A saga de Sacha: dos urros de dor ao grito de campeão em quatro anos

7 de Jun de 2026 - 17:00
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A saga de Sacha: dos urros de dor ao grito de campeão em quatro anos

Melhor tenista sem um título de slam? Não mais. Alexander Zverev exorcizou uma dúzia de demônios neste domingo, em Roland Garros, e levantou sua primeira taça em um torneio deste porte. Não foi perfeito. Longe disso. Houve drama, e o corpo deu um susto com uma ameaça de cãibra no começo do quarto set. No fim, contudo, Sascha estava mais inteiro do que seu rival Flavio Cobolli, e terminou com o troféu nas mãos.

Foi uma conquista de perseverança, uma palavra já meio fora de moda. Zverev, afinal, perdeu suas três primeiras finais de slam e viu jogos ganháveis escaparem aqui e ali. Ainda assim, meio que na contramão do tênis contemporâneo, não mexeu de forma radical no seu time. Manteve seu pai ali. O irmão continuou acompanhando de perto. O preparador físico é o mesmo desde 2014.

Sascha também Incorporou seu melhor amigo, Marcelo Melo, com um cargo de manager. O homem "que me mantém feliz", como disse na cerimônia de premiação. Um homem, aliás, que chorou mais do que o próprio campeão depois que a partida terminou. Foram cenas bonitas e que tiveram como coadjuvante um Flavio Cobolli simpático e empático.

O planeta inteiro sabia da saga de Sascha. O próprio alemão tinha consciência do tamanho da oportunidade. Vencer um slam sem enfrentar Sinner, Alcaraz ou Djokovic. Lidou bem com a expectativa nas quartas e nas semifinais. Na final, nem tanto - o que parece um tanto compreensível para um cidadão, digamos, "normal".

Zverev deu sobrevida a Cobolli quando começou mal o quarto set. Seu saque assustou, com flashes do que foi cinco anos atrás, quando as duplas faltas vinham como estalos de pipocas de microondas. Seu tie-break foi ruim. Seu corpo acendeu um alerta. No fim, porém, quando o italiano lhe abriu as postas para o quinto set, Sascha aproveitou a maior das chances.

Na mesma quadra Philippe Chatrier em que viveu o momento mais dolorido da carreira - quando rompeu ligamentos do tornozelo direito no meio de uma semifinal contra Rafael Nadal - experimentou agora o triunfo. Urrou de dor em 2022. Quatro anos depois, levantou a Copa dos Mosqueteiros com o grito de quem tinha muitas sensações entaladas. O homem que é campeão olímpico, venceu o ATP Finals duas vezes e soma sete títulos de Masters 1000 agora completa sua saga. Pode, enfim, chamar-se de campeão de slam.

Opinião

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.