Meta recua e bloqueia uso de fotos do Instagram para criar imagens por IA
Após críticas de entidades do setor de entretenimento, a Meta desativou um recurso de IA que permitia gerar imagens a partir de perfis públicos do Instagram.
O que aconteceu
O recurso funcionava ao mencionar (@) uma conta pública do Instagram no Meta AI para "referenciar" a pessoa na imagem gerada. Em nota, um porta-voz da Meta afirmou que após a repercussão negativa, a empresa desativou a funcionalidade.
No início desta semana, anunciamos que uma das formas de as pessoas gerarem imagens no Meta AI era mencionando (@) contas públicas do Instagram que elas queriam usar como referência. Nossa intenção era oferecer uma ferramenta criativa útil e dar às pessoas controle sobre se seu conteúdo público poderia ser referenciado dessa forma. Ouvimos as repercussões de que esse recurso não foi bem recebido, então ele não está mais disponível.
Porta-voz da Meta, em comunicado para mídia internacional
A ferramenta fazia parte do Muse Image, modelo apresentado pela empresa na terça-feira, com promessa de integrar experiências sociais em seus aplicativos. A reação negativa se concentrou na política de "opt-out" (direito de recusa), que exigia que usuários maiores de 18 anos e com contas públicas desativassem a opção para impedir o uso de suas imagens.
O controle para desativar é acessível tocando na sua imagem de perfil, indo ao menu de três listras (canto superior direito da tela) e tocando em "Compartilhamento e reutilização". Lá, é possível desativar recursos que permitem que pessoas reutilizem seu conteúdo no Instagram com recursos de IA da Meta.
Agências e sindicatos cobraram consentimento explícito para o uso de imagem e identidade em modelos de IA. A CAA, que representa artistas como Tom Hanks e Meryl Streep, disse: "Ninguém deveria ter seu nome, imagem, semelhança, voz ou trabalho criativo usado por terceiros, incluindo modelos de IA, sem consentimento claro e documentado. A verdadeira inovação coloca os criadores em primeiro lugar: respeitando seus direitos, protegendo seus meios de subsistência e dando a eles controle real, não entregando isso às plataformas".
Após a retirada do recurso, a CAA elogiou a decisão e pediu continuidade do diálogo sobre proteção a criadores. "Elogiamos a Meta por sua decisão rápida de remover o recurso Muse Image. Colocar direitos individuais e consentimento no centro é essencial para construir tecnologia responsável. Esperamos manter conversas contínuas para garantir que os criadores permaneçam protegidos à medida que a tecnologia evolui", afirmou a agência.
O SAG-AFTRA, sindicato que representa artistas e intérpretes nos EUA, também orientou seus membros a desativarem a função. "Tome medidas para proteger sua imagem", escreveu a entidade nas redes sociais.
Como o Muse Image havia sido apresentado
Na semana do lançamento, a Meta descreveu o Muse Image como um gerador de imagens por IA integrado ao Meta AI e com planos de chegar ao Instagram em mais países. A empresa disse que a, com acesso pelo site meta.ai.
O recurso também foi anunciado como base para novos efeitos de IA em aplicativos como Instagram e WhatsApp. A Meta afirmou que havia mais de 30 efeitos para Stories do Instagram e que também seria possível gerar imagens em conversas diretas com o Meta AI no WhatsApp.
Pressão sobre políticas de "opt-out" (direito de recusa) em IA
O recuo da Meta ocorre em meio a críticas a ferramentas que usam a aparência de pessoas sem permissão explícita. As empresas de IA vêm testando limites do público sobre como imagens e identidades são coletadas e usadas para treinar e operar modelos.
No ano passado, houve um caso semelhante envolvendo a OpenAI, que chegou a ter um mecanismo de "opt-out" no modelo de vídeo Sora 2 antes de mudar a política e encerrar a função. A Meta, por sua vez, desativou a possibilidade de usar contas do Instagram como referência sem autorização expressa.