UFC Casa Branca: 3º cinturão coloca Poatan no topo da história?

11 de Jun de 2026 - 04:30
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UFC Casa Branca: 3º cinturão coloca Poatan no topo da história?

Durante anos, a discussão sobre o maior lutador da história do MMA pareceu ter donos bem definidos. Anderson Silva, Fedor Emelianenko, Georges St-Pierre e, mais recentemente, Jon Jones ocuparam esse espaço em diferentes momentos. Mas Alex Pereira construiu uma trajetória tão fora da curva que obriga o esporte a revisitar seus próprios critérios de grandeza.

Recentemente, Dana White afirmou que, caso derrote Ciryl Gane neste domingo (14) e conquiste o cinturão interino dos pesos pesados, Poatan passará a ser o maior lutador da história do UFC. A declaração pode soar exagerada, mas também ajuda a dimensionar o que está em jogo.

Afinal, o brasileiro desafia a lógica.

Antes mesmo do MMA, Poatan já era uma lenda do kickboxing. Campeão simultâneo de duas categorias do Glory e único homem a derrotar Israel Adesanya duas vezes na modalidade, ele chegou ao UFC cercado por dúvidas sobre seu grappling, sua defesa de quedas e sua pouca experiência no esporte.

As dúvidas desapareceram rapidamente.

Em menos de dois anos, Alex derrotou Sean Strickland, venceu Adesanya para conquistar o cinturão dos médios e, após perder a revanche, subiu para os meio-pesados. Lá, venceu Jan Blachowicz, nocauteou Jiri Prochazka duas vezes, superou Jamahal Hill e se tornou campeão da categoria.

Tudo isso em ritmo acelerado, aceitando desafios em curto prazo e acumulando vitórias sobre campeões e ex-campeões.

Mas seu impacto vai além dos resultados.

Poatan virou um fenômeno cultural dentro do MMA. O "Chama", a personalidade reservada, os momentos virais e a imagem de guerreiro silencioso transformaram o brasileiro em uma das figuras mais populares do esporte, sem que ele precisasse recorrer às provocações que costumam impulsionar tantos astros da modalidade.

O problema é que qualquer discussão sobre grandeza esbarra inevitavelmente em Jon Jones.

Durante mais de uma década, Bones dominou gerações de lutadores, acumulou vitórias históricas e jamais foi derrotado de forma legítima dentro do octógono. Anderson Silva revolucionou o esporte e protagonizou um dos reinados mais impressionantes da história. Georges St-Pierre construiu uma carreira praticamente impecável. E Fedor continua sendo referência quando o debate envolve legado no MMA como um todo.

Nenhum deles, porém, percorreu o mesmo caminho de Alex Pereira.

Nenhum chegou tão tarde ao MMA. Nenhum fez a transição do kickboxing de elite para o UFC e conquistou cinturões em múltiplas categorias em tão pouco tempo. Nenhum acumulou tantos feitos em um intervalo tão curto.

É justamente esse o argumento de Poatan.

Ele provavelmente nunca terá a longevidade de Anderson, GSP ou Jon Jones. Mas a discussão sobre o GOAT nunca foi apenas uma questão de números. Ela também envolve a dificuldade do caminho percorrido, a qualidade dos adversários, o impacto gerado e o quão único foi o que aquele atleta realizou.

Se vencer Ciryl Gane e conquistar o cinturão interino dos pesos pesados neste domingo, Alex Pereira não encerrará o debate sobre quem é o maior de todos os tempos. Talvez nem se torne consenso nessa discussão.

Mas haverá algo impossível de contestar: ele terá construído uma sequência de feitos sem paralelo na história do UFC.

Nesse caso, talvez a pergunta deixe de ser se Poatan merece estar na conversa dos maiores. A pergunta passará a ser outra: quem já fez algo parecido?

Opinião

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.