Trump rejeita retorno dos EUA à OMS após casos de hantavírus e acusa órgão de errar na covid

11 de Mai de 2026 - 18:15
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Trump rejeita retorno dos EUA à OMS após casos de hantavírus e acusa órgão de errar na covid

O presidente Donald Trump rejeitou nesta segunda-feira (11) qualquer possibilidade de arrependimento pela retirada dos Estados Unidos da Organização Mundial da Saúde (OMS) em meio aos casos de hantavírus ligados a surto ocorrido no cruzeiro MV Hondius. Questionado no Salão Oval da Casa Branca se os casos e alertas o faria repensar a decisão tomada no ano passado, Trump respondeu: “Não, fico feliz [de ter retirado os EUA da OMS]”.

A declaração ocorreu depois que os Estados Unidos repatriaram 18 passageiros do cruzeiro MV Hondius para cumprir quarentena e receber acompanhamento médico em território americano. Um dos repatriados, que testou positivo para a variante Andes (que transmite entre humanos), foi levado para uma unidade de biocontenção no Centro Médico da Universidade de Nebraska.

Em declarações sobre o caso, Trump reforçou críticas antigas à OMS, especialmente pela atuação da entidade durante a pandemia de covid-19. Segundo o presidente americano, os Estados Unidos pagavam naquela ocasião cerca de US$ 500 milhões (R$ 2,4 bilhões, na cotação mais recente) por ano ao organismo internacional e, mesmo assim, não recebiam tratamento adequado.

“Estávamos pagando US$ 500 milhões por ano à OMS e é muito dinheiro, embora, no panorama geral, não seja tanto; mas é muito dinheiro, e não estavam nos tratando bem, estavam fazendo diagnósticos errados”, disse Trump.

O republicano também voltou a associar a pandemia à cidade chinesa de Wuhan e acusou a OMS de ter evitado essa conclusão por influência de Pequim.

“Nos deram informações completamente erradas sobre a covid-19. Estavam totalmente errados”, afirmou.

Sobre o surto de hantavírus, Trump disse esperar que a situação seja controlada. “Ao que parece, não é fácil que se propague [...] e acreditamos que nos encontramos em uma situação muito favorável. Somos muito prudentes, e Nebraska realizou um trabalho fantástico”, declarou, em referência ao centro médico que recebeu a maior parte dos 18 repatriados.

De acordo com autoridades sanitárias americanas, o risco do hantavírus para o público em geral “continua muito baixo”. A variante Andes é considerada a única do hantavírus com capacidade conhecida de transmissão limitada entre pessoas, mas, segundo autoridades dos EUA, a propagação geralmente exige contato próximo e prolongado com alguém sintomático.

Dos 18 passageiros repatriados, 16 foram levados ao Centro Médico da Universidade de Nebraska. Outros dois foram encaminhados ao Hospital Universitário Emory, em Atlanta, incluindo uma pessoa com sintomas e um contato próximo assintomático. O monitoramento dessas pessoas poderá durar até 42 dias, conforme autoridades americanas.

Na semana passada, o governo do presidente argentino Javier Milei acusou a OMS de usar o surto de hantavírus para tentar questionar a saída da Argentina da entidade, decisão tomada junto aos EUA. Segundo o Ministério da Saúde argentino, a OMS busca neste momento transformar um “evento sanitário extraordinário” em instrumento de pressão contra “uma decisão soberana” do país.

A reação argentina ocorreu depois de o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, defender que Argentina e Estados Unidos reconsiderassem a retirada da organização. Segundo Tedros, a “universalidade” seria importante para a segurança sanitária global porque “os vírus não se importam” com política, fronteiras ou justificativas nacionais.

O governo Milei respondeu que a cooperação internacional em saúde não depende de submissão a organismos multilaterais.

“A Argentina não precisa pertencer à OMS para trabalhar com outros países”, afirmou o Ministério da Saúde argentino, segundo material divulgado pela pasta.

A OMS recomendou acompanhamento ativo e quarentena de até 42 dias para pessoas expostas ao vírus. Tedros afirmou que a organização apenas orienta os países e não impõe leis.