Jamais perder de vista o aspecto fascista da Copa que vai começar
Vai começar o maior torneio esportivo do mundo. Um encontro entre culturas e escolas futebolísticas. Serão 104 partidas, 48 seleções, 1248 jogadores convocados. A maior Copa já realizada. Estaremos à frente de um monitor torcendo e secando. Veremos jogos incríveis com toda a certeza. Estádios cheios ou, dessa vez, nem tanto. Para quem ama esse esporte, teremos um mês e meio de alegria pela frente. Com ressalvas.
A Copa está sendo disputada dentro de um país entregue a práticas fascistas. Todas as tecnologias do fascismo, incluídos campos de detenção, estão em operação. Donald Trump é um presidente que se comporta como ditador. Sequestrou a máquina estatal e está num processo de acumulação de riqueza pessoal e para seus cúmplices jamais visto. Guerras coloniais sendo travadas, guerras internas sendo aprimoradas. Corpos negros, corpos femininos, corpos gays, corpos trans, corpos imigrantes estão sob ataque.
Por todos esses motivos, a alegria que o torneio coloca em circulação será restrita. Uma das facetas desse fascismo atual é a forma como o neoliberalismo atua precificando ingressos, hospedagem e tudo o que envolve assistir a uma partida de dentro do estádio. O preço de uma passagem de metrô em NY aumentou obscenamente para ir a um jogo. Estacionar o carro a quatro quilômetros do estádio em Los Angeles vai custar 300 dólares. A FIFA, que fez um pacto com o fascismo, vai lucrar como nunca antes. Mesmo que a Copa seja um fracasso esportivo - existe essa chance - para a FIFA ela já foi um estrondoso sucesso. Quinze bilhões de dólares já estão garantidos em seus cofres, para deleite de um punhado de executivos, todos ou quase todos homens.
Temos que lidar com nossas próprias contradições que dessa vez nos farão gostar de uma Copa mesmo sabendo o que está acontecendo ao seu redor. Podemos? Talvez não, mas o futebol fala mais forte e seremos arrastados. Não perder de vista o aspecto fascista do que está acontecendo é importante. Só assim poderemos manter o olhar crítico. A certeza de que veremos violências fascistas atuando é tão certa quanto a que veremos jogos memoráveis. Como lidaremos com tudo isso? Saberemos daqui a um mês e meio.
Opinião
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