Governo vai negociar setores específicos para ampliar exceções ao tarifaço

3 de Jun de 2026 - 10:45
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Governo vai negociar setores específicos para ampliar exceções ao tarifaço

Com a nova rodada de tarifas impostas a 60 países sob alegação de uso de trabalho forçado, a leitura no governo federal é que os Estados Unidos ainda colocam o Brasil em posição prejudicial. "Não faz sentido o que fazem com o Brasil", diz um assessor que participa das negociações com os americanos. "Cinquenta e nove países terão tarifa de no máximo 12,5%, e o Brasil será taxado em 37,5%", observa.

É uma referência às duas frentes de investigação da seção 301 da Lei de Comércio americana. Na primeira, específica contra o Brasil, a recomendação foi de taxar nossas exportações em 25%, com uma longa lista de exceções, principalmente a alimentos, aeronaves e petróleo. Na segunda frente de investigação, mais genérica, anunciada ontem à noite, 60 países, entre eles o Brasil, foram punidos com tarifas que variam de 10% a 12,5%. O Brasil ficou nessa segunda ala.

Há um reconhecimento que, por um lado, essa nova tarifa ampla de 12,5%, abarcando várias nações, substitui a primeira rodada tarifária de Donald Trump, posteriormente derrubada pela Suprema Corte americana. Desde então, ele adotou um instrumento mais frágil e transitório, a seção 122, que permite a imposição de tarifas globais de 10% durante cinco meses sem a necessidade de aprovação do Congresso. A estratégia foi recorrer a uma investigação a jato e ampla pela seção 301, muito mais abrangente e duradoura, para garantir a política tarifária de Trump, cerne do seu projeto econômico de reindustrializar os Estados Unidos e aumentar a arrecadação.

O governo espera resposta dos americanos para marcar a próxima reunião, mas Jamieson Greer, representante comercial americano, está na reunião da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) em Paris. O chanceler Mauro Vieira também participa desse encontro e se encontrou há pouco nos corredores com Greer. Segundo assessores, o americano se aproximou e cumprimentou Vieira. Fez questão de ressaltar que "há um contato fluido com o Brasil e quer continuar a dialogar". O ministro respondeu, segundo essa fonte, que há disposição em negociar e que os esforços devem se intensificar diante do cenário de novas tarifas propostas pelos Estados Unidos.

A estratégia agora entre os ministros envolvidos nas negociações será debater setores específicos, como o etanol. Até 2017, havia um tratamento preferencial ao biocombustível, que não pagava imposto. Desde então, o Brasil cobra 18% de tarifa sobre o etanol importado dos Estados Unidos, enquanto eles cobram 2,5% do etanol brasileiro. Mas internamente admite-se que a chance maior é ampliar a lista de produtos excluídos de tarifas, e não reverter totalmente as sanções aplicadas ao Brasil.

As negociações continuam ao menos pelos próximos 30 dias.

Reportagem

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