EMS quer faturar R$ 500 milhões em um ano com caneta concorrente do Ozempic

26 de Mai de 2026 - 14:15
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EMS quer faturar R$ 500 milhões em um ano com caneta concorrente do Ozempic

A brasileira EMS planeja faturar R$ 500 milhões em um ano com as vendas do Ozivy, sua . Para isso, diz que seu medicamento será 30% mais barato que a concorrência e terá maior distribuição no varejo.

O que aconteceu

EMS projeta vendas superiores a R$ 500 milhões nos primeiros 12 meses de mercado da Ozivy, sua versão da caneta emagrecedora do Ozempic. Segundo o vice-presidente da EMS, Marcus Sanchez, o medicamento deve representar de 4% a 5% do faturamento total do grupo já no seu primeiro ciclo de vida.

Preço será menor que o da concorrência, diz EMS. Para avançar no mercado e atrair consumidores da concorrência, a EMS conta com uma política de preços agressiva. O executivo da farmacêutica estimou que o Ozivy vai chegar às farmácias por cerca de 30% menos que o Ozempic.

Vendas no primeiro ano devem chegar a 1,2 milhão de unidades. O vice-presidente disse que a distribuição vai buscar atender o maior número possível de pontos de venda para evitar a concentração em poucas redes e mitigar riscos de desabastecimento.

Medicamento chega ao mercado em 30 dias. Segundo o vice-presidente da EMS, companhia planeja uma estratégia de abastecimento com a oferta de 350 mil unidades já no primeiro mês de lançamento.

Trabalhamos para que o preço seja acessível para a população e abaixo do valor que se vende no mercado. O preço final ainda não está fechado, mas estamos com olhar de acessibilidade.
Marcus Sanchez, vice-presidente da EMS

EMS investiu R$ 1,2 bilhão no projeto. Medicamento será produzido na fábrica de peptídeos da companhia, instalada dentro do complexo industrial da companhia em Hortolândia (SP). A unidade tem capacidade instalada para produzir até 40 milhões de canetas por ano.

Aprovação pela Anvisa

Anvisa aprovou hoje a primeira caneta emagrecedora nacional. O Ozivy é a primeira caneta de semaglutida sintética análoga ao produto biológico liberado para comercialização no Brasil.

Medicamento usa mesmo princípio ativo do Ozempic, que teve sua patente expirada em 20 de março. O pedido de registro do medicamento com semaglutida sintética chegou em 2023 e passou pelo processo técnico de comprovação de eficácia, segurança e qualidade feita por meio do registro na Anvisa.

Pedido de registro foi feito pelo laboratório EMS. O produto seguiu a ordem cronológica e de prioridade para medicamentos do tipo GLP-1, popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras.

Ozivy não é um medicamento genérico. A Anvisa destaca que não há genérico de produtos biológicos, conforme regulação brasileira. Assim, o produto é classificado como medicamento novo, sendo um análogo sintético de produto biológico.

Medicamento poderá ser usado para o tratamento de adultos com diabetes mellitus tipo 2 insuficientemente controlado. Ozivy pode atuar como adjuvante a dieta e exercício em monoterapia, quando a metformina é considerada inapropriada devido a intolerância ou contraindicações; ou em adição a outros medicamentos para o tratamento do diabetes.

Produto será apresentado como solução injetável, em caneta preenchida para administração semanal. A forma de conservação do novo produto é diferente do medicamento originador (Ozempic). Ele deve ficar armazenado em geladeira, em temperaturas de 2 °C a 8 °C, antes e depois de iniciado o tratamento. Diferente da conservação do Ozempic, que exige esse armazenamento refrigerado apenas antes do uso, podendo ficar até 30ºC por até seis semanas após o paciente iniciar as doses..

Após o registro na Anvisa, o medicamento pode ser comercializado após a aprovação do preço máximo pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). A empresa que possui o registro, porém, é que decide quando o medicamento será colocado à venda.

SUS ainda precisa avaliar medicamento para inclusão no sistema. Segundo a Anvisa, para que o produto esteja disponível no Sistema Único de Saúde, ele precisa ser avaliado e recomendado pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) e aprovado pelo Ministério da Saúde. Vale lembrar que nem todos os medicamentos registrados na Anvisa passam pela avaliação da Conitec ou são incorporados ao SUS.

Agência reforça que é necessário recomendação médica. Agência diz que, como todos os medicamentos do tipo GLP-1, a semaglutida sintética está sujeita à prescrição de receita médica em duas vias.

Outros cinco medicamentos de origem sintética e um de origem biológica da semaglutida seguem em análise na Agência. Segundo a agência, há ainda outros processos que estão na fila.

Quatro opções de apresentação foram aprovadas pela Anvisa e que poderão ser oferecidas pelo laboratório:

  • Solução injetável de semaglutida 1,34 mg/mL em sistema de aplicação preenchido (multidose e descartável) com 1,5 ml + 1 caneta + 6 agulhas
  • Solução injetável de semaglutida 1,34 mg/mL em sistema de aplicação preenchido (multidose e descartável) com 3 ml + 2 canetas +10 agulhas
  • Solução injetável de semaglutida 1,34 mg/mL em sistema de aplicação preenchido (multidose e descartável) com 1,5 ml + 1 caneta + 4 agulhas
  • Solução injetável de semaglutida 1,34 mg/mL em sistema de aplicação preenchido (multidose e descartável) com 3 ml + 2 canetas + 8 agulhas