Dívida de US$ 80 bi desafia fusão de Paramount e Warner Bros Discovery
David Ellison, fundador da produtora Skydance Media e filho do cofundador da Oracle, Larry Ellison, terá pela frente o desafio de administrar uma empresa com cerca de US$ 80 bilhões em dívida após a . Segundo o The Wall Street Journal, o sucesso da operação dependerá da capacidade de reduzir o endividamento sem comprometer os investimentos em conteúdo e streaming.
O que aconteceu
Fusão entre Paramount e Warner Bros. Discovery criará uma gigante do entretenimento com cerca de US$ 80 bilhões em dívida. Operação impõe a David Ellison o desafio de reduzir o endividamento enquanto mantém investimentos em conteúdo, streaming e esportes, mostra reportagem do The Wall Street Journal.
Empresa herda uma das maiores dívidas do setor de mídia. Após a conclusão da operação, a empresa combinada deverá ter dívida líquida equivalente a cerca de 6,5 vezes o lucro operacional medido em Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) anual, patamar considerado elevado por analistas, como Moffett Nathanson, que classificou o número como "impressionante".
Arquiteto do negócio promete crescimento sem repetir forte política de cortes adotada pela Warner sob David Zaslav. Ellison afirma que não pretende vender ativos nem reduzir gastos com conteúdo, defendendo que a estratégia da fusão está baseada na expansão dos negócios.
Paramount prevê que a empresa resultante da fusão gerará uma receita anual de aproximadamente US$ 69 bilhões. Após a implementação das sinergias, a empresa espera um Ebitda ajustado de cerca de US$ 18 bilhões. A companhia também projeta um orçamento de conteúdo superior a US$ 30 bilhões para a empresa combinada após a conclusão da transação.
Plano passa por necessidade de alcançar economias de US$ 6 bilhões em sinergias nos próximos três anos. A maior parte dos ganhos deverá vir da integração das plataformas de streaming e da eliminação de estruturas sobrepostas, processo que pode resultar em cortes significativos de empregos.
Desafio é que muitos ajustes já foram feitos. A Paramount passou por vários ciclos de redução de custos nos últimos anos, tanto antes quanto depois da venda para a Skydance de Ellison. Por isso, muitos executivos atuais e antigos da Warner dizem que as repetidas rodadas de cortes de custos já eliminaram grande parte das economias óbvias, deixando-os sem saber o que ainda resta para cortar.
Grande parte da flexibilidade financeira depende da obtenção dos US$ 6 bilhões em sinergias prometidas dentro de três anos. A meta é considerada ambiciosa por alguns analistas, dada à escala da integração.
Aposta no streaming
David Ellison, apoiado por seu pai bilionário, Larry Ellison, está fazendo uma grande aposta em conteúdo. A questão é que essa estratégia ocorre em um momento em que o cenário do entretenimento e da mídia enfrenta custos mais altos de direitos esportivos, um mercado de streaming competitivo e um ambiente de bilheteria arriscado, mostra a reportagem do WSJ.
Aposta no streaming entra como motor de crescimento. Ellison acredita que a combinação dos serviços da Paramount e da Warner criará um concorrente mais forte no mercado. Ainda assim, agências de rating e analistas avaliam que a desalavancagem poderá ser mais lenta do que a projetada pela empresa e que a meta de reduzir a dívida para três vezes o Ebitda em três anos parece otimista.
Desafio é fazer a transição do modelo de negócio sem perder receita. Embora o conjunto de canais da empresa resultante da fusão, que inclui CNN, CBS, MTV e Nickelodeon, ainda gere cerca de US$ 35 bilhões em receita anual, o setor continua sob pressão devido ao cancelamento de assinaturas de TV a cabo e à queda na receita publicitária.
Ellison está apostando alto na combinação das plataformas. O plano é combinar os negócios de streaming Paramount+ e Pluto TV com a força da HBO Max da Warner para criar um concorrente mais forte no mercado de streaming e capaz de gerar mais receitas.
Moody's Ratings estima que a receita cairá a uma taxa média anual de quase 10% no futuro próximo. "Estimamos que levará pelo menos cinco anos até que os lucros do setor de streaming se igualem à escala da mídia televisiva", afirmou a agência de classificação de risco em relatório.