Presidente atacada, frustração geral, protestos: México-26 repete Brasil-14

10 de Jun de 2026 - 18:15
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Presidente atacada, frustração geral, protestos: México-26 repete Brasil-14

Estamos no México, em 2026. Mas qualquer semelhança com o Brasil de 2014 não é mera coincidência. Às vésperas do início da Copa do Mundo, o país vive uma convulsão social que acua a presidente Claudia Sheinbaum, bloqueia avenidas e faz o "clima de Copa" ser muito mais um ambiente de tensão e dúvidas do que de plenitude e comunhão com o esporte.

No Brasil, os protestos foram mais fortes na Copa das Confederações de 2013, mas o sentimento foi carregado para a Copa. Remoções e desocupações para que fossem realizadas obras prometidas para aquele Mundial geraram manifestações pontuais. Em maio de 2014, um adesivo com os dizeres "não vai ter Copa" foi colado por manifestantes no ônibus que levava a seleção brasileira. Alguns dias antes de abertura, no estádio de Itaquera, a avenida Radial Leste chegou a ser ocupada por pessoas que eram contra a realização do mundial. Brasília e Belo Horizonte também conviveram com protestos.

A bola rolou e os movimentos desapareceram do noticiário como em um passe de mágica. A presidente Dilma Rousseff recebeu vaias na abertura do torneio, em São Paulo, depois seria reeleita em outubro, mas sofreria impeachment em 2016.

As semelhanças com Claudia Sheinbaum não são poucas. Claudia, ex-prefeita da Cidade do México, foi eleita na esteira da popularidade do ex-presidente Andrés Manuel López Obrador - era vista como uma gestora, uma pessoa técnica para seguir o trabalho do "mentor".

Depois de dois anos de governo, enfrenta várias crises. Uma greve geral de professores, insatisfação de outros setores e servidores e a indignação das mães dos mais de 130 mil desaparecidos que o país, assolado pela violência dos cartéis de drogas, tem no momento.

Os protestos ganham corpo e tamanho com linhas mais subjetivas e generalizadas. "Contra a corrupção, contra tudo isso que está aí", como o Brasil vivenciou entre 2013 e 2016, com a Copa no meio.

"Querem dar uma ideia de que há um caos, de que há problemas neste evento que estamos preparando há tanto tempo. Não tenho provas, mas digo que os extremos estão juntos (extrema esquerda e extrema direita) e querem difundir a ideia de que o México está em crise social", declarou a presidente Sheinbaum.

Na véspera da abertura da Copa do Mundo, a polícia estabeleceu um cordão de segurança em torno do estádio Azteca. Não houve confrontos com os manifestantes e a contenção policial não tem sido violenta nos dias que antecedem o jogo entre México e África do Sul. Mas, de fato, avenidas foram fechadas e houve distúrbios em outras partes do país, não só na capital.

"Está tudo sob controle", garantiu a presidente nesta quarta-feira. "Todos que têm ingressos vão chegar. Só existe uma recomendação, que é sair cedo de casa".

Ao contrário de Dilma em 2014, Claudia não irá à abertura do estádio. Os analistas políticos locais entendem que a decisão foi tomada para evitar uma reação popular negativa. Ela deu o ingresso 001 do Mundial simbolicamente para Yolett Cervantes Cuaquehua, 21 anos, de origem indígena, que ganhou um concurso que impulsionava o talento feminino e a cultura no México.