e deixá-la rodando. Eles querem que as empresas que ganhem esses editais transfiram tecnologia. Não quer dizer transferir a arquitetura do chip, mas várias outras tecnologias envolvidas num supercomputador de IA: a forma como os sistemas rodam, o software, a formação de pessoal, formar pessoas para desenhar chips e semicondutores. Todo o stack de um supercomputador de IA pode ser transferido para o Brasil.
Helton Simões Gomes

IA, sigilo e novas leis: como o Discord virou alvo no Brasil

O Discord entrou na mira de autoridades brasileiras depois que uma investigação apontou que o suicídio de uma menina de 13 anos foi transmitido ao vivo na plataforma. No novo episódio de DEU TILT, o podcast do UOL para os humanos por trás das máquinas, Diogo Cortiz e Helton Simões Gomes explicam por que o caso virou uma prova de fogo para regras e tecnologias de moderação.

Pix muda para 'seguir' dinheiro em contas laranjas usadas em golpes

O Pix vai ampliar o prazo para contestar transferências fraudulentas e intensificará um mecanismo para rastrear por quais contas o dinheiro passou quando um golpe é identificado. No novo episódio de Deu Tilt, o podcast do UOL para os humanos por trás das máquinas, Helton Simões Gomes e Diogo Cortiz explicam como as mudanças tentam sufocar estelionatos cada vez mais sofisticados.

A principal alteração visível para o usuário começa em 1º de setembro: o tempo para reivindicar um Pix feito de uma forma inautêntica vai aumentar de 30 para 80 dias. A ideia é dar fôlego para quem demora a perceber que caiu num golpe -e também para os bancos rastrearem e tentarem recuperar os valores.

A partir de 1º de setembro, aquele tempo que as pessoas tinham para reivindicar um Pix feito de uma forma inautêntica vai aumentar de 30 dias para 80 dias. Isso é muito bom, porque nem todo mundo se liga de imediato que caiu num golpe. Vai dar mais tempo para as pessoas notarem que caíram num golpe, levantar a mão e falar: 'Opa, banco, devolve meu dinheiro'. E esse prazo também vale para o banco, porque o banco tem que rastrear esse dinheiro e pegar ele de volta.
Helton Simões Gomes

DEU TILT

Toda semana, e conversam sobre as tecnologias que movimentam os humanos por trás das máquinas. O programa é publicado às terças-feiras no e nas. Assista ao episódio da semana completo.