Golpes usam IA para criar exames e vídeos de gravidez falsa
Golpes de gravidez falsa com IA usam imagens, exames e vídeos manipulados para enganar parceiros e familiares. Casos e especialistas ouvidos pelo tabloide britânico Mirror mostram como ferramentas digitais tornam a fraude mais convincente.
O que você precisa saber
Testes de gravidez falsamente positivos e ultrassons personalizados já eram vendidos na internet antes da popularização da IA generativa. Agora, programas de IA como Midjourney, Stable Diffusion, DALL-E 3 e Luma também criam fotos de gestantes e vídeos que simulam movimentos na barriga.
Essas ferramentas produzem imagens a partir de instruções escritas e podem criar cenas com aparência realista em poucos segundos. O professor de cibersegurança Abdullahi Arabo, da Universidade do Oeste da Inglaterra, em Bristol, afirma que regular esses recursos é cada vez mais difícil porque a tecnologia avança mais rápido que as regras.
Vídeos gerados por IA podem apresentar sinais de manipulação, embora a qualidade esteja em evolução. O especialista cita expressões faciais pouco naturais, movimentos estranhos do corpo e falta de sincronia entre lábios e fala como possíveis indícios.
Simular uma gravidez pode estar ligado a necessidades psicológicas ou traumas, afirma a consultora em psicologia Sandra L. Wheatley. Ela diz que algumas pessoas buscam atenção e validação, enquanto outras podem tentar impedir o fim de um relacionamento.
Casos de gravidez falsa no Reino Unido
Kira Cousins, de 23 anos, simulou uma gravidez e um parto para parentes, amigos e o então parceiro, Jamie Gardner. Ela publicou ultrassons falsos, organizou um chá de bebê e teria usado um vídeo criado por IA para mostrar um bebê se mexendo em sua barriga.
Cousins anunciou o nascimento de uma menina chamada Bonnie-Leigh Joyce, mas usava uma boneca de plástico realista como recém-nascida. A farsa veio à tona depois que crianças que estavam no carro dela viram a boneca no banco traseiro e avisaram a mãe.
Em outro caso, Libby Vernon enganou um homem com duas supostas gravidezes, incluindo uma de gêmeos. Ela enviou fotos, documentos e exames falsos, alegou a morte de uma filha e acabou descoberta no hospital, onde funcionários identificaram uma barriga falsa.
Vernon admitiu dez acusações, entre elas o envio de comunicações falsas para causar dano e de uma certidão de óbito falsa. A Justiça britânica a condenou a seis meses de prisão e determinou uma ordem de restrição por dois anos.