Serviço 'eu não sou um robô' vai barrar IA e criar sites 'só para humanos'
No futuro, quando perguntarem quando os agentes de inteligência artificial invadiram sua vida, lembre-se deste momento. Você não deve ter notado, afinal, trata-se de uma mudança invisível e direcionada às máquinas —isso vale, é claro, se eu estiver falando com um ser-humano.
Na semana passada, o Google alterou drasticamente uma das ferramentas de segurança mais disseminadas da internet. É o reCaptcha, a ferramenta do "eu não sou um robô". Criado para barrar acessos automatizados, o serviço evoluiu, porque a nova geração de robôs consegue, sem muito esforço, se comportar como nós.
Agentes são encarados como a nova fronteira da IA por serem autônomos o suficiente para executar tarefas em nome das pessoas, como visitar sites para comparar preços, fazer reservas e pagar por produtos e serviços. Por outro lado, podem ser usados para acessar serviços indevidamente, o que pode comprometer seu funcionamento. Para o Google, a nova plataforma é a solução para a web agêntica.
A novidade foi anunciada durante o Google Cloud Next, juntamente com o Gemini Enterprise Agent Platform, um pacote de serviços para companhias virarem "empresas agênticas".
O reCaptcha passa a ser chamado de Google Cloud Fraud Defense. Se antes garantia a legitimidade dos acessos feitos por bots e humanos, agora esse objetivo se estende a agentes de IA. Para isso, vai:
- Medir a atividade de agentes em sites (identificar, classificar e analisar o tráfego gerado por eles) e até conectar identidades humanas às dos robôs para detectar se há risco no acesso;
- Usar sinais de risco, tipos de automação e a identidade de agentes para bloquear a entrada deles em serviços;
- Exigir que agentes tentando se passar por pessoas comprovem, de fato, serem humanos. O método será escanear um QR Code com um celular.
O Google afirma que o reCaptcha continuará a existir. Mas, à medida que os agentes de IA tomarem a internet, os QR Codes podem substituir a pergunta "eu não sou um robô".
Para o Google, a mudança cria defesas para um futuro em que tráfego inválido via bots automatizados dará lugar a fraudes massivas de identidade lideradas por agentes de IA.
Ainda que invisível para a maioria dos usuários, a nova camada de segurança funcionará do cadastro e login em sites à etapa de pagamento. A ideia é monitorar toda a jornada de agentes de IA, cada vez mais autônomos para navegar livremente por plataformas digitais.
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Toda semana, e conversam sobre as tecnologias que movimentam os humanos por trás das máquinas. O programa é publicado às terças-feiras no e nas. Assista ao episódio da semana completo.
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