O segredo da Dona Maria: como IA da China cria pessoas digitais em minutos

12 de Mai de 2026 - 09:30
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O segredo da Dona Maria: como IA da China cria pessoas digitais em minutos

(Toda semana, e conversam sobre tecnologia no podcast. O programa vai ao ar às terças-feiras no, no, no e no. Nesta semana: ; ; )

O segredo do fenômeno mais recente das redes sociais no Brasil é uma inteligência artificial. E, pelas características do projeto, muito provavelmente é uma ferramenta chinesa.

No novo episódio de , o podcast do para os humanos por trás das máquinas, e explicam como personagens sintéticos são construídos, se espalham pela internet e por que isso importa. De quebra, mostram um processo que pode estar na origem da Dona Maria, .

Se ferramentas de inteligência artificial já permitem criar imagens realistas, os serviços que vêm da China facilitam o processo de alguém se transformar em qualquer pessoa exibida em um vídeo.

No universo das redes sociais, há dois tipos de personalidades sintéticas: por um lado, aquelas criadas do zero por IA e, por outro, humanos que usam IA para assumir outra identidade. No segundo caso, está o , enquanto, no segundo, estão a e a .

Hoje a gente vai entregar o segredo por trás da Aitana, do Naio Barreto, que tem o personagem Will Smith Baiano, e também da Dona Maria. Tá todo mundo usando ferramenta de inteligência artificial para assumir essas personagens sintéticas. E é muito simples construir isso
Helton Gomes

No passo a passo mostrado no episódio, Helton usou o ChatGPT para escrever a descrição de um personagem e o Gemini para gerar a imagem. Depois, ele leva a foto e um vídeo seu para o Wan, uma ferramenta da Alibaba, que faz a troca de rosto e encaixa a persona sintética no lugar do humano.

O resultado não saiu uma cópia fiel do vídeo original. Alguns detalhes foram replicados com uma qualidade inferior. No conteúdo original, havia prateleiras no fundo e uma flâmula, que, na produção da IA, foram completamente transformadas. As mãos do ser virtual também soam irreais, tanto que, em dados momentos, alguns dedos somem ou se fundem.

Mas, de todo modo, é bastante impressionante o que essa IA consegue fazer.
Helton Gomes

Diogo Cortiz avalia que a tecnologia ainda está nas primeiras gerações, mas avança rápido e isso amplia tanto as possibilidades quanto os riscos. Para ele, no entanto, é bom lembrar que estamos diante de uma deepfake, uma imagem sintética criada a partir de técnicas de inteligência artificial para replicar um ser humano de verdade.

Criações como a mostrada no programa e a Dona Maria, acrescenta Diogo, abrem espaço para moldar uma realidade que nunca existiu, o que pesa especialmente em períodos eleitorais.

Quando a gente fala dessa criação de conteúdos e mídia sintética, a gente pode criar qualquer realidade. Eu uso a metáfora de uma caixinha de multiversos: você consegue criar uma realidade que nunca existiu. Isso é muito significativo, principalmente em ano eleitoral. O que vai ter de criação de conteúdos políticos usando deepfake acaba sendo muito assustador. Você pode fazer candidatos se comportando, dizendo coisas que eles nunca disseram.
Diogo Cortiz

O impacto, no entanto, não é só político. Há o lado econômico, pois já há gente "vendendo a imagem" para ser reproduzida. . O maior influenciador do TikTok vendeu sua "alma digital" por US$ 975 bilhões para a Rich Sparkle Holdings, que agora pode usar sua imagem, voz e gestos para criar deepfakes dele para vender produtos 24 horas por dia.

Para Diogo, o debate precisa olhar menos para a tecnologia em si e mais para o objetivo do uso -entretenimento e possibilidades de ensino de um lado, manipulação do outro.

Helton também aponta outras aplicações positivas, como usos pontuais no audiovisual quando há autorização dos atores, e treinamento de IA com imagens sintéticas em casos da ausência de dados reais em volume abundante.

Mas ele destaca que o pulo do gato do tutorial do episódio passa por uma IA chinesa, com recursos que não aparecem do mesmo jeito —ou a mesma permissividade— nas big techs americanas.

Quando a gente fala de China, tem duas áreas que a China domina: robótica e a IA de criação de imagens e vídeos. As melhores, as mais utilizadas são as chinesas. Uma hipótese é o próprio modelo. A outra é a fonte de dados: na China se produz muito conteúdo de imagem e vídeo, e isso é utilizado para treinar esses modelos. Você tem um ecossistema com empresas como a ByteDance, dona do TikTok, que é puramente vídeo. E tem também a questão de não ligar muito para direitos autorais -tanto que algumas ferramentas sofrem processos e precisam ajustar para não gerar coisas como o Mickey.
Diogo Cortiz

IA do Google em programa da Microsoft: como acionar chatbot com comando do teclado

O Google levou o Gemini para o desktop e entrou de vez na disputa da inteligência artificial por espaço no computador, ao lado do ChatGPT e do Claude. Diogo Cortiz e Helton Simões Gomes mostram como é possível usar IA com um simples comando do teclado.

A dupla explica que, com os apps instalados, dá para chamar um chatbot sem abrir o navegador, usar uma "barrinha" em sobreposição para perguntas rápidas e até analisar o que está na tela, como documentos e imagens.

Quando você tem um aplicativo instalado no seu computador, você pode usar de duas principais formas. O primeiro é abrir o aplicativo como um todo: ele é mais rápido, tem uma interação melhor, é mais fluido. Mas tem a segunda: quando você não abre o aplicativo como um todo, só o chat, uma caixinha menor, em sobreposição à tela que você está vendo. Às vezes eu estou lendo um documento e quero fazer uma pergunta rápida. Eu abro essa barrinha e ela me traz uma resposta em frente ao documento mesmo. Isso traz uma produtividade absurda.
Diogo Cortiz

Sem 'luaplanistas': Brasileiro que renegou a Nasa rebate mitos da ida à Lua

Muita gente se fez essa pergunta quando viu as imagens que registraram o retorno da humanidade à Lua: "cadê a bandeira americana?". Diogo Cortiz e Helton Simões Gomes recebem o engenheiro espacial Lucas Fonseca para responder dúvidas e desmontar mitos sobre a missão Artemis II.

A conversa inaugura o novo quadro do programa Help Desk, que sana dúvidas de leitores sobre desconfianças sobre fotos, recordes, objetivos da missão e a corrida com a China —como os Estados Unidos já estiveram na Lua, muita gente não bota fé de que agora são os norte-americanos que correm atrás dos chineses. Também há quem queira saber se o Brasil tem espaço no novo ciclo de exploração lunar.

A missão Apolo tinha esse caráter exploratório, a gente queria conhecer as características da Lua. Trouxemos quase 400 kg de rochas lunares. E a missão Artemis é a continuidade disso. Só que agora estamos indo pra ficar. Então a ideia é estabelecer colônias na Lua daqui pra frente. A missão Artemis tem um perfil bem diferente da época da Apolo, porque a gente tá se preparando pra longas estadias na Lua.
Lucas Fonseca

Ao apresentar o convidado, Helton destaca que Fonseca trabalhou por três anos na Agência Espacial Alemã e foi o único brasileiro no projeto Rosetta, da Agência Espacial Europeia (ESA), que pousou um módulo em um cometa. Ele também cita que para investir no ecossistema aeroespacial brasileiro.

DEU TILT

Toda semana, e conversam sobre as tecnologias que movimentam os humanos por trás das máquinas. O programa é publicado às terças-feiras no e nas. Assista ao episódio da semana completo.