Dólar cai a R$ 5,06 e Bolsa fecha em baixa, após IPCA ficar acima da meta
O dólar fechou a sexta-feira cotado a R$ 5,06, baixa de 0,77% no dia e de 1,8% na semana. Na Bolsa, o índice das ações mais negociadas Ibovespa voltou a cair, mantendo o viés negativo predominante no mês. A sessão foi influenciada pela divulgação do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de maio, que voltou a superar o teto da meta perseguida pelo Banco Central no acumulado em 12 meses, impactando apostas nos juros.
O que aconteceu
Dólar fecha sessão com variação negativa. Após abertura negativa, a moeda americana firmou tendência de queda e fechou cotada no a R$ 5,062, baixa de 0,77% no dia.
Na semana, dólar recuou 1,8%. A variação foi ampliada na quinta-feira, quando a divisa americana recuou 1,37%, após publicação do presidente dos Estados Unidos, .
Ibovespa falha em firmar reação. Depois da alta de 1,7% na quinta-feira, o principal índice do mercado acionário brasileiro volta a cair nesta sexta-feira. No fechamento, o indicador cedeu 0,21%, a 171.133 pontos. O Ibovespa apura ganho de 1,2% na semana, mas no acumulado de junho tem variação negativa de 1,6%.
Bolsa brasileira depende dos estrangeiros para recuperar ciclo positivo. O menor fluxo dos aplicadores internacionais, que respodem por 60% dos negócios na B3, prejudica as compras de ações no Brasil, afirmam profissionais de mercado. Desde 14 de abril, o índice recua mais de 15%, período em que o saldo líquido dos estrangeiros ficou negativo em mais de R$ 15 bilhões.
A saída reflete uma combinação de fatores externos e domésticos, como realização de lucros após a forte valorização dos ativos brasileiros nos primeiros meses do ano, migração parcial de recursos para mercados desenvolvidos ante da manutenção de juros elevados nos Estados Unidos e o aumento da cautela dos investidores globais em relação ao cenário fiscal brasileiro. Einar Rivero, sócio fundador da Elos Ayta
Indicador de inflação impacta apostas nos juros. A variação de 0,58% do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) em maio, divulgada hoje pelo IBGE, superou as expectativas do mercado financeiro (0,48%) e fez o indicador acumular alta de 4,72% nos últimos 12 meses, maior patamar desde setembro do ano passado (5,17%). É a primeira vez em sete meses que a , teto da meta perseguida pelo Banco Central.
Com o preço do petróleo abaixo flertando com os US$ 90, a principal fonte de pressão para a inflação passa a ser alimentos, especialmente se o acordo entre Irã e Estados Unidos garantir a reabertura do Esstreito de Hormuz. Nesse sentido, esperamos que a inflação de alimentos continue pressionada, tendo em vista que o El Niño. André Valério, economista sênior do Inter
Por um lado, houve recuo no nível de preços dos combustíveis, mas as preocupações com o preço dos alimentos, crescem à medida que a produção é impactada por questões climáticas. O período de seca também elevou a tarifa de energia elétrica para a bandeira amarela, encarecendo a conta de luz. Sérgio Samuel dos Santos, economista do Sistema Ailos
Cenário ameaça futuras decisões sobre a taxa Selic. Com a inflação novamente acima do limite de tolerância de 1,5 ponto percentual para a meta de 3% (de 1,5% para 4,5% em 12 meses), o futuro do ciclo de queda da taxa básica de juros vira uma incógnita para os analistas do mercado financeiro.
O dado reforça a necessidade de cautela na avaliação dos próximos passos da política monetária. Rafael Rondinelli, economista da MAG Investimentos
Apostas nos juros mostra incerteza de agentes de agentes de mercados. No próximo encontro do Copom (Comitê de Política Monetária), o Banco Central se reúne nos dias 16 e 17 de junho para definir a Selic, atualmente em 14,50% ao ano. A expectativa de que o órgão vai reduzir, pela terceira vez seguida, a taxa em 0,25 ponto percentual, que já foi a aposta de 74% das posições de investidores que atuam nos , chega às vésperas da reunião em 49%. Já o grupo dos que esperam manutenção da Selic subiu a 44%, ante 24% antes.
A inflação e a média dos núcleos seguem acima da meta em doze meses, reforçando a necessidade de uma política monetária contracionista. Nossa expectativa é de que o Banco Central realize mais um corte de 0,25 ponto percentual na reunião de junho e interrompa o ciclo de corte. Gabriel Pestana, economista-sênior da Genial Investimentos
Cotação do petróleo recua abaixo de US$ 90. Às 17h, os contratos de Brent, referência internacional para o combustível, com entrega prevista para agosto, recuavam 3,5%, para US$ 87,24 por barril, menor valor intradia em três meses. Só nesta semana, o contrato caiu 6%.
Paquistão disse que texto final do acordo de paz entre Estados Unidos e Irã foi alcançado. O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, anunciou hoje que entre os Estados Unidos e o Irã.O recuo dos preços é justificado principalmente pela expectativa mais firme de entendimento entre Estados Unidos e Irã ao longo dos próximos dias. Vale destacar, entretanto, que o Irã afirmou que nenhum acordo foi efetivamente consolidado. Assim, o mercado segue em compasso de espera, mas já trabalha com maior otimismo. Bruno Cordeiro, analista de inteligência de mercado da Stonex