F1 - Nem Pérez, nem Tsunoda: Como Hadjar tem resolvido o maior enigma da Red Bull
Metade da temporada da Fórmula 1 se passou e há um piloto de quem pouco se fala e, embora possa parecer estranho, é o melhor elogio que Isack Hadjar poderia receber. Durante anos, o segundo assento da Red Bull foi um enigma, mas, por agora, o francês está se encaixando nos parâmetros esperados em Milton Keynes estando apenas no seu segundo ano na categoria. Leia também:
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Se voltarmos no tempo cerca de um ano, o destino de Yuki Tsunoda após poucos meses na Red Bull já parecia traçado. O japonês havia assumido a vaga de Liam Lawson em uma última tentativa da equipe de reverter a "maldição" do segundo assento, uma crise que começou com a espiral negativa de Sergio Pérez em meados de 2023. Mantendo sua tradição, a equipe de Milton Keynes optou por soluções caseiras. No entanto, a promoção de Lawson se provou precipitada pela falta de experiência na F1, durando apenas duas corridas. O ciclo de Tsunoda seguiu um roteiro parecido: durou menos de uma temporada e abriu espaço para a chegada de Isack Hadjar. Que o francês estava destinado à vaga ao lado de Max Verstappen já era evidente. Contudo, uma segunda metade de temporada particularmente convincente, coroada com um pódio em Zandvoort, consolidou de vez o seu espaço e o fez vencer a disputa interna. Isack Hadjar, Red Bull Racing Foto di: Guido De Bortoli / LAT Images via Getty Images
É inegável que o RB22 é um carro bem diferente de seus antecessores. O novo regulamento aumentou a diferença de performance entre os pelotões do grid, o que ajuda a equipe a não ficar presa no tráfego intermediário, salvo em raras exceções. Os números provam a consistência de Hadjar: em 11 corridas disputadas, ele pontuou em oito, terminando no top 6 em sete delas. Abandonos de adversários e circunstâncias de corrida ajudaram em provas como Barcelona e Canadá? Sim. Porém, o francês está entregando exatamente o que a Red Bull exige. A missão de Hadjar não é bater Verstappen, mas sim garantir pontos vitais para o mundial de construtores e se manter os tempos próximos aos do holandês, exatamente o que Pérez, Lawson e Tsunoda falharam em fazer. Historicamente, o time exige uma diferença máxima de três décimos na classificação entre seus pilotos. Na média desta primeira metade de temporada (mesmo considerando problemas técnicos e punições de grid, como na Bélgica), Hadjar está a cerca de dois décimos de Verstappen. Uma margem que se encaixa perfeitamente na janela desejada em Milton Keynes. Isack Hadjar, Red Bull Racing Foto di: Sam Bagnall / Sutton Images via Getty Images
Além do ritmo, o francês mostrou estar pronto para assumir a responsabilidade nas raras ocasiões em que Verstappen enfrentou problemas. Na Austrália, por exemplo, o tricampeão caiu no Q1 por uma falha técnica, e Hadjar cravou um excelente terceiro lugar no grid, sendo parado apenas por uma quebra de motor durante a corrida. O cenário se repetiu em Mônaco. Max abandonou cedo devido a um problema na unidade de potência, mas o francês superou falhas técnicas do próprio carro para garantir um lugar no pódio, um resultado que ainda depende do julgamento de um recurso da McLaren e Red Bull contra a Alpine, mas que não diminui o brilho da sua performance. Contudo, foi em Spa que Isack entregou, provavelmente, sua obra-prima. Largando em 21º após uma troca de motor, o francês fez uma prova de recuperação impecável, terminando em sexto com um ritmo fortíssimo que rendeu elogios expressivos do chefe de equipe, Laurent Mekies. Esteban Ocon, Haas F1 Team, Isack Hadjar, Red Bull Racing Foto di: Steven Tee / LAT Images via Getty Images
"Sem dúvida, foi a melhor corrida dele conosco. E não é apenas um pico isolado de performance. Ele tem melhorado a sua velocidade um pouco a cada corrida. Na Bélgica, ele deu mais um passo à frente, pois foi muito rápido desde o primeiro treino livre", exaltou Mekies. A temporada, no entanto, não é isenta de falhas. Em Miami, por exemplo, Hadjar pagou caro por um erro no início da prova, embora a situação tenha sido agravada por ter largado do fundo do grid após uma desclassificação causada por um erro da própria equipe. O piloto reconhece que a gestão de corrida é sua principal área de desenvolvimento, já que Verstappen ainda sobra na leitura e no ritmo de prova. "Para dizer a verdade, não estou surpreso com o meu desempenho neste ano. Simplesmente pilotei em um nível muito alto, decididamente melhor do que no ano passado. O que é normal, já que é minha segunda temporada", avaliou Hadjar. "Eu diria que Max é realmente impressionante em corrida. Acho que o meu ritmo de classificação tem sido muito bom, mas a forma como ele gerencia as provas está em outro nível. É nisso que estou focado e trabalhando." Oficialmente, o francês ainda não tem vaga garantida para o próximo ano. No entanto, os elogios públicos da cúpula da Red Bull indicam que Hadjar está no caminho certo para assegurar sua renovação, de olho em 2027. É um sinal encorajador para ambos os lados, encerrando uma longa sequência de anos em que a equipe chegava ao fim do campeonato com mais dúvidas do que certezas sobre quem deveria ser o companheiro de Max Verstappen. Kimi é o MELHOR do ano? Qual o PIOR? E BORTOLETO? Nicolas Costa conta CAUSO na casa de DONO da GLOBO
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