Dólar sobe a R$ 5,08 e Bolsa cai com expectativas para decisões sobre juros

16 de Jun de 2026 - 17:45
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Dólar sobe a R$ 5,08 e Bolsa cai com expectativas para decisões sobre juros

O dólar comercial fechou esta terça-feira (16) em alta, cotado a R$ 5,086. Na Bolsa, o índice Ibovespa tem pregão de baixa, em sessão dominada já pela "super quarta-feira". Amanhã, o Banco Central do Brasil e o Fed (Federal Reserve) anunciam as taxas básicas de juros nos dois mercados, após concluírem suas respectivas reuniões de política monetária, que começam hoje e acabam amanhã.

O que aconteceu

Dólar volta a subir. Após abertura em leve baixa, a R$ 5,05, a moeda americana passou a subir, fechando o dia negociada no a R$ 5,086, alta de 0,39%.

Ibovespa volta a perder o patamar dos 170 mil pontos. Recuando desde a abertura do pregão, o índice das ações mais negociadas na Bolsa do Brasil B3 recuava 0,47%, marcando 169.613 pontos, faltando 20 minutos para o fim da sessão.

Incertezas sobre juros impactam a Bolsa. Os investidores estrangeiros, responsáveis por 60% dos negócios na Bolsa brasileira, reduziram as aplicações por aqui desde que aumentou o risco de aumento das taxas americanas. Já os aplicadores brasileiros enxergam na renda fixa uma opção melhor de investimento em tempos de Selic elevada. Nesse ambiente, o Ibovespa mantém variação negativa acumulada de 15% desde o pico neste ano, de 198.657 pontos, atingido em 14 de abril.

Petróleo registra forte queda. O petróleo Brent, referência no mundo, para agosto, encerrou em queda de 5,06%, a US$ 78,96 o barril. por barril. Já o petróleo WTI, referência nos EUA, também para agosto, fechou em queda de 5,25%, a US$ 75,27 o barril.

O cessar-fogo anunciado reforça a expectativa de normalização gradual do mercado de energia e reduz significativamente a probabilidade de um cenário mais adverso, em que as restrições ao fluxo de petróleo já teriam potencial para gerar desequilíbrios importantes no mercado energético global.
Nícolas Mérola, da EQI Research

De olho nos juros

Agentes de mercado fazem ajustes para decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos. Começam hoje os encontros de política monetária dos bancos centrais brasileiro e americano para definir as taxas de referência nas duas economias, em reuniões de dois dias cujas decisões são anunciadas amanhã, chamada pelo mercado de 'super quarta-feira' justamente pela relevância dessa agenda coincidente.

Taxa de juros deve ser mantida nos Estados Unidos. Essa é a expectativa predominante entre agentes de mercados para a primeira reunião do Fed sob comando de Kevin Warsh, indicado por Donald Trump. As apostas em retomada dos cortes perdeu força e há quem não descarte até um aumento dos juros, que foram mantidos estáveis na faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano nos últimos três encontros de política monetária do banco central americano.

Não vejo o Fed com espaço para cortar juros, após a inflação americana subir a 4,2% em maio, a mais alta em três anos, e o mercado de trabalho seguindo firme. Isso significa dólar forte e fluxo de capital para emergentes em compressão.
Felipe Pascowitch, da By Capital

Juros elevados nos EUA influenciam a economia brasileira. O fluxo de recursos externos para o Brasil tende a ser reduzido por um rendimento maior das aplicações nos títulos do governo americano. Nesse cenário, a menor oferta de dólares no Brasil pode enfraquecer o real.

A combinação entre a queda do petróleo e a maior sensibilidade ao cenário político local limita um movimento mais consistente de apreciação da moeda brasileira.
Gabriel Mollo, da Daycoval Corretora

No Brasil, prevalece expectativa de terceiro corte seguido da Selic. Para a maior parte de profissionais e investidores de mercado, o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central vai reduzir a taxa básica de juros de 14,50% para 14,25% ao ano, repetindo os movimentos das duas últimas reuniões, em março e abril.

Mas o ciclo de redução de juros pode ser interrompido em breve. Apesar da expectativa de nova redução da Selic nessa semana, parte dominante do mercado espera que o Copom sinalize a interrupção dos cortes dos juros para nos próximos encontros por causa do aumento do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) em 12 meses, que voltou a superar o teto da meta perseguida pelo Banco Central, e da piora das projeções de inflação para os próximos trimestres, incluindo 2027 e 2028.

O Copom não deve indicar explicitamente que o ciclo de flexibilização monetária terminou, mantendo espaço para cortes adicionais, caso o cenário evolua de modo favorável. Porém, o Comitê deve retirar menções a 'próximos passos da calibração dos juros', sugerindo que uma pausa pode ocorrer em breve.
Caio Megale, da XP em relatório

Mercado inclui dados de varejo nas apostas para juros. O , na comparação com o mês de março, mostram dados divulgados hoje pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Com a primeira variação negativa de 2026, o setor perdeu o nível recorde registrado nos meses anteriores.

A perda de fôlego do varejo deve contribuir para limitar o ritmo de crescimento da economia em 2026, mas não esperamos desaceleração intensa da atividade, já que o mercado de trabalho segue forte, a renda média continua avançando e as medidas de estímulo implementadas pelo governo devem ajudar a sustentar a economia neste ano.
Claudia Moreno, do C6 Bank

Ações mais negociadas

Petrobras segue em queda acompanhando cotação do petróleo. A companhia brasileira tem ações e com variações negativas superiores a 1%, emendando a terceira baixa seguida.

Braskem também tem pregão de baixa. Os recuam 9,87% para a mínima do ano após a decisão da Justiça Federal em Alagoas que tornou a companhia e ex-dirigentes réus em processo que apura as responsabilidades pelo desastre socioambiental causado pela exploração de sal-gema em Maceió.