Tecnologia contra a dor: alunos criam sensor anti-incêndio após irmã morrer
(Toda semana, e conversam sobre tecnologia no podcast. O programa vai ao ar às terças-feiras no, no, no e no. Nesta semana: , , , , )
Uma tragédia em uma favela de São Paulo foi o estopim para alunos de 12 anos criarem uma solução para reduzir o risco de incêndios ligados à rede elétrica. Quem conta a história é a professora Débora Garofalo, eleita a mais influente do mundo no prêmio Global Teacher Prize de 2026, concedido a ela pela Varkey Foundation, que criou o "Nobel da Educação". sobre tecnologia na escola.
Em entrevista ao novo episódio de Deu Tilt, o podcast do UOL para os humanos por trás das máquinas, ela conta como a tecnologia pode atravessar disciplinas e virar ferramenta para resolver, não só demandas estruturais da comunidade, mas do cotidiano dos estudantes.
A gente está falando de crianças que vivem em comunidades extremamente carentes, e sabe que, em algumas delas, é muito comum ter os chamados gatos de energia elétrica. Dois estudantes meus relataram que, em um dos incêndios na comunidade, perderam a irmãzinha. Ela era deficiente e não conseguiu sair a tempo. Nem eles conseguiram tirá-la. E, ao criar o temporizador de energia, era justamente para evitar problemas de sobrecarga no sistema elétrico, para desativar a energia e não acontecer incêndios (...) Então vejam: a gente está falando de crianças de 12 anos de idade, pensando em soluções muito maiores para problemas que eles enfrentam diariamente do cotidiano.
Débora Garofalo
Ela conta que a escola articulou que uma empresa assessorasse os adolescentes para criarem outros aparelhos e os instalassem na comunidade.
É triste, mas, ao mesmo tempo, a gente vê que essas crianças também utilizam dessa tecnologia para pensar soluções para dores que eles enfrentaram.
Débora Garofalo
O caso dos dois irmãos não é de todo isolado. A professora levou para dentro da sala de aula a necessidade de aprender a criar tecnologia com recursos escassos para criar soluções.
Vieram sensores pluviométricos para medir o nível de um córrego atrás da escola e um semáforo para ajudar pessoas com deficiência visual a atravessar a rua.
Para Débora, o foco na educação não é "formar programador", mas fazer o estudante entender o que está por trás do código e do algoritmo -e usar esse repertório para criar soluções que melhorem a sua vida e a da sua comunidade.
A gente ainda fica muito preso em como um humanoide vai auxiliar o nosso processo ou a questão de braço robótico na nossa vida, que são coisas mais palpáveis. Mas, quando a gente ainda olha para a educação, o nosso intuito não é formar um programador, uma pessoa que saiba mexer com códigos, mas é eles compreenderem o que existe por detrás desse código, o que é o algoritmo e quais as soluções que a gente pode criar para ter uma vida em comunidade melhor.
Débora Garofalo
Professora faz lixo virar tecnologia e é eleita a mais influente do mundo
Eleita a professora mais influente do mundo, a paulista Débora Garofalo diz que foi pega de surpresa com o prêmio Global Teacher Prize de 2026, concedido a ela pela Varkey Foundation, que criou o "Nobel da Educação".
No novo episódio de Deu Tilt, o podcast do UOL para os humanos por trás das máquinas, a docente conta como levou robótica e programação a escolas em situação de vulnerabilidade e como isso usando sucata retirada do lixo.
O reconhecimento internacional só veio após Garofalo superar falhas de infraestrutura na escolha onde trabalhava, na Zona Sul de São Paulo, e ensinar aos alunos que a tecnologia pode ser mais que um brinquedo e virar uma ferramenta para solucionar problemas reais.
Campeã chinesa da robótica sela vitória da China sobre os EUA
Duas cenas simbolizam o cenário atual da robótica no mundo. Uma delas ocorreu em março, quando Melania Trump, a primeira dama dos Estados Unidos, desfilou na Casa Branca com o humanoide Figure 3, fabricado pela empresa Figure AI.
A outra ainda está por acontecer: a empresa chinesa Unitree prepara sua entrada na Bolsa e pretende captar 4,7 bilhões de yuan (cerca de US$ 600 milhões), quantia modesta se comparada a outros IPOs.
O que une os dois episódios é a distância entre as duas companhias. No novo episódio de Deu Tilt, o podcast do UOL para os humanos por trás das máquinas, Helton Simões Gomes e Diogo Cortiz discutem por que a China virou líder da "IA com braços e pernas" e o que isso muda na indústria.
Brasileiro paga mais para usar IA só por falar português
Falar português pode fazer o uso de inteligência artificial sair caro, devido à forma de cobrança em serviços por assinatura, conta Diogo Cortiz no novo episódio de Deu Tilt, o podcast do UOL para os humanos por trás das máquinas.
Segundo Cortiz, a diferença está na forma como os modelos transformam texto em "tokens". Essas unidades de dados são criadas a partir das palavras e cruciais para modelos de IA processar, entender e gerar textos.
Quando a gente está usando, por exemplo, APIs e serviços comerciais, a gente paga por token. Você pode fazer a mesma frase em português e em inglês e, geralmente, em português, pela natureza da língua e pela representação nesses dicionários, tende a consumir entre 15% a 20% mais de token. Ou seja, a gente gasta mais na inteligência artificial só pelo fato de falar português.
Diogo Cortiz
DEU TILT
Toda semana, e conversam sobre as tecnologias que movimentam os humanos por trás das máquinas. O programa é publicado às terças-feiras no e nas. Assista ao episódio da semana completo.