Neymar na Copa do Mundo não é crime sem vítimas
Você pode gostar ou não de Neymar, achar ou não que ele deveria estar na Copa do Mundo, concordar ou não com os critérios de Ancelotti. O que me parece indiscutível nessa história é o custo Neymar. As vítimas da convocação do camisa 10 pelo técnico italiano. Todo nome confirmado na lista tira o lugar de alguém e, neste caso específico, acaba fazendo mais do que isso.
A vítima mais óbvia é João Pedro. Ou Pedro. Ou Igor Thiago. Os jovens atacantes promissores que não poderão viver seu primeiro Mundial e começar a construir sua história na seleção. João Pedro fez 15 gols na badalada Premier League, mas não foi o suficiente para desbancar o colega que fez 15 jogos no ano todo, marcando 6 gols (2 deles contra o Deportivo Recoleta).
Outra vítima é a instituição seleção brasileira, que precisa se agarrar a um atleta que há cinco anos não joga bem e cujo maior título com a equipe profissional é uma Copa das Confederações.
Ancelotti poderia ser considerado uma vítima, ainda que dele próprio. Difícil sustentar a pecha de treinador grandão impermeável a pressões depois de sucumbir a esse lobby. O Mister saiu do Museu do Amanhã menor do que entrou.
A vítima maior, no entanto, talvez sejamos todos nós, obrigados a testemunhar o quanto ainda há quem idolatre um sujeito que hoje não dá orgulho nem dentro de campo, que dirá fora. Um cara que teve seu contrato com a Nike rompido por se recusar a participar de uma investigação grave de assédio contra uma funcionária da empresa. Que traiu a esposa grávida. Que sugeriu que enfiassem um sapato na boca de uma mulher famosa que ousou enfrentá-lo. Que disse que o árbitro estava de Chico. Que agrediu um companheiro de equipe de 18 anos. E que, no seu momento de maior exposição, na convocação inesperada, no auge do fechamento de sua carreira, escolheu como primeira reação postar uma propaganda de bet, no seu perfil com 232 milhões de seguidores.
Ancelotti autorizou Neymar a continuar fazendo o que bem entender, na certeza de nunca sofrer uma consequência por seus atos. Mais do que tirar João Pedro ou qualquer outro garoto merecedor da Copa, este talvez seja o maior delito de Carleto.
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Opinião
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