Presidente da Bolívia nega acusação de vice de que Cerimedo mandava nos seus ministros

27 de Ago de 2026 - 12:45
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Presidente da Bolívia nega acusação de vice de que Cerimedo mandava nos seus ministros

O presidente da Bolívia, o conservador Rodrigo Paz, negou nesta quarta-feira (26) que o estrategista político argentino Fernando Cerimedo era seu assessor pessoal e mandava nos ministros do seu governo, acusação feita pelo vice-presidente boliviano, Edmand Lara.

Cerimedo está preso desde o último dia 18 na Bolívia por suspeita de ser o mandante de uma tentativa de assassinato contra sua ex-companheira, acusação que ele nega e alega ter motivações políticas.

De acordo com a agência EFE, em comunicado divulgado pela Presidência da Bolívia, Paz disse que o estrategista político argentino “nunca teve autorização” para representar o governo boliviano ou sua família.

“O senhor Cerimedo nunca teve autorização para representar este boliviano, a Presidência, o Governo ou minha família. A representação institucional se dá por meio de mandatos institucionais, como os de um ministro, vice-ministro ou delegado presidencial. Não existem assessores principais”, afirmou.

Paz relatou que Cerimedo chegou à Bolívia durante as eleições gerais de 2025 “para trabalhar com outros candidatos à presidência” e, quando o agora presidente venceu o primeiro turno, “um contato foi estabelecido” para que ele trabalhasse em sua campanha para o segundo turno, por ser um “estrategista reconhecido mundialmente”.

“Ganhamos as eleições e, a partir daí, ele não só cooperou naquela eleição, como também no início do governo. No entanto, sendo um estrategista de ordem internacional, a presença constante do senhor Cerimedo na Bolívia não era o que precisávamos para trabalhar e estabelecer uma estrutura de trabalho sólida”, alegou o presidente.

Paz também refutou as acusações de suposta corrupção feitas pela ex-companheira de Cerimedo, a advogada Nadia Beller, vítima do ataque.

“Não é possível que, criando escândalos, queiram prejudicar nosso modo de vida e comportamento. Por isso, sou o primeiro a defender, em nossa democracia, a transparência dos processos investigativos, não com base em escândalos, mas em provas. Escândalo não é prova”, disse Paz.

Em entrevista ao jornal peronista argentino Página/12 esta semana, o vice-presidente boliviano, Edmand Lara, afirmou que Fernando Cerimedo, além de ser assessor pessoal de Paz, dava ordens a ministros da gestão do presidente conservador.

“Ele ocupava um cargo, mas não estava na folha de pagamento, não tinha memorando. Nunca soubemos quem o pagava”, alegou.

Lara criticou o presidente argentino, Javier Milei, por ter compartilhado nas redes sociais mensagens que defendem a teoria de que o atentado foi um ataque autoinfligido. “É desrespeitoso, irresponsável e uma interferência na Justiça boliviana”, disse o vice-presidente.

Cerimedo, ex-assessor do partido de Milei, A Liberdade Avança (LLA, na sigla em espanhol), se tornou conhecido no Brasil em 2022.

Após a eleição presidencial daquele ano, o estrategista político, que mantinha relação próxima com o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), divulgou um vídeo no canal do portal La Derecha Diário no YouTube no qual alegou que os modelos mais antigos de urna eletrônica (de 2009, 2010, 2011, 2013 e 2015) tenderiam a registrar mais votos para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva que para Jair Bolsonaro, especialmente em estados do Nordeste. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) negou as acusações.