Arrependidos do 'token maxxing': a conta chegou para os maníacos da IA
(Toda semana, e conversam sobre tecnologia no podcast. O programa vai ao ar às terças-feiras no, no, no e no. Nesta semana:;;;)
Usar ferramentas de inteligência artificial como se não houvesse amanhã e medir a produtividade dos trabalhadores com elas por meio do gasto com tokens virou uma tendência tão forte que ganhou o apelido de "token maxxing". Só que a onda começou a perder força quando os boletos chegaram como sempre, mas salgados como nunca, conta e no novo episódio de , o podcast do para os humanos por trás das máquinas.
Token maxing foi basicamente uma loucura que aconteceu no mundo da tecnologia em que a galera foi usando inteligência artificial e 'ah, vamos ganhar produtividade e medir a partir do consumo de tokens'. Isso não fazia o menor sentido. A conta chegou e agora as empresas estão muito mais cautelosas, não desconfiando da capacidade da IA. Todo mundo já entendeu que a IA é muito boa para fazer diferentes tarefas, inclusive para programação, mas ela tem um custo e esse custo muitas vezes é maior do que fazer uma tarefa sem inteligência artificial.
Diogo Cortiz
Ainda que tenha durado poucos meses, a onda ganhou cara de mantra corporativo: quem não usasse IA ficaria para trás. Só que, na prática, o consumo de tokens não significou mais produtividade.
A conta estourou, diz Diogo, quando equipes passaram a usar modelos mais caros para tarefas simples, como pedir à IA para mudar um botão de um lado para o outro, algo que poderia ser feito com uma linha de código.
Hoje, a galera está segurando um pouco a mão nesse consumo desenfreado de tokens. Você tem uma tarefa complexa e ela, de fato, depende da inteligência artificial? Sim. Então, você usa a inteligência artificial.
Diogo Cortiz
Antes do custo do token maxxing chegar, o incentivo ao gasto com IA virou política em algumas empresas, com bônus financeiro e sinalizações internas de status aos maiores gastadores de token. Claro que esse tipo de estímulo ajudou a empurrar o uso para além do necessário.
Para os dois, a virada agora passa por governança: ferramentas e plataformas que controlam quanto cada pessoa pode gastar e que escolhem o modelo mais adequado para cada pedido, evitando destinar tarefas simples a sistemas mais caros.
As empresas agora estão olhando isso como uma forma de trazer mais governança e, claro, mais eficiência no processo de uso da inteligência artificial. Você vai criando essa camada em que o usuário nem tem mais acesso final àquele modelo. Agora você tem acesso a essa plataforma que faz toda essa orquestração para trazer mais controle.
Diogo Cortiz
Você vai passar 25 anos diante da tela; veja como sair da frente do celular
Um brasileiro pode passar cerca de 25 anos diante de telas ao longo da vida se mantiver o ritmo médio de uso diário, calculam e.
No novo episódio, a dupla explica como o celular sequestra a atenção e o que fazer para reduzir o tempo de tela. Helton conta que desconfiou de um estudo que falava em 52 anos diante de telas e refez as contas com outro levantamento, além de checar o próprio uso no iPhone e no computador. A conclusão, segundo ele, assusta, mas também dá pistas de por onde começar.
Eu topei com um estudo feito pela NordVPN que mostrava que o brasileiro vai gastar 52 anos na frente de uma tela de celular, de computador e por aí vai. Eles ouviram alguns brasileiros e chegaram a um número de mais de 14 horas por dia e extrapolaram para o tempo de vida. Eu olhei e pensei: não é possível. Fui atrás de uma estimativa de uma consultoria mundialmente conhecida e cheguei ao número de 9 horas e 13 minutos por dia. Fazendo as contas, dá 28 anos, 2 meses e 7 dias diante de telas. Aí eu falei: essa conta está errada porque parece que a pessoa nasceu e já está na frente de uma tela. Então calculei a partir dos 9 anos e cheguei a 25 anos na frente de uma tela.
Helton Simões Gomes
Karen Hao: 'Não devemos acreditar no que dizem líderes das empresas de IA'
Antes de criar o ChatGPT, a OpenAI tocava projetos nada vistosos até praticamente tropeçar no GPT-2, tecnologia criada a partir de uma ideia forjada pelo Google, escreve a jornalista norte-americana Karen Hao no bestselling "Império da IA". Para a escritora, o segredo para a errática empresa ter colocado a inteligência artificial generativa na boca do mundo não foi inventar um método inédito ou encontrar o produto certo de cara, mas, sim, algo menos intuitivo: escala.
Apostar em mais dados e mais poder computacional fez a OpenAI largar na frente, diz Karen Hao em entrevista a Deu Tilt, o podcast do UOL para os humanos por trás das máquinas. Na conversa, ela detalha por que classifica as empresas de IA de "impérios", contesta as previsões de líderes do setor, como Sam Altman, e ainda aponta riscos para a democracia e a autonomia de países que viram grandes consumidores de IA.
Eu não acho que devemos confiar nessa previsão dele. Previsão não deve ser entendida apenas como uma descrição do futuro, mas como um ato de fala e um instrumento de poder. As pessoas preveem que algo vai acontecer como uma forma de tentar fazer aquilo acontecer. Se alguém como Sam Altman consegue convencer todo mundo de que a visão de mundo dele inevitavelmente vai se concretizar, isso vira uma profecia autorrealizável. Por isso, não deveríamos simplesmente acreditar no que Sam Altman diz ou no que qualquer líder dessas empresas de IA diz.
Karen Hao
Manual para virar trilionário: 10 passos para seguir o caminho de Elon Musk
Vivemos em um mundo onde 1 trilhão já não é uma abstração para quantidades inatingíveis, graças ao empresário sul-africano Elon Musk, que se tornou o primeiro trilionário da história da humanidade. O caminho trilhado por ele foi acelerado pelo frenesi da inteligência artificial e pela esperança da retomada da corrida espacial. Mas toda grande jornada começa com um primeiro passo.
Neste novo episódio de, o podcast do para humanos por trás das máquinas, Helton Simões Gomes e Diogo Cortiz criam o "manual do trilionário", um tutorial que remonta a trajetória do dono da SpaceX para replicar em 10 simples passos o caminho das pedras para quem quiser se tornar o segundo, terceiro ou quatro trilionários do mundo. Afinal, se ele conseguiu, qualquer um consegue. Spoiler: contém ironia.
DEU TILT
Toda semana, e conversam sobre as tecnologias que movimentam os humanos por trás das máquinas. O programa é publicado às terças-feiras no e nas. Assista ao episódio da semana completo.