Argentina gosta de flertar com o perigo e transforma risco em combustível

12 de Jul de 2026 - 07:30
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Argentina gosta de flertar com o perigo e transforma risco em combustível

Sob o pôr do sol laranja do centro oeste norte americano, as arquibancadas pulsavam: "Para ser campeon, hoy ai que ganar". O pedido expresso na letra embala a classificação da Argentina rumo à semifinal. Mas não sem enorme sofrimento. Saga, epopeia, jornada épica, use o termo que quiser. É como a Argentina conduz sua caminhada na Copa do Mundo de 2026 flertando com o perigo e fazendo do risco, seu combustível.

Foi assim mais uma vez. 115 minutos de angústia contra a Suíça até o golaço de Julian Álvarez acertar o ângulo de Kobel e aliviar os corações que só assim puderam cantar aliviados: "Soy Argentina, es un sentimiento, no puedo parar". E só assim comemorar tranquilos o gol de Lautaro Martinez.

O roteiro havia sido o mesmo da segunda fase contra Cabo Verde. E parecido com as oitavas contra o Egito. Se tivesse aprendido com os erros, os hermanos tinham tudo para uma vida mais tranquila contra a Suíça ainda mais após fazer 1 a 0 com 10 minutos de jogo. Mais uma vez contando com seu astro maior Lionel Messi que cobrou escanteio para Mac Allister marcar.

Mas não. Se fosse fácil, que história esta Argentina contaria após o jogo? O que levaria Lionel Messi às lágrimas? Ou que discurso emocionado faria Lionel Scaloni que colocou o duelo contra o Egito num dos pontos mais altos do seu pódio?

Depois de fazer o gol, a Argentina deixa de controlar o jogo. A Argentina que luta contra a atual tendência mundial de um futebol vertical e intenso, com seu futebol de controle, posse, associações e paciência, nem isso fez.

Permitiu à Suíça crescer e passar a dominar a partida ainda que tenha pouquíssimo poder de fogo, especialmente sem Manzambi, um de seus destaques no Mundial.

A Argentina sempre dominante tinha dificuldades de sair com a bola pela pressão alta do adversário.

O respiro do intervalo não melhorou a situação. Aos 14 min do segundo tempo, Embolo recebeu e de cabeça obrigou Dibu Martinez a trabalhar. O goleiro percebeu o momento delicado e chamou a arquibancada. A vida não estava fácil e ele precisava de ajuda.

É na dificuldade que a Argentina acorda. E o despertar veio de um povo que mais que do jogar junto com a seleção é a identidade deste time. O Kansas City Stadium ganhou ares de Bombonera ou Monumental para não entrar em polêmicas de torcida. Até porque polêmicas não faltam à Argentina nesta Copa.

Nem a paixão de quem percorreu os 9108 km que separam Buenos Aires de Kansas fez o cenário mudar. Aos 19, foi Ndoye foi quem subiu mais alto. Dibu. Na sequência, o chute de Xhaka. Dibu.

Dibu é bom, mas não é dois. É dono de uma das maiores defesas da história das Copas (alô, Kolo Muani), mas desta vez diante de Ndoye nada pode fazer. Empate.

A saída quem deu foi o adversário com a expulsão de Embolo. "A verdade é que sofremos, sabíamos que a Suíça era uma equipe muito física, nos dificultaram muito nessa parte. Fomos capazes de sair de certas situações. A verdade é que hoje também tivemos sorte, porque eles tiveram um expulso, e pudemos atacar", admitiu o técnico Lionel Scaloni.

Com um a mais, virou ataque contra defesa. Mac Allister perdeu na pequena área. Lionel Messi chutou pra fora. No escanteio de Messi, Nico Gonzales ficou no quase. Na prorrogação, o cansaço tomou conta e Scaloni acionou o modo ataque contra defesa com atacantes em campo. No fim, deu certo. Mais uma vez.