Por que é tão difícil para o Palmeiras criticar Abel?

13 de Ago de 2026 - 15:00
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Por que é tão difícil para o Palmeiras criticar Abel?

O Palmeiras voltou a jogar mal contra o Cerro Porteño, no empate em casa que tornou dramática a situação alviverde na Libertadores. Em uma chave mais acessível e diante de um adversário que costuma vencer, o clube pode estar diante de uma eliminação precoce e traumática. É claro que pode também se classificar com tranquilidade, ou de forma heróica, como fez contra a LDU no ano passado. Nada muda o fato de que o time não está bem.

Alguns colegas reportaram hoje que internamente entende-se que a equipe atuou bem, só não conseguiu converter em gols as diversas chances criadas (detalhes). Já me parece uma análise generosa com o elenco, que dirá com Abel Ferreira. Culpar falhas individuais é, na prática, eximir o treinador. E é difícil eximir um treinador que, com o segundo maior orçamento do Brasil, não consegue desempenhar um bom futebol há meses e venceu seu último grande título em 2023.

Não estou dizendo que ele é a raiz de todos os problemas e que demiti-lo seja a solução. O que soa contraditório é a proteção que o Palmeiras acha necessário dar a alguém que já tem toda a proteção. Nenhum outro técnico no país desfruta da estabilidade empregatícia de Abel. A presidente Leila Pereira deixou claro diversas vezes que ele só sai se quiser. Se ele é tão genial a ponto de merecer tamanho voto de confiança, por que não equiparar o enaltecimento com a responsabilidade?

O maior técnico da história da instituição certamente pode sobreviver a críticas internas. O português deveria, inclusive, assumir publicamente a parte que lhe cabe neste latifúndio de escassez. Dá para criticar arbitragem, adversário que desce o sarrafo sem levar cartão (recomendo a leitura ), calendário, erros individuais, lesões, o sol e a lua, mas nem todos esses fatores somados com contratações questionáveis explicam a atual falta de inspiração.

Abel pode até aproveitar a liderança do Brasileirão e a sobrevida nas copas para dizer que está mal, pero no mucho. E que, entendendo sua importância, vai trabalhar para corrigir os próprios erros, como o imenso profissional que é.

Já estão todos grandinhos para assumir seus vacilos, ainda mais sabendo que o emprego estará garantido no dia seguinte.

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Opinião

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.