Brasil adota 'modelo Gripen' para computadores da IA de China e EUA
(Toda semana, e conversam sobre tecnologia no podcast. O programa vai ao ar às terças-feiras no, no, no e no. Nesta semana: ; ; ; )
O governo Lula quer adotar um "modelo Gripen" para os supercomputadores de inteligência artificial vindos dos Estados Unidos e da China, conta no novo episódio de , o podcast do UOL para os humanos por trás das máquinas, que trata de como a estratégia ganhou forma após viagem à China de servidores para participar da conferência de IA em Xangai.
A aposta, segundo os apresentadores, é reduzir o risco de depender de um único fornecedor —hoje, a norte-americana Nvidia— num cenário em que controles de exportação e disputas geopolíticas podem cortar o acesso a infraestrutura de computação essencial ao treinamento e operação de modelos de IA.
O que o governo quer fazer ao comprar esses dois supercomputadores, tanto dos Estados Unidos quanto da China, é criar um modelo Gripen da IA. Ou seja, eles não vão só comprar a máquina, instalar aqui e deixá-la rodando. Eles querem que as empresas que ganhem esses editais transfiram tecnologia. Não quer dizer transferir a arquitetura do chip, mas várias outras tecnologias envolvidas num supercomputador de IA: a forma como os sistemas rodam, o software, a formação de pessoal, formar pessoas para desenhar chips e semicondutores. Todo o stack de um supercomputador de IA pode ser transferido para o Brasil.
Helton Simões Gomes
Na semana passada, o governo federal anunciou que destinará R$ 1 bilhão para a compra de um supercomputador de IA e fechou uma parceria no valor de R$ 1,2 bilhão para capacitar pessoas e treinar modelos de IA com outra infraestrutura. A primeira máquina provavelmente será equipada com chips da Nvidia. E a segunda, visto que as parceiras são as chinesas Huawei e iFlytek, deve ser o Atlas SuperPod.
Helton diz que o plano passou a prever duas compras após a delegação brasileira participar da conferência em Xangai. Segundo ele, a ministra Luciana Santos afirmou que a mudança altera o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, que antes pretendia comprar um grande computador.
O Brasil voltou de lá e decidiu comprar duas máquinas, uma americana e uma chinesa. Por enquanto, a certeza é que o computador a ser comprado vai ser da Nvidia. A forma como essa compra vai ser dada vai ser por meio de edital: eles vão contratar uma empresa que vai comprar da Nvidia em escala global e trazer o equipamento para o Brasil.
Helton Simões Gomes
relata que viu o lançamento do Atlas na feira e que a apresentação atraiu representantes de vários países interessados em entender a alternativa chinesa. Para ele, a diversificação não elimina a dependência externa, mas diminui o risco de ficar preso a um único caminho.
Foi um lançamento interessante: a Huawei se coloca como uma tecnologia com viabilidade técnica para suprir necessidades que antes eram supridas somente pela Nvidia. O Brasil faz um movimento correto, que é descentralizar a dependência. A gente não está eliminando a dependência, mas diversifica. Depender só da Nvidia é um risco estratégico de fato. E você cria um canal com a China.
Diogo Cortiz
O professor ressalta que o Atlas ainda não tem a mesma capacidade técnica das soluções da Nvidia, mas a China construiu sua alternativa em pouco tempo e usando soluções criativas para isso.
O Atlas não está numa mesma capacidade técnica da Nvidia, não é a mesma coisa. Os chineses falam que não é a mesma coisa ainda. Mas eles conseguem ir por outros caminhos. Você precisa processar, compartilhar dados muito rápido entre as GPUs e ter memória. O Atlas coloca tudo isso junto num supercomputador e traz um ganho de eficiência. Quando a gente olha para o filme, a gente vê que a Huawei está avançando muito rápido. Numa janela de médio e longo prazo, o Brasil pode estar criando um caminho interessante de sustentabilidade por diversidade de acesso à tecnologia.
Diogo Cortiz
Helton afirma que nem o governo Lula trata a máquina chinesa como "ponta de linha do mundo", mas como o melhor equipamento disponível na China hoje.
Para Diogo, a estratégia pode ajudar o Brasil a desenvolver modelos menores e mais localizados, com rodagem e customização em infraestrutura nacional, sem a ambição de competir "de igual para igual" com Estados Unidos e China. Já Helton diz que a lógica de exigir contrapartidas e formar especialistas busca "vacinar" o país contra as intempéries da geopolítica e os efeitos de monopólios.
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DEU TILT
Toda semana, e conversam sobre as tecnologias que movimentam os humanos por trás das máquinas. O programa é publicado às terças-feiras no e nas. Assista ao episódio da semana completo.