Spotify remove plays de música após descobrir manipulação por apostas
Spotify removeu reproduções da música "Earrings", do cantor Malcolm Todd, após identificar indícios de manipulação ligados a apostas em uma plataforma de previsão.
O que aconteceu
A faixa disparou no ranking dos EUA e chamou a atenção da plataforma. Segundo o Financial Times, "Earrings" subiu 70% de um dia para o outro no domingo e chegou ao topo do chart de streaming dos EUA no Spotify.
Spotify disse que os plays removidos não vieram de ouvintes reais. "Todos os serviços de streaming enfrentam a manipulação de reproduções, um fenômeno em constante evolução. O Spotify conta com práticas de detecção e mitigação de primeira linha para reproduções manipuladas, e não efetuamos o pagamento de royalties associados a elas", afirmou um porta-voz da empresa a sites dos EUA. Não há indícios de que o artista tem relação com a tentativa de fraude.
No mercado de previsões, as pessoas compram ou vendem um contrato baseado em eventos do mundo real. Em plataformas como Kalshi e Polymarket, é possível "apostar" se algo vai acontecer ou não, desde eleições a guerras, a indicadores econômicos e desempenhos esportivos, indo até finais de reality shows. Se a pessoa acerta, ganha; se erra, perde o valor investido no contrato.
Neste caso, a aposta era de que a música "Earrings" chegaria à posição de música mais tocada do Spotify nos EUA na plataforma Kalshi em um deterinado período. Após o Spotify detectar os plays manipulados, foram removidos 500 mil plays da canção feitos por atividades artificiais (como bots), que agora está na 9ª posição das paradas do streaming nos EUA.
Kalshi afirmou que está em contato com o Spotify e apura o caso. Um porta-voz da empresa disse à CBS News que a plataforma está investigando o que aconteceu.
Por que mercados de previsão viraram alvo de críticas
O episódio reforçou o debate sobre controles contra manipulação e uso de informação privilegiada. Críticos apontam que pessoas com acesso a dados não públicos ou com capacidade de influenciar resultados podem tentar lucrar nesses mercados.
Caso de soldado que ganhou com aposta de que Nicolás Maduro seria capturado virou marco do setor. Em janeiro, uma aposta feita na Polymarket em timing considerado suspeito levantou dúvidas sobre a integridade dessas plataformas, e um soldado das forças especiais dos EUA envolvido na operação se declarou inocente em um processo que o acusa de usar informação sigilosa para apostar. .
Nos EUA, a regulação desses mercados fica a cargo da CFTC. A Commodity Futures Trading Commission (Comissão de Negociação de Futuros de Commodities, em tradução livre) é a agência federal responsável por supervisionar esse tipo de mercado, que já levantou bilhões em capital de risco.
Plataformas de previsão têm restrições no Brasil
Plataformas de previsão, como Kalshi e Polymarket, enfrentam restrições no país. Em abril, o g e solicitou o bloqueio de sites do setor.
Regra do CMN restringiu contratos ligados a eventos esportivos, políticos e culturais. A medida, aprovada pelo CMN (Conselho Monetário Nacional), determinou que derivativos só podem ter como referência variáveis de natureza econômico-financeira, o que impede apostas em resultados de eleições, guerras e entretenimento.
Brasileira fundadora da Kalshi criticou restrições da plataforma no país. Para , 29, o governo não entendeu ainda o mercado de previsões. "A Kalshi não ganha dinheiro quando as pessoas perdem - essa é uma diferença muito grande. Em um cassino ou casa de apostas, o lucro vem do prejuízo dos participantes. Nós operamos como um mercado de ações. Queremos que os usuários ganhem, evoluam e operem mais", afirmou em .