Alibaba descobre que Claude espiona chineses em código secreto e bane IA
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A Alibaba proibiu funcionários de usar o Claude Code, ferramenta de IA da Anthropic para ajudar a programar, depois que pesquisadores apontaram a existência de um código escondido para identificar quando o uso vinha da China. O caso vira mais um capítulo da disputa entre empresas de IA e na atribulada geopolítica mundial em um setor ainda pouco regulado.
*A Alibaba colocou o Claude Code numa lista interna de softwares "de alto risco" e disse que a decisão vale a partir de 10 de julho, segundo o South China Morning Post.
*A empresa recomendou que os funcionários usem o Qoder, seu próprio assistente de programação com IA, como alternativa.
*Um usuário do Reddit disse ter analisado o Claude Code e encontrado um trecho de código ofuscado (escondido de propósito) que checava sinais como fuso horário configurado para cidades chinesas e alguns endereços de proxy e domínios ligados à China.
*Segundo a apuração, em vez de registrar isso de forma explícita, o sistema teria usado esteganografia - uma técnica de "esconder mensagens" - para colocar sinais discretos dentro do texto enviado aos servidores da Anthropic.
*A Anthropic afirmou que isso foi "um experimento" iniciado em março para evitar abuso de contas por revendedores não autorizados e para se proteger contra "destilação" (quando alguém usa as respostas de um modelo forte para treinar outro), e disse que removeu o mecanismo em 1º de julho.
*O pano de fundo é uma acusação anterior da Anthropic ao Senado dos EUA: a empresa disse que operadores ligados ao laboratório Qwen, da Alibaba, teriam feito um grande ataque de "destilação" contra o Claude, com milhares de contas falsas e milhões de interações entre abril e junho; a Alibaba negou.
*A briga mostra como a guerra da IA saiu do laboratório e entrou no dia a dia do trabalho: empresas começam a tratar ferramentas estrangeiras como se fossem pendrives desconhecidos - úteis, mas potencialmente perigosos - especialmente quando elas pedem acesso profundo ao computador.
*Mesmo que a intenção fosse combater fraude, o método invisível tende a corroer confiança: se um assistente de código pode sinalizar de onde você é sem avisar claramente, o que mais pode fazer à medida que agentes tem capacidades autônomas cada vez mais abertas em nossos sistemas?
E teve mais isso...
1) OpenAI dá pistas de um "atalho físico" para o Codex
*A OpenAI publicou um teaser de um dispositivo ligado ao Codex, sua ferramenta de IA para programação, com lançamento marcado para 15 de julho, segundo o The Verge.
*O produto parece ser um "macro pad" (um mini-teclado de atalhos) feito em parceria com a Work Louder, empresa conhecida por teclados mecânicos e botões configuráveis.
*A ideia sugerida pelo vídeo é dar botões físicos para ações rápidas do Codex, como se fossem "atalhos turbinados".
*A corrida agora não é só por quem tem o melhor modelo, mas por quem vira hábito: colocar IA em botões e rotinas do trabalho é um jeito de grudar a ferramenta no dia a dia - e dificultar a troca por um concorrente.
2) SpaceX teria mostrado protótipo de "aparelho de IA" a investidores
*Segundo o The Wall Street Journal, a SpaceX apresentou a investidores um protótipo de dispositivo "com cara de telefone" voltado a IA.
*Elon Musk negou a reportagem e chamou a história de "totalmente falsa".
*O texto lembra que a SpaceX tem capacidade de fabricação e que a empresa também sinaliza interesse em expandir no mercado de conectividade, com o Starlink Mobile.
*Depois de vários "gadgets de IA" que não emplacaram, a pergunta central continua simples: não basta existir um aparelho - ele precisa resolver um problema real melhor do que o celular que você já tem.
3) ONU alerta: IA pode aumentar desigualdade e concentrar poder
*Um relatório da ONU diz que a adoção acelerada de IA pode piorar a desigualdade global porque o acesso e os benefícios não se distribuem de forma igual, segundo o The Guardian.
