Será mesmo o fim da era Messi na Argentina e no futebol?

20 de Jul de 2026 - 14:15
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Será mesmo o fim da era Messi na Argentina e no futebol?

É muito provável que sim, porque na próxima Copa ele terá 43 anos e acredito que não irá se expor sem necessidade.

Mas fico imaginando a festa que será feita na sua despedida da seleção argentina, porque ele é merecedor.

Em 8 de julho de 1971, o Brasil todo assistiu a Pelé se despedir da seleção brasileira para um público de mais de 140 mil pessoas no Maracanã.

O Rei só jogou o primeiro tempo no amistoso contra a Iugoslávia, que empatou por 2 a 2, com gols de Rivellino e Gérson.

No intervalo, foi carregado por uma multidão, dando a volta olímpica com o imenso público gritando: "FICA", "FICA", "FICA".

Lionel Messi também merece se despedir em Buenos Aires, no Monumental de Núñez lotado, mas não gritando "FICA", mas sim "GRACIAS", "GRACIAS".

Ficaram anos sem vencer nada mesmo com ele em campo e, em 2016, desabafou dizendo que aquilo não era para ele, mas mudou de ideia para fazer história.

Duas Copas América, inclusive a de 2021, no Maracanã, e três finais de Copas do Mundo, venceu uma em 2022, em uma final espetacular contra a França.

O que será do futebol argentino pós-Messi?

Quanto mais rápido se desligar e começar a montar um time sem ele, mais rápida será a reconstrução.

Messi fez o mundo aplaudi-lo de pé centenas de vezes em todos os estádios por onde passou.

Cansou de ser campeão e artilheiro no Barcelona.

Ganhou diversas Bolas de Ouro e o prêmio The Best da Fifa.

Foi reconhecido por todos os grandes craques do passado como um dos maiores de todos os tempos, só atrás do Rei Pelé.

O mais provável substituto desse reinado é o francês Kylian Mbappé, que termina esta Copa como o único jogador da história a ser artilheiro em duas Copas consecutivas e se transformando no maior artilheiro de todas as Copas do Mundo com 22 gols.

Também já foi campeão em 2018, na Rússia, como um dos protagonistas, ainda bem jovem, e escolhido como o melhor jovem daquela Copa.

Claro que existem outras promessas que, com o amadurecimento, podem rivalizar com ele, mas o pós-Messi está em suas mãos, pés e cabeça; ou seja, está com ele.

Outros caras que fizeram história no futebol nas últimas décadas estão saindo de cena, como Sadio Mané e Mohamed Salah, mas talvez eles possam arriscar mais uma Copa, embora os dois venham a ter 38 anos na próxima Copa.

Nasci em 1963 e peguei a genialidade do Rei Pelé na sua parte final, que já foi extraordinária desde a Copa de 1970 até sua despedida definitiva no Cosmos, em 1977, nesse mesmo estádio da final entre Espanha por 1 a 0 sobre a Argentina.

Assisti ao vivo, pela TV, Pelé dizer "LOVE, LOVE, LOVE".

E ontem vi no telão do estádio MetLife essa imagem que fez o estádio todo repetir com ele: "Love, Love, Love", parecendo que aquilo estava acontecendo ontem e não há 49 anos.

São as despedidas dos grandes gênios da bola.

Vi Ronaldo, Ronaldinho, Rivaldo e Romário, que foram campeões do mundo, começarem e terminarem.

Assim, fui contemporâneo de Maradona e tive a felicidade de jogar contra ele por seis anos e jogarmos juntos uma partida de festa no Carnaval de Veneza de 1988.

E vi tantos outros da mesma época que a minha, mas também antes e depois, como destaquei acima.

O futebol mundial demorará um tempo para assimilar que o grande gênio da bola das últimas décadas está prestes a se despedir.

Mas como recordação dos seus últimos atos teremos na memória os últimos dez minutos da semifinal contra a Inglaterra, na qual ele foi simplesmente magnífico no que fez.

Vamos entrar numa nova era do futebol mundial com a expectativa de que mais gênios da bola surjam para encantar os apaixonados mais jovens.

Opinião

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.