Em 20 dias, Ancelotti teve 7 decisões estratégicas para montar time da Copa
Em apenas 20 dias, entre a divulgação da lista final para a Copa do Mundo e a estreia marcada para 13 de junho contra Marrocos, Carlo Ancelotti precisou tomar sete decisões estratégicas que mudaram o rumo da seleção brasileira.
O período serviu para mostrar que o treinador chegou à reta final da preparação ainda em busca da formação ideal e disposto a abandonar conceitos que vinha desenvolvendo ao longo do último ano.
A primeira escolha aconteceu ainda na convocação, em 18 de maio. Mesmo sem ter treinado Neymar uma única vez e apesar de ter afirmado anteriormente que só chamaria jogadores em condição física ideal, Ancelotti decidiu apostar no camisa 10. Para abrir espaço na lista, João Pedro acabou cortado.
Dez dias depois veio a segunda decisão. Exames em Teresópolis detectaram uma lesão grau 2 na panturrilha de Neymar, problema que colocava até sua participação na estreia no Mundial em risco. Ainda assim, Ancelotti optou por mantê-lo no grupo, apostando na recuperação do principal nome da equipe.
A terceira mudança ocorreu em 31 de maio, no amistoso contra o Panamá. Depois de passar praticamente um ano testando alternativas e dando sinais de que utilizaria um zagueiro improvisado pelo lado direito da defesa, o treinador surpreendeu ao escalar Wesley como lateral titular.
Poucos dias depois, em 3 de junho, veio uma das alterações mais profundas do ciclo. Influenciado pelo desempenho da equipe reserva diante do Panamá e também por conversas com lideranças do elenco, Ancelotti abandonou o modelo com apenas dois homens no meio campo e passou a trabalhar com três. A mudança custou espaço a Luiz Henrique e Matheus Cunha, enquanto Igor Thiago ganhou oportunidades.
A quinta decisão apareceu no amistoso contra o Egito, em 6 de junho. Após indicar que Ibañez seria utilizado como lateral direito, o treinador mudou de ideia e o escalou na função que exerce em seu clube, atuando como zagueiro pela esquerda. A escolha frustrou a expectativa de Leo Pereira, que acreditava ser a primeira alternativa para substituir Gabriel Magalhães.
No mesmo jogo, Ancelotti confirmou a sexta mudança estratégica. O sistema com três homens de meio campo foi mantido, mas ganhou um ajuste importante: Raphinha passou a atuar como um quarto meio campista sem a bola. A alteração deu mais densidade ao setor central, mas teve impacto direto sobre Vinicius Junior, que encontrou menos espaços e teve atuação discreta depois de se destacar contra o Panamá.
A sétima e mais recente decisão veio neste sábado, após a lesão grau 3 no adutor da coxa esquerda de Wesley. Em vez de convocar outro lateral direito, Ancelotti chamou Ederson, reforçando justamente o setor que passou a considerar prioritário após a mudança de sistema. O movimento deixou a seleção sem um lateral direito de origem no elenco e sem um jogador com características de apoio constante à linha de fundo adversária.
As sete decisões ajudam a explicar como a seleção chegou à semana da estreia. Mais do que ajustes pontuais, elas revelam uma mudança de rota promovida pelo treinador às vésperas da Copa. O time que entrará em campo contra Marrocos é bastante diferente daquele que Ancelotti parecia desenhar durante a maior parte de seu primeiro ano de trabalho.