Por que Medina enfrentou Slater? Livro de regras da WSL não explica
O duelo entre O brasileiro, tricampeão mundial, acabou eliminado pelo americano de 54 anos, convidado da etapa, em um confronto que terminou com vitória de Slater por 19,06 a 16,10.
Mas existe uma questão anterior à própria disputa: por que os dois se enfrentaram?
Se Slater chegou à etapa como um dos piores ranqueados, já que nem da elite faz parte, imaginava-se que ele tivesse um cruzamento com o líder do ranking, Leonardo Fioravanti, ou, no máximo, com o segundo colocado, neste caso, Italo Ferreira.
Por que ele cruzou o caminho de Medina, terceiro do Mundial?
E a resposta não é clara no livro de regras oficial da WSL.
O regulamento explica detalhadamente como é feita a montagem do Round 1 e para onde os vencedores de cada bateria avançam no Round 2. O problema aparece justamente na definição de quais atletas estarão esperando em cada uma dessas baterias.
Onde Slater entra na chave
Segundo o livro de regras, Slater entrou na competição com o seed mais baixo, ou seja, como se fosse o pior ranqueado, já que foi convidado para a etapa e sequer é integrante da elite mundial.
No item (m) da Regra 1.07, que trata da formação do Round 1, a WSL determina posições fixas para os atletas de 29 a 32 do ranking e estabelece que os seeds de 33 a 36 sejam definidos por sorteio.
Foi assim que Slater caiu na quarta bateria da primeira fase.
O próprio regulamento também determina claramente para onde cada vencedor do Round 1 entra no Round 2 — e isso acontece da mesma forma nos eventos que utilizam esse formato na primeira parte do Circuito Mundial.
O vencedor da primeira bateria do Round 1 vai para a bateria 9 do Round 2;
o da segunda, para a 6 do Round 2;
o da terceira, para a 3 do Round 2;
e o da quarta, justamente Slater nesta etapa, vai para a 13 do Round 2.
Ou seja: os quatro vencedores do Round 1 são direcionados para quatro baterias específicas do Round 2, nas quais enfrentam os quatro melhores surfistas pré-escalados da competição.
Até aí, o caminho está documentado. O problema aparece no passo seguinte.
Quem estava esperando Slater?
Para entender a questão, é preciso olhar para o outro lado da chave.
Os 28 melhores surfistas da competição são classificados diretamente para o Round 2, sem precisar disputar a primeira fase. O regulamento chama esses atletas de "pré-escalados", mas não detalha como eles são distribuídos entre as baterias dessa fase.
E é justamente aí que está o ponto cego.
O documento explica que Slater, caso vencesse sua bateria do Round 1, iria para a bateria 13. Mas não explica por que Gabriel Medina era o atleta pré-escalado para aquela bateria.
Medina chegou a Teahupo'o como terceiro colocado do ranking mundial. Em tese, portanto, não havia uma relação direta e óbvia entre sua posição no ranking e a bateria 13 que permita reconstruir a chave apenas com as informações disponíveis no livro de regras.
O regulamento estabelece que os 28 melhores são "pré-escalados" no Round 2, mas não apresenta o critério utilizado para definir qual deles ocupa cada bateria.
Regulamento não detalha distribuição
A questão não significa necessariamente que a formação da bateria entre Medina e Slater tenha sido irregular.
O ponto é outro: o livro de regras não permite entender, sozinho, como aquela combinação foi definida.
Segundo o que o UOL ouviu de pessoas próximas à organização, há rumores de que a distribuição dos quatro melhores ranqueados segue uma espécie de rodízio ou sorteio entre essas determinadas posições da chave do Round 2.
Essa é uma explicação que circula nos bastidores do circuito, mas não aparece de forma clara no documento oficial disponibilizado pela WSL.
Reportagem
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