Instituto criticado por promotora nega vínculo com fé evangélica

11 de Jul de 2026 - 23:15
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Instituto criticado por promotora nega vínculo com fé evangélica

Um instrutor e a presidente do Instituto João Gonçalves, responsável pela apresentação de uma coreografia em um evento que acabou em polêmica após uma promotora repreender uma fala sobre Deus, deram mais detalhes sobre o acontecido. A cerimônia aconteceu em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, no último dia 3.

Em um vídeo publicado neste sábado (11), responsáveis por uma apresentação coreográfica de crianças e adolescentes afirmaram que a apresentação foi bruscamente interrompida após a repreensão da promotora Elayne Christina da Silva Rodrigues, que afirmou ser “inconstitucional”uma citação a Deus no evento. Segundo eles, as crianças choraram com o cancelamento no meio da apresentação.

“Não sou evangélico”

O professor Hilbert Diaz, que fez a leitura das palavras com menções a Deus, a poesia “Abraço de Deus” asseverou que não é evangélico e que, ao mencionar Deus, não pretendeu realizar nenhuma vinculação a qualquer congregação cristã.

“Não sou pastor, não sou evangélico! (...) Foi um pensamento, falando de um Deus. Qual Deus? O seu Deus! O meu Deus eu sei qual é, qualquer um dos que estava lá sabia qual era o seu Deus”, declarou Hilbert no vídeo.

De acordo com sua versão, a intervenção do Ministério Público teria interrompido a apresentação de jazz que acontecia no momento da leitura do poema religioso. Diaz afirmou que era um momento de troca de figurino, no qual era necessária a pausa na dança, aproveitada por ele para a mensagem religiosa.

Choro das crianças

A presidente do Instituto João Gonçalves, Sulys Araújo, afirmou que sua filha e outras crianças choraram com a interrupção do número de dança. “Elas acharam que tinham feito alguma coisa errada”, disse Sulys.

As imagens do evento divulgadas até o momento não permitiriam afirmar que o fim da apresentação estava relacionado à interpretação da promotora Elayne, que na ocasião se disse “extremamenre ofendida” pela "oração evangélica" e se retirou do local.

Pessoas que têm familiaridade com o caso afirmaram, sob a condição de anonimato, que a versão de que o cancelamento da coreografia teria relação com a reprimenda da promotora seria verdadeira.

Outro lado

A reportagem da Gazeta do Povo contatou o MPRJ por e-mail e telefone para solicitar o posicionamento da instituição em relação às falas da promotora. No entanto, não recebeu resposta. Uma nova tentativa de contato foi feita neste sábado, sem sucesso.

A Associação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (Amperj) divulgou na semana passada uma nota em que manifesta sua solidariedade à promotora Elayne Christina da Silva Rodrigues.

Elayne é descrita como uma “profissional séria, competente e respeitada, com reconhecida experiência na área da Infância e Juventude, tendo sempre pautado sua atuação pela defesa da ordem jurídica, dos direitos fundamentais e dos interesses sociais indisponíveis”.

A Amperj afirma que a promotora teve por objetivo “afirmar valores constitucionais essenciais” e que o “Ministério Público, por expressa determinação constitucional”, tem como dever “zelar pelo efetivo respeito aos direitos assegurados na Constituição, especialmente quando se trata de crianças, adolescentes e demais grupos em situação de vulnerabilidade”.

De acordo com a Amperj, Elayne não pode ser vítima de “ataques indevidos ou interpretações distorcidas” e que a associação “adotará as providências cabíveis em defesa da colega e da instituição”.