Corinthians toma decisão certa com Memphis e futebol precisa cair na real

11 de Ago de 2026 - 17:30
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Corinthians toma decisão certa com Memphis e futebol precisa cair na real

O Corinthians tomou uma decisão certa e que se revelou mais difícil do que deveria ao encerrar as negociações pela renovação contratual com Memphis Depay. A realidade do clube é absolutamente incompatível com fechar um contrato de R$ 3 milhões mensais com um jogador de 32 anos, um gol e uma assistência na temporada.

O alvinegro luta para se reestruturar em meio a uma crise financeira e institucional enorme. Hoje, segue um Regime Centralizado de Execuções - uma fila de credores com um plano estruturado para pagamento de R$ 190 milhões. A dívida total do clube é bem maior, em torno de R$ 2,7 bilhões.

Enquanto luta para equacionar a fila e pagar uma pequena parte da sua dúvida, o Corinthians é frequentemente alvo de novas execuções. A título de exemplo, pouco antes da Copa do Mundo apresentou uma nova cobrança de R$ 3,7 milhões, originada em um empréstimo feito ao clube.

A dívida de Garcia provavelmente ficará fora do RCE, e seguirá para cobrança judicial - a Laspro, administradora do plano de pagamento, peticionou a Justiça afirmando que é uma cobrança posterior à formação do plano e deve seguir separadamente.

Há outros credores do Corinthians que tentam, na Justiça, fazer com que suas cobranças corram fora do Regime de Execuções. Na prática, cobranças fora do RCE têm a possibilidade de penhorar e congelar recursos do alvinegro - talvez alguns do que poderiam ser prometidos a Memphis.

Com jogadores de grande repercussão, sempre surge a ideia de viabilizar financeiramente contratos monumentais por meio do apoio de parceiros e patrocinadores. O futebol brasileiro coleciona exemplos de fracassos dessa narrativa.

No plano dos sonhos, São Paulo ia bancar Daniel Alves com parcerias. Na realidade, está pagando ele até hoje - deixou o clube em setembro de 2021.

As parcerias em conjunto com Neymar mudariam o Santos de patamar. Na prática, o clube deve mais de R$ 80 milhões ao pai do atacante, e frequentemente atrasa pagamentos ao resto do elenco.

Há outros pontos que poderiam ser abordados, como a desproporção entre os investimentos e os resultados esportivos, e a insistência de clubes em momentos financeiros e políticos turbulentos em buscar, em atletas renomados em fim de carreira, messias que dominem os noticiários.

O mercado da bola está extremamente inflacionado, em descompasso com a realidade da imensa maioria das profissões e segmentos, e se beneficiaria de uma boa dose de realidade.

Memphis Depay é um bom jogador, com uma carreira respeitável, mas a resposta para os problemas do Corinthians passava longe dessa renovação. Era uma decisão mais fácil e clara do que parecia.

Opinião

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.