Yago Dora faz valer 'reparação histórica' da WSL na Nova Zelândia

17 de Mai de 2026 - 11:45
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Yago Dora faz valer 'reparação histórica' da WSL na Nova Zelândia

Por anos, uma das principais reivindicações de parte dos surfistas do Circuito Mundial parecia simples, mas nunca plenamente atendida pela WSL: mais ondas de performance para a esquerda.

No jargão do surfe, isso significa ondas em que o atleta "goofy-foot" - aquele que surfa com o pé esquerdo atrás da prancha - desce de frente para a parede da onda, com uma vantagem natural para manobras de borda e progressivas. Em Raglan, essa espera ganhou um novo capítulo e um protagonista à altura.

A chegada de Manu Bay ao calendário da WSL não foi apenas uma adição técnica ao CT. Foi também uma espécie de reparação simbólica. Até a temporada passada, não havia uma etapa exclusivamente dedicada a esquerdas de alta performance. Fiji e Taiti são esquerdas, sim, mas historicamente associadas ao tubo, não ao surfe progressivo de borda.

Mudança 'acidental'

Mas a história da etapa também tem um componente quase acidental. A entrada de Raglan no calendário da WSL não estava, originalmente, entre as prioridades da liga.

O plano inicial envolvia a continuidade de Jeffreys Bay, na África do Sul, uma das direitas mais icônicas do Tour. Mas problemas com o governo local e questões financeiras acabaram tirando J-Bay do circuito e abrindo uma lacuna inesperada no calendário.

Nesse rearranjo, mais reativo do que planejado, A WSL encontrou ali a chance perfeita de incluir uma etapa dedicada a uma onda exclusivamente de esquerda.

Show de Yago

Um nome simboliza bem essa novidade: Yago Dora. Atual campeão mundial e um dos surfistas mais completos da atual geração, ele foi um dos que mais celebrou a chegada da etapa à Nova Zelândia no início do ano. E na água, fez questão de transformar expectativa em performance.

Na estreia em Manu Bay, Yago foi cirúrgico. Em uma bateria de apenas 35 minutos, surfou apenas o necessário — só duas ondas — e ainda assim registrou o maior somatório do evento até aqui: 17.76 pontos.

A primeira nota, um 8.83, veio de uma sequência de seis manobras com forte variação de ritmo, misturando um aéreo bem encaixado com rasgadas potentes, tudo em uma leitura precisa das seções da onda.

Já a segunda, ainda mais impressionante, foi um 8.93, conquistado sem sequer ter a prioridade. A onda não teve aéreo, mas entregou mais fluidez, power e um controle absoluto de uma esquerda 'infinita', que permitiu quase um minuto inteiro de surfe.

Foi bom demais, é quase como uma reparação histórica poder ir para a esquerda e performar na esquerda. É incrível como goofy-footer. Estou muito feliz de estar aqui, e é um lugar incrível também. Não só a onda, mas as pessoas, a natureza, tudo tem uma vibe muito boa. A onda segue abrindo, oferecendo várias seções. É divertido brincar com isso, tentar trazer variedade e deixar tudo fluido. Me sinto livre, feliz por estar surfando essa onda Yago Dora

Qualidade, não quantidade

O cenário nas oitavas, no e de final ainda mostra um equilíbrio importante. Apenas cinco goofy-footers avançaram às oitavas do masculino, número que não configura um domínio absoluto, mas destaca o peso de um grupo muito específico dentro do Tour.

Entre eles estão alguns dos principais nomes da elite atual, como o próprio Yago, além de Gabriel Medina, Italo Ferreira e Miguel Pupo, todos habituados a decisões em alto nível.

Mais do que quantidade, o que se vê em Raglan é qualidade concentrada, e um recado claro de que, quando o cenário favorece o frontside dos goofy-footers, o nível sobe junto.

E Yago Dora, ao menos na estreia, foi quem melhor traduziu isso em números, fluidez e controle.

Opinião

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.