Moraes concede prisão domiciliar ao pastor Márcio Poncio com tornozeleira eletrônica

12 de Jul de 2026 - 10:15
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Moraes concede prisão domiciliar ao pastor Márcio Poncio com tornozeleira eletrônica

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, determinou a conversão da prisão preventiva do pastor e empresário Márcio Poncio em prisão domiciliar. A decisão foi fundamentada no estado de saúde do investigado e impôs uma série de medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica, a proibição de contato com outros investigados e a entrega dos passaportes.

Márcio Poncio foi preso pela Polícia Federal na última quinta-feira (2), durante a quinta fase da Operação Unha e Carne, que investiga um suposto esquema de pagamentos do jogo do bicho e da chamada "Máfia do Cigarro" a agentes públicos no Rio de Janeiro.

Na decisão, Moraes considerou que o pastor sofre de retocolite ulcerativa grave, já foi submetido à retirada do intestino grosso e do reto e necessita de tratamento médico contínuo. O ministro também levou em conta a gravidez de alto risco da esposa de Poncio para autorizar a substituição da prisão preventiva pela domiciliar.

Além do monitoramento eletrônico, o magistrado proibiu o investigado de manter contato, por qualquer meio, com os demais alvos da investigação, de utilizar redes sociais e determinou a suspensão de eventuais registros de porte de arma de fogo em seu nome, além da entrega dos passaportes.

Pastor da Igreja da Nuvem e empresário, Márcio Poncio é pai da deputada estadual Sarah Poncio (Solidariedade-RJ) e do cantor Saulo Poncio, ex-integrante da dupla UM44K. Segundo a Polícia Federal, ele é investigado por suspeita de ligação com a chamada "Máfia do Cigarro".

Também foram alvos de mandados de prisão na mesma fase da operação o contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, apontado como uma das principais lideranças do jogo do bicho no estado, e o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar, que já estavam presos.

Investigação sobre lavagem de dinheiro

De acordo com a Polícia Federal, a quinta fase da Operação Unha e Carne busca aprofundar as investigações sobre um suposto esquema de lavagem de dinheiro comandado pela atual cúpula do jogo do bicho, além de apurar possíveis ramificações da organização criminosa junto a integrantes dos poderes Executivo e Legislativo do Rio de Janeiro.

A operação é um desdobramento da Operação Fumus, deflagrada em junho de 2021 para investigar o monopólio do comércio ilegal de cigarros na Região Metropolitana do Rio. Na ocasião, a PF apreendeu planilhas que, segundo os investigadores, continham registros de supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e movimentações financeiras relacionadas à lavagem de dinheiro.

Segundo a corporação, os documentos indicavam possíveis repasses de recursos a agentes políticos fluminenses. Conforme apuração da TV Globo, pelo menos 20 políticos passaram a ser investigados por supostamente receber pagamentos periódicos de Adilsinho.

O contraventor foi preso apenas em fevereiro deste ano, em Cabo Frio (RJ), após ser localizado por meio de monitoramento realizado com drones.

Em abril, o ministro do STF Gilmar Mendes afirmou ter ouvido de um diretor da Polícia Federal relatos de que mais de 30 deputados da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) receberiam pagamentos mensais oriundos do esquema do jogo do bicho. As investigações sobre essas suspeitas seguem em andamento e ainda não houve conclusão judicial sobre os fatos apurados.