Por que artilheiro da Espanha na Copa ainda não chegou a clubes de ponta?
Principal artilheiro e um dos maiores responsáveis por levar a Espanha à final da Copa do Mundo pela segunda vez na história, Mikel Oyarzabal está longe de ser uma novidade: já tem 29 anos, estreou na seleção há uma década e fez o gol do título da última Eurocopa, em 2024.
Mesmo com um currículo tão recheado, o atacante, que já marcou cinco vezes no Mundial-2026, uma delas na semifinal contra a França, menos apenas que Lionel Messi, Kylian Mbappé, Harry Kane e Jude Bellingham, ainda não chegou a um clube do primeiro escalão do futebol internacional.
Desde que estreou como profissional, Oyarzabal veste a mesma camisa, a da Real Sociedad, time que já foi sim uma das potências da Espanha, lá no começo da década de 1980, mas que se sagrou campeão nacional pela última vez em 1982.
O atacante já teve algumas oportunidades de sair de San Sebastián e do País Basco para dar o "grande salto" comum a jogadores de ponta.
Em 2021, Pep Guardiola tentou levá-lo para o Manchester City. Nas últimas semanas, foi o Barcelona quem se movimentou para contratá-lo. Em ambas as ocasiões, propostas nem chegaram a ser apresentadas porque o jogador logo tratou de fechar a porta para uma possível transferência.
"Dá para dizer não ao Barcelona? Dá sim, claro que dá. Outros jogadores já o fizeram", disse o artilheiro, ao programa da TV espanhola "El Chiringuito", já durante o Mundial na América do Norte.
Embora nunca tenha dito com todas as letras que pretende passar a carreira toda jogando na Real Sociedad, Oyarzabal também jamais deu demonstrações de que realmente considera uma mudança de ares.
O espanhol vive falando que considera que o clube basco é sua casa e onde se sente bem. Além disso, sequer tem um empresário para cuidar da carreira. É ele mesmo quem negocia contratos e recebe possíveis ofertas de saída.
Apesar de jogar em um time que não é propriamente de ponta, Oyarzabal não ganha mal na Real Sociedad. De acordo com o "Capology", plataforma especializada na cobertura do lado financeiro do futebol, seu salário anual está na casa de 7,8 milhões de euros (algo em torno de R$ 3,8 milhões por mês).
O valor supera os rendimentos de Brahim Díaz e Alexander Sorloth no poderosos Real Madrid e no Atlético de Madri, respectivamente. Mesmo na Premier League inglesa, o campeonato nacional mais rico do mundo, há atacantes de ponta que faturam menos que ele, como Cole Palmer e João Pedro, ambos do Chelsea
Discreto e com curso superior
A uma vitória de entrar no seleto grupo de jogadores que conquistaram o título mais importante que o futebol pode proporcionar, Oyarzabal leva uma vida discreta em San Sebastián e foge da badalação tão costumeira aos grandes astros do esporte.
Seus perfis em redes sociais fazem apenas publicações profissionais, sempre ligadas à sua atuação dentro de campo. Ou seja, nada de vida pessoal e nem mesmo de publis encomendadas por marcas que queiram se atrelar a ele.
Mesmo com a carreira nos gramados, o atacante espanhol ainda encontrou tempo para se dedicar aos estudos e tem um diploma de curso superior, algo pouco comum entre os jogadores de futebol de elite.
Oyarzabal é formado em Administração de Empresas pela Universidade de Deusto, uma das principais instituições de ensino superior do País Basco -é o centro universitário privado mais antigo da Espanha, com 140 anos de história.
Reportagem
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