China consegue recuperar foguete após lançamento e se aproxima dos EUA
China recuperou pela primeira vez o primeiro estágio de um foguete orbital após um lançamento, em um teste que aproxima o país da tecnologia de reutilização já dominada por empresas dos EUA.
O que aconteceu
Recuperação ocorreu depois do lançamento de um Long March-10B na sexta-feira, segundo a agência estatal Xinhua. O primeiro estágio se separou do segundo após a decolagem e voltou para uma plataforma no mar, em uma demonstração de reúso que, na prática, busca reduzir o custo das missões.
Empresa estatal chinesa CASC (China Aerospace Science and Technology Corporation) disse que a operação teve recuperação controlada e bem-sucedida. "Esta missão marca a primeira recuperação controlada bem-sucedida de um veículo lançador do meu país e a primeira recuperação do mundo baseada em rede", afirmou a CASC, em publicação nas redes sociais.
Segundo a CASC, o primeiro estágio desceu na vertical e foi capturado por um sistema de rede em uma plataforma marítima. "Aproximadamente seis minutos após a separação do primeiro e do segundo estágios, o primeiro estágio retornou verticalmente e foi recuperado com sucesso em uma plataforma de recuperação no mar usando um sistema de rede", informou a empresa em atualização pós-lançamento.
O foguete levou um satélite à órbita prevista, mas a CASC não detalhou o equipamento nem a trajetória. A empresa afirmou ainda que pretende tentar reutilizar o primeiro estágio até o fim do ano.
Reutilizar o propulsor é um passo-chave para baratear lançamentos, porque evita descartar a parte mais cara do foguete após a decolagem. "A configuração reutilizável reduz significativamente os custos de lançamento, oferecendo vantagens de grande capacidade de carga útil e alta relação custo-benefício", disse a CASC.
Como os EUA dominam a reutilização
SpaceX faz pousos e recuperações de primeiros estágios desde 2015 e usa isso para reduzir custos e aumentar a frequência de lançamentos. A empresa de Elon Musk já realizou mais de 600 recuperações de propulsores Falcon e chegou a lançar um mesmo booster pela 36ª vez.
Blue Origin, de Jeff Bezos, também recupera foguetes e avançou do New Shepard para tentativas com o New Glenn. A companhia começou pousando seus boosters no Texas em voos suborbitais e passou a recuperar estágios maiores em plataforma flutuante na costa da Flórida.
Outras empresas também testam caminhos para reúso, como a Rocket Lab, que já tentou capturar um estágio com helicóptero. No fim das contas, o objetivo é o mesmo: reaproveitar o equipamento e diminuir o preço de colocar satélites e cargas em órbita.
Por que isso importa para a China
O foguete Marcha Longa 10B (Long March-10B) tem capacidade de levar até 16.000 kg para a órbita baixa da Terra. Para comparação, o Falcon 9, da SpaceX, pode levar até 22.800 kg para a mesma faixa de órbita, enquanto o Falcon Heavy chega a 63.800 kg.
Especialistas avaliam que a reutilização pode mudar o jogo para o custo e a escala do programa espacial chinês. Victoria Samson, diretora de Space Security and Stability da Secure World Foundation, disse em entrevista ao TechCrunch que é um "enorme divisor de águas" e que, quando a China dominar o reúso, isso deve derrubar bastante o custo de lançamentos e pode virar ferramenta de influência ao oferecer lançamentos baratos a aliados.