Audi tenta controlar 'motor temperamental' para ter bom resultado em Mônaco
O GP de Mônaco é daqueles tão únicos que equipes que não estão frequentando a zona de pontuação podem sonhar mais alto. É o caso da Audi, que tem tido cadeira quase cativa na beirada do top 10, mas que não pontua desde a primeira etapa, com Gabriel Bortoleto.
O carro é bom - o chefe Mattia Binotto chegou a colocar a Audi como o quarto melhor chassi do campeonato recentemente e Bortoleto afirmou que a estimativa da equipe é de que eles percam 1s por volta apenas pelo motor - e é o combo unidade de potência e falta de confiabilidade que vem atrapalhando os resultados da equipe.
"No que diz respeito ao chassi, acho que somos definitivamente mais competitivos do que no que diz respeito à unidade de potência", disse Nico Hulkenberg quando perguntado pelo UOL Esporte sobre a afirmação de Binotto.
"Acho que depende um pouco da pista, este ano. Tivemos leituras diferentes, mas obviamente, no final das contas, tudo se resume à unidade de potência, onde você é competitivo naquela pista. Mas sim, com certeza, há mais trabalho a fazer na unidade de potência do que no chassi."
Então isso significa que a Audi pode andar bem em Mônaco, já que o motor é menos importante? "Mônaco é sempre uma oportunidade", disse Hulkenberg. "Mas precisamos de um fim de semana sem problemas. Trata-se de encontrar o ritmo aqui, de ganhar confiança. Então, sim, tudo está em aberto."
A complexidade dos motores atuais, contudo, é tamanha que não é só a potência por si só que conta. A Audi tem pecado na dirigibilidade do motor, ou seja, como a curva de entrega de potência afeta o equilíbrio do carro. E isso afeta as curvas porque, especialmente quando Bortoleto e Hulkenberg diminuem a marcha, muitas vezes a resposta do motor desestabiliza o carro na freada. E daí fica fácil entender por que Mônaco, na verdade, pode ser uma pista até mais desafiadora para eles.
Acho que é difícil de falar agora porque é meio difícil explicar o nosso motor, ele é meio temperamental, depende da condição de pista, a temperatura ambiente. Quando ele consegue estar numa janela que ele funciona bem, eu sinto muito pouco esses problemas. Eu e o Nico.
No Canadá por exemplo, temperatura fria, muitas coisas, afetou muito a gente, eram muito claros os problemas que a gente tinha, eu acho que por ser uma pista de rua, de baixa velocidade, eu acho que isso pode vir a afetar a gente aqui, mas a gente tem trabalhado bastante para resolver esses problemas, bastante tempo no dinamômetro, bastante tempo no simulador, e eu acho que a gente tem evoluído um pouco, então vamos ver se as coisas que a gente vai trazer para esse final de semana no motor vão resolver isso ou não.
Gabriel Bortoleto ao UOL Esporte
Fora isso, a Audi tem um turbo maior, o que em teoria seria uma desvantagem pela demora na alimentação, mas Hulkenberg não acredita que isso será facilmente compensado pela parte elétrica do motor.
"Aqui há tanta energia disponível que o MGUK [gerador de energia elétrica] pode compensar bastante isso. Então, pode ser que isso acabe jogando a nosso favor. Porque você pode compensar o turbo com energia."
As respostas vão começar a aparecer nos primeiros treinos livres do GP de Mônaco, com sessões a partir das 8h30 e meio-dia desta sexta-feira, pelo horário de Brasília.
Reportagem
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