Irã e EUA voltam a trocar ataques em meio a narrativas sobre novo fechamento de Ormuz
O Irã voltou a atacar alvos ligados aos Estados Unidos em países do Golfo Pérsico neste domingo (12), após sofrer uma nova ofensiva americana.
De acordo com a agência EFE, Teerã anunciou novo fechamento do Estreito de Ormuz, atacando navios que trafegavam por rotas marítimas não autorizadas pelo regime, elevando a tensão no Oriente Médio. Os Estados Unidos, porém, alegam que a passagem estratégica segue aberta.
Em comunicado, a Guarda Revolucionária afirmou ter destruído um centro de comando e controle e hangares de drones na Jordânia, aliado estratégico de Washington.
O Irã também declarou ter atingido um radar americano no Kuwait, plataformas de apoio e reabastecimento de porta-aviões em Omã e uma instalação de manutenção de aeronaves militares no Catar.
Autoridades dos Emirados Árabes Unidos informaram que sistemas de defesa detectaram mísseis e drones lançados pelo Irã, embora tenham confirmado posteriormente que as ameaças estavam fora do espaço aéreo do país. No Bahrein, sirenes de alerta foram acionadas diante da escalada militar.
No Catar, o governo confirmou a interceptação de projéteis iranianos e informou que três pessoas, entre elas uma criança, ficaram feridas por estilhaços. Doha classificou a ofensiva de Teerã como uma “grave escalada” que dificulta os esforços diplomáticos para reduzir as tensões na região.
Segundo a agência estatal jordaniana, três mísseis disparados a partir do território iraniano atingiram áreas do país e provocaram danos materiais leves, sem deixar vítimas.
Irã afirma estar pronto para novos cenários de guerra
O porta-voz militar iraniano Mohammad Akraminia afirmou que as Forças Armadas do regime atualizaram a lista de alvos estratégicos e estão preparadas para qualquer cenário. A declaração ocorreu após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçar lançar mil mísseis contra o Irã caso o país tente assassiná-lo.
“A lista de alvos militares foi atualizada, e o nível de prontidão necessário para qualquer cenário está assegurado. Os americanos fariam bem em acabar com suas intervenções na região”, declarou Akraminia à televisão estatal iraniana.
No sábado (11), o Comando Central das Forças Armadas dos Estados Unidos informou ter atingido 140 instalações militares iranianas, elevando para mais de 300 o número de alvos bombardeados em três noites de ataques.
Segundo Washington, a operação busca reduzir a capacidade iraniana de ameaçar embarcações comerciais que transitam pelo Estreito de Ormuz.
“O Irã fez uma má escolha. Agora está pagando o preço”, escreveu o secretário da Guerra americano, Pete Hegseth, no X.
Navio é atingido próximo ao Estreito de Ormuz
Após os bombardeios americanos, a Guarda Revolucionária do Irã disparou tiros de advertência contra embarcações que teriam desrespeitado ordens militares no Estreito de Ormuz, após o fechamento.
“Várias embarcações tentaram seguir uma rota não autorizada e ignoraram nossos avisos. O Estreito de Ormuz permanecerá fechado até segunda ordem e até a conclusão das operações dos EUA na região”, declarou o órgão militar.
Segundo a agência britânica de segurança marítima UKMTO, um ataque registrado neste domingo ocorreu a cerca de 17 quilômetros da Península de Musandam, em Omã. O incidente provocou um incêndio a bordo de uma embarcação e obrigou a tripulação a abandonar o navio em um bote salva-vidas.
Posteriormente, autoridades omanenses informaram que 23 tripulantes do navio GFS Galaxy foram resgatados. Equipes de busca, contudo, continuam procurando um integrante desaparecido.
Conflito se intensifica após líder iraniano prometer vingança
O acordo assinado entre Estados Unidos e Irã em 17 de junho estabelecia o cessar-fogo e prazo de 60 dias para negociações para o fim da guerra.
Entretanto, desde quarta-feira (8), Trump passou a afirmar repetidamente o fim do acordo. Um dia antes, Washington havia bombardeado alvos iranianos após acusar Teerã de atacar três navios comerciais no Estreito de Ormuz.
A tensão aumentou novamente neste sábado, quando o líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, declarou que a “vingança” contra os Estados Unidos era “inevitável”, após o funeral de seu pai e antecessor, Ali Khamenei, morto por forças americanas e israelenses no início do conflito.
Na sexta-feira, Trump voltou a acusar o Irã de conspirar para assassiná-lo e prometeu “dizimar e destruir completamente” regiões do país caso o regime tente executar qualquer ataque contra sua vida.