Polícia prende 10 por lavagem de dinheiro de facções criminosas e ligação com Al Qaeda

15 de Jul de 2026 - 09:30
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Polícia prende 10 por lavagem de dinheiro de facções criminosas e ligação com Al Qaeda

Dez pessoas foram presas nesta quarta-feira (15), pela Polícia Civil do Rio de Janeiro, suspeitas de participarem de um esquema de lavagem de dinheiro de três grandes facções criminosas e uma possível conexão financeira internacional com um integrante de uma estrutura de financiamento da organização terrorista Al Qaeda.

As prisões ocorreram durante o cumprimento da Operação Hawala, desencadeada nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais e na cidade de Foz do Iguaçu, no Paraná, e 22 pessoas foram denunciadas à Justiça. Além dos mandados de prisão, os policiais cumprem 37 de busca e apreensão.

“Localizamos envolvimento com pessoas de outros países, essa investigação sobre envolvimento com terrorismo ainda é muito incipiente. Nós conseguimos encontrar uma transação financeira com um indivíduo sancionado pela OFAC, agência americana que controla o terrorismo. Conseguimos identificar também algumas menções ao Hezbollah, e isso nos acendeu o alerta de que pode haver um envolvimento com organizações terroristas”, disse o delegado Pedro Brasil, da Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados do Rio de Janeiro.

De acordo com as investigações, o grupo agia junto às facções criminosas Terceiro Comando Puro (TCP), Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) e teria movimentado mais de R$ 100 milhões entre os anos de 2021 e 2024. A lavagem dos recursos, diz a polícia, era realizada por meio de dezenas de empresas de fachada espalhadas por diferentes estados.

A investigação revelou um sistema complexo para esconder a origem do dinheiro ilícito, com o uso de empresas fictícias, sucessivas transferências entre pessoas jurídicas, depósitos fracionados em dinheiro vivo, utilização de terceiros para movimentações bancárias e operações incompatíveis com a renda declarada dos envolvidos.

“Os agentes identificaram ainda um núcleo de empresários de origem libanesa apontado como responsável por ampliar a circulação interestadual e internacional dos recursos ilícitos. Empresas registradas em São Paulo e Minas Gerais eram utilizadas para movimentar valores entre operadores financeiros, empresas de fachada e integrantes das organizações criminosas no Rio de Janeiro”, pontua a polícia.

Evasão de divisas pela fronteira

As apurações também indicam a atuação desse grupo na região da Tríplice Fronteira, entre Brasil, Paraguai e Argentina, área historicamente monitorada por órgãos nacionais e internacionais por suspeita de lavagem de dinheiro e financiamento do terrorismo. De acordo com a investigação, essa estrutura teria ampliado a capacidade de circulação internacional dos recursos movimentados pelo esquema.

Outro ponto investigado é a relação comercial entre uma empresa ligada aos suspeitos e um indivíduo sancionado pelo Office of Foreign Assets Control (OFAC), órgão do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos. Conforme as investigações, esse indivíduo integra uma estrutura de financiamento da organização terrorista Al Qaeda. Três irmãos de origem libanesa também estão entre os investigados no núcleo empresarial do grupo.

O trabalho de inteligência também identificou que uma operadora financeira administrava empresas responsáveis por movimentar mais de R$ 47 milhões no período investigado. Um contador apontado como um dos principais facilitadores do esquema teria dado aparência de regularidade às empresas utilizadas para a lavagem de dinheiro e deixado de cumprir obrigações legais relacionadas à prevenção desse tipo de crime e à comunicação de operações suspeitas ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

“As investigações prosseguem para identificar outros integrantes do esquema, localizar novos ativos e aprofundar as linhas investigativas relacionadas às movimentações internacionais dos valores ilícitos, em cooperação com órgãos nacionais e estrangeiros especializados no combate à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo”, completou a autoridade.