Cidade histórica fundada por bandeirantes esconde ruínas do ouro e mais de 80 cachoeiras

17 de Mai de 2026 - 09:45
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Cidade histórica fundada por bandeirantes esconde ruínas do ouro e mais de 80 cachoeiras

Fundada no século XVIII por bandeirantes portugueses e paulistas, Pirenópolis, em Goiás, preserva marcas do ciclo do ouro e mantém um dos conjuntos históricos mais conhecidos do Centro-Oeste brasileiro. O povoado surgiu em 7 de outubro de 1727, após os exploradores encontrarem ouro às margens do Rio das Almas.

A descoberta impulsionou o avanço da mineração e levou à ocupação das áreas próximas às mais de 80 quedas d’água que cortam essa região do cerrado goiano. O antigo povoado de Minas de Nossa Senhora do Rosário de Meia Ponte transformou-se em um importante acampamento de garimpeiros.

“Há muitos sítios arqueológicos ainda existentes das ruínas da mineração e resquícios de estrada colonial. O garimpo começou em 1727 no Rio das Almas e se estendeu para outros sítios nas proximidades, tendo atingido seu auge na década de 1750. Muito ouro saiu de Meia Ponte para o rei português”, conta o pesquisador Adriano Curado, que há 30 anos estuda a história da região.

No centro do município, como marco da era do ouro, a Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário resiste há quase 300 anos. O templo foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 1941. A medida marcou uma das primeiras ações de preservação do instituto em Goiás.

Pirenópolis acumula cerca de 300 anos de história e cresceu em torno da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário.

De acordo com o pesquisador, o Museu das Lavras de Ouro, em uma fazenda centenária, preserva ruínas de garimpos, canais de lavagem de ouro feitos de pedra, ferramentas originais do século XVIII e trilhas que margeiam o Rio das Almas, onde a mineração ocorria.

Cachoeiras históricas de Pirenópolis fortalecem o ecoturismo em Goiás

Além da herança histórica, Pirenópolis consolidou o ecoturismo como uma das principais forças da economia local. A cidade reúne mais de 80 cachoeiras catalogadas em propriedades particulares e áreas de preservação ambiental. Entre os atrativos mais procurados estão:

“Em Pirenópolis, o mais procurado são as cachoeiras e os atrativos de ecoturismo. Em determinadas épocas, como maio, junho e julho, cresce também a procura pelo pôr do sol. A cidade oferece diversas atrações, com experiências gastronômicas, restaurantes para vários gostos e bolsos, além das atividades nas fazendas”, enumera o guia de turismo André Castro.

Cachoeira Meia Lua reúne poços naturais e fácil acesso.

A Cachoeira do Rosário concentra uma das maiores quedas livres da região, com 42 metros de altura. A água desce sobre uma grande formação rochosa e forma um cenário cercado por cerrado rupestre, campos, várzeas, mata de galeria e áreas preservadas de fauna e flora, segundo o guia de turismo.

André Castro destaca a facilidade de acesso como um dos diferenciais da Cachoeira do Rosário. “A estrada costuma ser mais bem cuidada do que em outros atrativos. O ambiente é muito silencioso e mantém forte contato com a natureza. O acesso é fácil. Eu já levei crianças de colo e também um casal de idosos, com 82 e 86 anos. A piscina natural agrada bastante os visitantes”, afirma.

Pirenópolis atrai com trilhas, cachoeiras e gastronomia

Segundo o guia turístico, propriedades rurais ampliaram a diversidade de atrações turísticas em Pirenópolis. “A Fazenda Vagafogo oferece trilha, cachoeira e uma ótima experiência gastronômica. Já a Fazenda Babilônia recebe visitantes em um casarão com mais de 200 anos e encerra o passeio com um café sertanejo, com a culinária tradicional goiana”, relata o guia.

As trilhas atraem turistas de diferentes regiões do país. Os percursos variam conforme o atrativo escolhido. Na Cachoeira Bonsucesso, o trajeto possui cerca de 1,2 quilômetro. Já na Cachoeira dos Dragões, o caminho chega a aproximadamente 4,5 quilômetros.

O ponto mais alto da região fica no Pico dos Pireneus, dentro do Parque Estadual dos Pireneus, a cerca de 1,3 mil metros de altitude. O local atrai visitantes interessados na contemplação da natureza e oferece vista para cidades como Goiânia, Brasília e Anápolis.

Cachoeira do Rosário reúne uma das maiores quedas livres de Pirenópolis, com 42 metros de altura.

Pirenópolis oferece turismo com altitudes acima de mil metros

Outro atrativo bastante procurado é o Mirante do Ventilador, localizado a cerca de nove quilômetros do centro da cidade. O ponto fica a mil metros de altitude, na Rodovia dos Pireneus, e propicia ampla vista das paisagens naturais da região.

Os voos de balão também ganharam espaço entre os turistas nos últimos anos. A experiência dura, em média, 45 minutos e pode atingir até mil metros de altura. As decolagens costumam ocorrer nas primeiras horas da manhã, período de clima mais estável e céu aberto.

Cachoeira Renascer destaca-se como um refúgio natural com águas cristalinas.

Castro destaca o movimento constante de visitantes ao longo do calendário. “Pirenópolis possui períodos muito curtos de baixa temporada. Janeiro e julho sempre lotam. Os meses de maio, junho, agosto e setembro também registram grande movimento, principalmente pelas cachoeiras, pelos eventos e pelo clima mais seco”, afirma.

Alta procura preocupa setor em Pirenópolis

O crescimento acelerado do turismo também preocupa representantes do setor, de acordo com a Associação dos Atrativos Turísticos de Pirenópolis e Região da Serra dos Pireneus. O presidente da associação, Uira Ayer, afirma que a cidade de 26 mil habitantes enfrenta desafios ligados à capacidade de atendimento.

De acordo com a prefeitura de Pirenópolis, o número de visitantes por ano chega a 1,3 milhão. “Esse crescimento nos assusta. Precisamos entender a capacidade de carga da cidade e dos atrativos. A preocupação não está em impedir o crescimento, mas em garantir qualidade no atendimento para todos que visitam Pirenópolis”, afirma.

Segundo ele, o município passou a oferecer atrações para diferentes perfis de turistas, sem planejamento conjunto entre os setores envolvidos. “Hoje a cidade possui atrações para todos os públicos. Temos vinícolas, balneários e experiências variadas. Cada empreendimento encontrou o próprio público e cresceu. Agora precisamos organizar melhor esse desenvolvimento”, explica.

Uira Ayer também defende um planejamento integrado entre empresários e poder público. “Não precisamos apenas aumentar taxas para cobrar mais caro. Precisamos entender o momento da cidade e melhorar a experiência do turista, para que ele volte e não leve uma imagem negativa de Pirenópolis. Esse trabalho exige união entre atrativos, bares, restaurantes, trade turístico e prefeitura”, defende.