*O documento aponta que EUA e China dominam modelos avançados e infraestrutura (chips e datacenters), enquanto muitos países dependem de tecnologia estrangeira e perdem controle sobre padrões e salvaguardas.
*O relatório sugere caminhos como investir em infraestrutura local, alfabetização em IA, institutos de segurança e monitoramento contínuo do comportamento dos sistemas após o lançamento.
*A discussão de "soberania" que aparece no caso Alibaba x Anthropic também vale para países: usar IA pronta pode ser como alugar uma casa com regras do dono - você mora, mas não manda.
4) Pesquisa diz que é fácil "envenenar" respostas de busca com IA usando Reddit
*Um estudo de pesquisadores de Cornell, citado pela 404 Media, afirma que trechos curtíssimos de texto em sites como Reddit e Wikipedia podem influenciar agentes de IA que fazem buscas na web e montam respostas com citações.
*Os autores dizem que, em simulações, um único comentário "contaminado" pode afetar respostas para um conjunto de perguntas relacionadas.
*A pesquisa aponta que esses sistemas muitas vezes tratam uma postagem aleatória e uma fonte oficial de forma parecida na hora de montar a resposta, o que abre espaço para spam e manipulação.
*Se a IA vira a "porta de entrada" da internet, manipular a IA vira um novo tipo de SEO - e isso pressiona plataformas e empresas a criarem filtros melhores para não transformar recomendação em propaganda disfarçada.
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Dica de IA na prática
Uma técnica avançada é usar IA para criar um "segundo cérebro" que aprende com seus próprios materiais — em vez de fazer perguntas genéricas, você alimenta a IA com seus documentos, anotações ou histórico e a transforma numa especialista no seu contexto específico. A técnica se chama RAG manual (ou "IA com contexto próprio").
Uma ótima ferramenta para fazer isso é o NotebookLM, do Google, mas é possível também usar chats como Claude ou ChatGPT.
Como fazer?
Passo 1 — Junte sua base de conhecimento. Reúna num só lugar os materiais que definem seu trabalho ou projeto: contratos-modelo, e-mails que deram certo, seu histórico de propostas, anotações de reuniões, sua tabela de preços, políticas internas. Pode ser texto colado ou arquivos (PDF, planilha, documento).
Passo 2 — Dê o material antes da pergunta. Cole ou anexe esse conteúdo e escreva: "Este é o meu material de referência. Quero que você responda minhas próximas perguntas baseando-se apenas nele, e me avise sempre que a resposta não estiver no material." Isso evita que a IA invente respostas genéricas.
Passo 3 — Peça a ela para virar uma ferramenta, não só um chat. Por exemplo: "Com base nos meus 10 melhores e-mails de venda, crie um modelo reutilizável que capture meu tom e minha estrutura de argumentação." Ou: "Analise meus últimos 5 contratos e me diga quais cláusulas eu sempre esqueço de incluir."
Passo 4 — Interrogue o próprio material. Faça perguntas que você levaria horas para responder manualmente: "Nas minhas anotações de reunião deste trimestre, quais promessas eu fiz a clientes e ainda não cumpri?" ou "Comparando minhas propostas aceitas e recusadas, existe algum padrão de preço ou linguagem?"
Passo 5 — Mantenha a base viva. Cada vez que algo novo funcionar (um e-mail que fechou negócio, um contrato bom), adicione ao material. Sua "IA personalizada" fica mais afiada com o tempo, sem custo e sem programação.
O que isso muda pra você?
A diferença é sair de uma IA que dá conselhos de manual para uma que responde com base na sua realidade. A maioria das pessoas usa IA como um buscador melhorado — pergunta genérica, resposta genérica. Aqui você inverte: a IA passa a conhecer seu histórico, seus padrões e seus erros recorrentes, e vira uma consultora que já "trabalha com você há anos".
Na prática, isso significa menos tempo refazendo o que você já fez bem antes, menos pontos cegos (a IA aponta o que você repete e o que esquece), e decisões baseadas nos seus próprios dados em vez de achismo.
Reportagem
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