Vorcaro tem depoimento à PF adiado por problema técnico
O depoimento de Daniel Vorcaro à Polícia Federal (PF), previsto para esta quinta-feira (27) foi adiado após problemas técnicos. Por meio de nota, o advogado Daniel Bialski afirmou que "aguardou até agora o restabelecimento do sinal estável para realização da audiência virtual, o que não foi possível".
Na última quinta-feira (20), o banqueiro também teve seu depoimento adiado. O motivo, porém, foi outro. Fontes ouvidas pela Gazeta do Povo afirmaram que a defesa ainda não tinha acesso a todo o material da investigação.
Bialski assumiu a defesa do banqueiro no início do mês, com a missão de tentar reaver a possibilidade de uma delação premiada. José Luis Oliveira Lima, conhecido como Juca, fez parte do início das negociações pela delação, mas deixou a defesa em meio à frustração das tratativas.
O que a PF busca com o depoimento
A PF apura se Vorcaro tentou aliciar e corromper servidores do Banco Central (BC) em troca de informações sigilosas sobre o Banco Master. As mensagens e demais elementos colhidos apontam para propinas milionárias pagas por empresas de fachada, além de transações simuladas de compra de imóveis e pagamento de viagens internacionais, incluindo passeios para a Disney.
A ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária (Desup) Belline Santana e o ex-diretor e chefe-adjunto Paulo Sérgio Neves de Souza são apontados como os ouvidos de Vorcaro. Por meio das mensagens interceptadas, eles teriam orientado o banqueiro sobre ofícios do Master ao BC e ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Relembre a operação Compliance Zero
A instituição foi liquidada em 18 de novembro de 2025, mesmo dia em que seu dono foi preso no Aeroporto Internacional de Guarulhos, quando se preparava para embarcar para Dubai. Até então, as suspeitas pairavam apenas sobre as fraudes no sistema financeiro, com emissão de ativos sem lastro.
Foi o início da Operação Compliance Zero, que já acumula dez fases e afetou nomes como os dos senadores Jaques Wagner (PT-BA) e Ciro Nogueira (PP-PI), além de descobrir relações entre Vorcaro e os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.
À época das descobertas, Toffoli ainda era relator do caso Master. Os achados fizeram com que a Polícia Federal (PF) pedisse a substituição do relator. Em meio à repercussão, a Corte se reuniu e lançou a "Nota oficial dos dez ministros do STF". Além da sinalização no título, o corpo do texto expressava apoio de todos os magistrados ao colega, mas alegava que o próprio Toffoli pediu para deixar o inquérito. Com isso, a ação foi redistribuída para o ministro André Mendonça.
Em março, Mendonça contrariou um parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR) e mandou prender novamente Vorcaro, após a terceira fase revelar um esquema mais estruturado e violento, com ameaças e intimidação a jornalistas e desafetos. Na segunda fase, a tentativa da PGR foi bem sucedida e Toffoli manteve o banqueiro em liberdade. Atualmente, ele está detido no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha.
Prejuízo bilionário ao FGC
Os prejuízos gerados pelas fraudes no Master são estimados em R$ 57 bilhões. Como os serviços incluíam investimentos no CDB, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) foi acionado e arca com ressarcimentos de R$ 46,7 bilhões., divididos em quase 2,5 milhões de registros de pagamento. Somados, Banco Master, Master Investimentos, Letsbank e Willbank respondem por aproximadamente 77% do que o FGC já desembolsou até hoje.
As garantias também são alvo de controvérsia e estiveram entre as investigações. Ciro Nogueira apresentou a chamada "emenda Master", uma tentativa de ampliar a cobertura, atualmente em R$ 250 mil, para investimentos de até R$ 1 milhão. O relatório da PF aponta que a minuta da emenda teria sido redigida pelo próprio Master, como uma tentativa de tornar o investimento mais atrativo, atraindo novas captações. Mesmo depois das revelações, Nogueira reafirmou sua defesa pela ampliação.