Mano Menezes e Peru estragam festa dos haitianos em Miami
"Bwakale! Bwakale!". O grito da torcida haitiana ecoava como nunca havia acontecido no recém inaugurado NU Stadium de Miami, a nova casa do Inter Miami, de Messi. O significado não é tão bonito quanto a sonoridade. "Matem eles! Matem eles!". Um tanto quanto agressivo, mas não muito diferente do "A por ellos" que cantam os espanhóis. Na tradução livre, podemos deixar o Bwakale como um "para cima deles".
E para cima do Peru foi o Haiti no último amistoso da seleção caribenha antes da estreia na Copa do Mundo, contra Marrocos. Os haitianos serão adversários do Brasil na segunda rodada, em jogo marcado para 19 de junho, daqui a duas semanas. Foi para cima, fez 1 a 0 no primeiro tempo e teve pelo menos dois contra ataques limpos para matar o jogo no segundo tempo. Aí, vieram as substituições, o time de Mano Menezes melhorou e virou o jogo nos minutos finais em dois escanteios.
O jogo de Miami mostrou o que de melhor e o que de pior veremos do Haiti na Copa do Mundo. O melhor, sem dúvida, a torcida. A diáspora haitiana, um país assolado por ditaduras, guerras internas e violência de gangues, trouxe para os Estados Unidos e Canadá centenas de milhares de pessoas ao longo das últimas seis décadas. Muitos dos que estavam no estádio nesta noite de sexta nasceram em solo americano e sequer conhecem o país de origem dos pais. Outros, vieram para nunca mais voltar - não por opção, mas por segurança.
Com este cenário, a torcida haitiana criou um ambiente de futebol raro hoje em dia. Muito participativos, os haitianos vibravam a cada lance, cada bola roubada, dividida ganha ou defesa do goleiro. Mesmo depois de levar a virada, não murchou. E como a festa está muito mais relacionada ao Haiti em um Mundial depois de 52 anos, a dança não parou mesmo com a derrota - algumas coreografias dos haitianos lembram muito as feitas pelas torcidas de algumas seleções africanas.
O outro fator positivo que o Haiti mostrou foi a velocidade para contra atacar e a alta qualidade dos dois jogadores de Premier League, Bellegarde, o camisa 10, e Isidor, o atacante que fez o gol haitiano no primeiro tempo. Quando Isidor marcou o gol, muita gente não havia conseguido entrar ainda e o caos imperava nas ruas do lado de fora do estádio, que fica colado ao aeroporto internacional de Miami. O trânsito insano, a falta de sinalização e acessos fizeram com que o estádio só ficasse cheio mesmo no intervalo - todos os ingressos haviam sido vendidos, e o novo palco de Messi tem capacidade para 26700 pessoas.
Aos 15min do segundo tempo, o técnico francês do Haiti, Sébastien Migne fez sete alterações, e o nível caiu. Já Mano Menezes mexeu no time duas vezes no intervalo, depois mais duas aos 14min e mais duas vezes aos 25min da etapa final. O Peru melhorou, sufocou e fez gols com justiça. Dois escanteios foram responsáveis pelas viradas. No primeiro, após cabeceio do zagueiro Gruber, o goleiro haitiano Placide falhou, deu rebote e Garcés, outro zagueiro, empatou. Apenas três minutos depois, aos 39min, novo escanteio, nova falha da defesa e Vélez virou para o Peru.
Os peruanos eram minoria absoluta no estádio, que teve convivência pacífica. Foram eles que fizeram a festa no fim. Mano Menezes e o Peru jogam mais um amistoso antes da Copa, contra a forte Espanha, na cidade de Puebla (México). Já o Haiti, seus problemas defensivos e sua torcida vibrante voltam a campo no dia 13 de junho, contra a Escócia, em Boston.
Reportagem
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