'Não é surpresa': Mercedes vê 'dinheiro acabar' e rivais melhorarem na F1

29 de Ago de 2026 - 06:15
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'Não é surpresa': Mercedes vê 'dinheiro acabar' e rivais melhorarem na F1

Ainda que lidere os campeonatos de construtores e pilotos da Fórmula 1 com certa folga, a Mercedes tem visto sua ampla vantagem dentro da pista diminuir ao longo da temporada.

As duas últimas corridas — com vitórias da McLaren e com a Ferrari ameaçando o pódio da equipe alemã — ilustram como o time de Toto Wollf já não tem mais tanta dominância igual no início da temporada, quando venceu os seis primeiros GPs e abriu distância na ponta da tabela.

Tal movimento se deve, principalmente, à estratégia que a Mercedes adotou para o desenvolvimento de seu carro nesta temporada. Os alemães optaram por gastar grande parte do teto de gastos no início de 2026, e agora não terão tanto dinheiro disponível em atualizações para responder à melhora dos adversários, como explicou a colunista Julianne Cerasoli no Pole Position, programa do Canal UOL.

Quando o Toto Wolff [chefe de equipe] fala que acabou o dinheiro, não foi uma surpresa, isso é o plano da Mercedes. Gastar maior parte do orçamento no começo, e agora nessa parte do ano já tem muito recurso indo para o carro do ano que vem. Se alguma equipe chegar perto, eles param um pouco o desenvolvimento do ano que vem e colocam mais no carro desse ano. Foi o que a McLaren fez no ano passado. Já estava 100% focada no carro de 2026, mas a Red Bull chegou com o Verstappen, e eles tiveram que colocar atualizações na reta final. Isso atrasou o carro de 2026, por isso a McLaren só conseguiu melhorar agora, estavam atrasados devido ao ano passado.
Julianne Cerasoli, no Pole Position, programa do Canal UOL

Até agora, a estratégia da Mercedes vem se mostrando correta. No campeonato de construtores, 87 pontos distanciam a equipe alemã da Ferrari. Já no de construtores, Kimi Antonelli lidera com 242 pontos e George Russell aparece na vice-liderança, com 183 — empatado com Lewis Hamilton.

Eles decidiram colocar tudo o que podiam no carro para a primeira corrida da temporada. É uma abordagem diferente das outras equipes, que colocaram um carro para andar e foram melhorando ao longo do tempo. A Mercedes gastou mais no primeiro carro e a ideia era ter uma vantagem tão grande, que eles iam fazer um monte de ponto no começo da temporada, e aí os outros não iriam chegar. Está funcionando por enquanto.
Julianne Cerasoli

Ainda que as rivais estejam diminuindo a distância, isso também pode ajudar a Mercedes. Por serem mais duas equipes na disputa por vitória — Ferrari e McLaren — os pontos dificilmente irão totalmente para um único time, já que eles podem tirar uns dos outos.

Nesse cenário, a Mercedes pode ver ambas brigarem e não conseguiram diminuir a distância na tabela.

Pensando no ano que vem

Com a vantagem que tem no campeonato, a Mercedes também já pode focar no desenvolvimento do carro para 2027, saindo na frente das rivais. Atualmente, o teto orçamentário está estabelecido em US$ 215 milhões (R$ 1,1 bilhão), mas tende a aumentar com o passar das temporadas.

Com o teto orçamentário, fica bem limitado para essas equipes grandes, e um campeonato acaba entrando no outro. Por isso precisam tomar essa decisão. Mas não é que está faltando dinheiro, só vão ter que tomar uma decisão -- dependendo do que acontecer no campeonato -- se eles deslocam o dinheiro que está indo para 2027 para agora já.
Julianne Cerasoli

Veja o episódio do Pole Position na íntegra

Reportagem

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.