Por autonomia em fertilizantes, Lula e Petrobras anunciam R$ 72,5 bi em SE
O presidente da República, , anunciou hoje investimentos da Petrobras em Sergipe da ordem de R$ 72,5 bilhões, como parte da estratégia do governo de reduzir a dependência do país de importações de petróleo e derivados, que ficaram mais caros e tiveram fornecimento reduzido por causa de guerras no exterior.
O que aconteceu
Investimentos da Petrobras vão reduzir dependência do país das importações. O presidente da República, disse que os projetos da petroleira em Sergipe fazem parte da política do atual governo de aumentar a produção interna de petróleo e derivados. Objetivo é reduzir risco de falta de fornecimento que o país enfrentou, por exemplo, com as guerras entre Rússia e Ucrânia, após 2022, e, agora, com o conflito entre Estados Unidos e Irão, no Oriente Médio.
A Fafen [Fábrica de Fertilizantes e Nitrogenados de Sergipe] poderia estar produzindo. Mas a elite nunca deu importância a fertilizantes. Se desse, a gente era autossuficiência. Eles [a elite] preferiram importar porque era barato. Aí veio a guerra da Ucrânia. Aí veio a guerra no Oriente Médio. Presidente Lula, Presidente da República
Presidente Lula repetiu que a Petrobras vai continuar investindo para aumentar autonomia brasileira em energia. Como disse , Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o governo tem na petroleira uma forma de ampliar investimentos no país, para gerar emprego e renda, defendendo políticas que incluam as estatais.
Falta da BR distribuidora reduz capacidade do governo para evitar reajustes de preços por causa do preço do petróleo no exterior. O presidente Lula também destacou que se a rede de postos de combustíveis que pertencia à Petrobras não tivesse sido vendida para a iniciativa privada, o país teria mais capacidade de controlar repasses de custos para o consumidor.
Se a BR estivesse na nossa mão, a gente não estava passando o aperto que está passando por causa da guerra. Presidente Lula
Investimentos da Petrobras em Sergipe incluem exploração de petróleo e produção de fertilizantes. Do total anunciado, mais de R$ 60 bilhões estão voltados ao desenvolvimento do projeto Sergipe Águas Profundas (SEAP), com duas plataformas de exploração, que abre nova fronteira para a produção de óleo e gás no Nordeste.
Recursos estavam previstos no Plano de Negócios 2026-2030 da petroleira. Parte dos aportes vai para o descomissionamento de 26 plataformas em águas rasas, processo que inclui a paralisação da produção, retirada de estruturas e equipamentos, vedação de poços e recuperação ambiental das áreas. "Essa etapa é de nossa responsabilidade. Em última análise, estamos falando de dois mil empregos que vão ser gerados" disse a presidente da Petrobras, Magda Chambriard.
Sergipe vai se tornar maior produtora de petróleo no Nordeste. Durante o evento, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, disse que o estado vai chegar a essa posição após a entrada em operação das duas plataformas previstas para a região nesse projeto, que vão ter capacidade de produzir 200 mil barris de petróleo por dia, além de 22 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia.
Outra parte dos investimentos vai para a retomada da produção na Fafen-SE. A Fábrica de Fertilizantes e Nitrogenados de Sergipe vai atender 7% do consumo brasileiro de ureia, segundo a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, com aporte de R$ 38 milhões de investimentos da estatal nesse quinquênio. "Essa gestão não gosta de vender nem de deixar seus ativos hibernados", disse.
Petrobras projeta atender 20% da demanda nacional de fertilizantes nitrogenados. A executiva disse que essa meta será atingida com o fornecimento das unidades de Sergipe, da Bahia e do Paraná.
Unidades do Nordeste voltaram a operar em janeiro deste ano. Em Sergipe, a unidade, que já vinha produzindo amônia desde 31 de dezembro, iniciou a produção de ureia em 3 de janeiro. Já a fábrica da Bahia teve a manutenção concluída no último mês de 2025. Juntas, as duas plantas vão produzir amônia, ureia e ARLA 32 (Agente Redutor Líquido Automotivo), com geração de 1.350 empregos diretos e 4.050 indiretos, segundo a Petrobras.
Petrobras estuda ampliar capacidade das fábricas de fertilizantes. Durante o evento, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, disse que a empresa estuda a projetos de investimentos para ampliar as unidades produtoras que estão sendo reabertas para atender toda a demanda brasileira de fertilizantes.
Novas unidades vão aproveitar áreas das fábricas em Sergipe, Bahia e Mato Grosso do Sul. Segundo a executiva, as unidades que já funcionam nesses estados têm condições para que a capacidade de produção de suas fábricas sejam dobradas.
Petrobras planeja atender 75% da demanda brasileira de fertilizantes nitrogenados. Esse patamar será atendido no atual plano quinquenal, até 2030; a autossuficiência viria depois, disse Magda Chambriard.
Aumento da produção de gás natural viabilizou fábricas de fertilizantes. Magda Chambriard disse que a produção da Petrobras subiu de 29 milhões de metros cúbicos de gás natural para um patamar de 50 milhões de metros cúbicos. Esse aumento de oferta, afirmou, permitiu a queda de preço do insumo e, assim, viabiliza economicamente a produção das unidades de fertilizantes.
Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados de Sergipe, localizada no município de Laranjeiras, tem capacidade de produzir 1.800 toneladas por dia de ureia. Na Bahia, a planta que fica em Camaçari, pode produzir 1.300 toneladas por dia de ureia, o que corresponde a 5% do mercado nacional. A operação da Fafen-BA contempla também os Terminais Marítimos de Amônia e Ureia no Porto de Aratu, na cidade Candeias.
Dependência externa
Política de privatização do governo anterior ampliou dependência externa do Brasil. Desde que a Petrobras passou a encerrar fabricação de fertilizantes, em 2016, e fechar ou arrendar suas fábricas nos anos seguintes, o Brasil passou a depender cada vez mais da importação do fertilizante do exterior. Mais de 80% da demanda local vem de fora.
Guerras no exterior expuseram Brasil ao risco de desabastecimento. As importações foram prejudicadas primeiro pelo conflito entre Rússia e Ucrânia, desde 2022, na . Agora, a do Irã, da Arábia e de Omã, de onde vem cerca de 10% do consumo brasileiro desses insumos.