Veto a Messias pode liquidar aliança entre Lula e Pacheco por palanque em Minas

10 de Mai de 2026 - 22:15
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Veto a Messias pode liquidar aliança entre Lula e Pacheco por palanque em Minas

Na versão política da teoria do caos, uma borboleta bate as asas no Senado e um palanque pode cair em Minas Gerais. O veto ao nome de Jorge Messias, indicado por Lula como novo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), foi interpretado por uma ala do PT como uma “declaração de guerra” do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que articulou a indicação do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) para ocupar a cadeira na Corte. 

No entanto, Lula tinha outro plano para Pacheco: assegurar o palanque presidencial na disputa pela reeleição com a candidatura do senador ao governo mineiro, estado decisivo nas últimas eleições ao Palácio do Planalto. Mas Pacheco também entrou na linha de tiro do PT após a derrota histórica do governo Lula no Senado. Messias foi o primeiro indicado por um presidente ao STF a ser rejeitado pelos senadores desde 1894.

Para integrantes do governo petista, a aliança política entre Alcolumbre e Pacheco coloca o pré-candidato mineiro como suspeito de participar da articulação contra Messias e de votar pela rejeição ao nome dele. A indicação foi reprovada no Senado por 42 votos contrários e 34 favoráveis.

Depois de ser preterido por Lula na indicação ao STF, o ex-presidente do Senado trocou o PSD pelo PSB para concorrer ao governo de Minas Gerais com o apoio do petista, projeto que está sob risco após o atrito político envolvendo os três Poderes.

Filho de José Alencar é cotado como alternativa a Pacheco em MG

Segundo apuração da Gazeta do Povo, Rodrigo Pacheco tem demonstrado resistência à aliança em Minas Gerais para assegurar um palanque de peso para Lula no "estado-pêndulo" (quem vence no estado, vence a eleição presidencial). Por isso, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, teria entrado em cena para articular um acordo com o senador.

A expectativa do PT mineiro é que a coligação com o PSB, encabeçada pela pré-candidatura de Pacheco ao Palácio da Liberdade, sede do Executivo de Minas, seja anunciada até o final deste mês. Um dirigente petista disse à Gazeta do Povo que as peças ainda podem se movimentar no tabuleiro político com a decisão de Pacheco.

Paralelamente, o PT mineiro trabalha com alternativas, entre elas o empresário Josué Alencar (PSB-MG), filho do ex-vice-presidente da República nos primeiros mandatos de Lula, José Alencar, que faleceu em 2011. Assim como o pai, Alencar é empresário, ocupou a presidência da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e chegou a ser cotado para ocupar a vaga de vice na chapa à reeleição de Lula, caso o atual vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB-SP) deixasse o cargo para disputar a eleição paulista.

Outro nome do PSB mineiro que pode ser lançado ao governo com o aval de Lula é o ex-procurador-geral Jarbas Soares Júnior. Ele deixou o Ministério Público após três décadas de atuação em Minas Gerais e se filiou ao partido no final de março.

O PT mineiro também descartou a possibilidade de ter uma candidatura própria no estado, priorizando uma composição para assegurar o palanque eleitoral para Lula na campanha presidencial. Nome petista mais forte nas urnas, a ex-prefeita de Contagem Marília Campos optou por disputar o Senado e não pretende concorrer ao governo.  

PT e PDT negam articulação em torno da pré-candidatura de Kalil 

Aliado de Lula nas eleições de 2022, o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT-MG) passou a ser cotado ainda no ano passado como candidato do presidente da República na corrida ao governo mineiro. Em outubro, ele deixou o Republicanos para se filiar ao PDT, partido de centro-esquerda que integra a base do governo Lula.

No entanto, a tendência é que a aliança não se repita no pleito deste ano. Um dirigente petista afirmou que não existe diálogo com Kalil no momento, apesar de a presença da sigla ser considerada importante na coligação pela reeleição de Lula. A informação foi confirmada por um integrante do PDT, que afirmou que a pré-campanha de Kalil não foi procurada pelo PT e que a estratégia do partido é de posicionamento ao centro.

Ou seja, Kalil procura se descolar da imagem de Lula e não deve repetir a dobradinha com o petista, feita durante a campanha ao governo em 2022, quando ele foi derrotado nas urnas por Romeu Zema (Novo-MG).

Em fevereiro, o líder petista Edinho Silva negou um suposto acordo para apoiar Kalil, que foi anunciado pelo presidente nacional do PDT, Carlos Lupi. No Paraná e no Rio Grande do Sul, o PT confirmou o apoio aos pré-candidatos aos governos estaduais Requião Filho (PDT-PR) e Juliana Brizola (PDT-RS).