Serasa x Unico: por que maior roubo de dado biométrico do Brasil preocupa?
(Toda semana, e conversam sobre tecnologia no podcast. O programa vai ao ar às terças-feiras no, no, no e no. Nesta semana: ; ; ; )
Uma disputa entre empresas de tecnologia e dados está por trás do que pode ser o maior roubo de dados biométricos da história do Brasil, com impacto direto sobre a privacidade. No novo episódio de Deu Tilt, o podcast do UOL para os humanos por trás das máquinas, Diogo Cortiz e Helton Simões Gomes detalham as suspeitas e por que o caso preocupa.
A acusação parte da Unico, empresa de biometria usada em cadastros com reconhecimento facial, e mira a Serasa, um dos maiores birôs de crédito do país. Passa ainda por uma cadeia de empresas e integrações que teria permitido acesso irregular e espionagem industrial.
Essa foi uma bomba que estourou no mercado financeiro. Numa bela quarta-feira, a polícia foi cumprir um mandado de busca e apreensão no Serasa. Chamou atenção porque é um caso que pode ser o maior caso de roubo de dados biométricos do Brasil
Helton Simões Gomes
O alerta surgiu quando a Unico notou um volume fora do padrão de consultas biométricas feita pelo Banco do Brasil, um de seus clientes. Ao procurar a instituição, ouviu que a operação seguia normal, o que a fez contratar uma perícia.
Essa perícia constatou que vários dos acessos feitos por essa conexão, intermediada por uma empresa chamada Skill Technologies, estavam começando a ser usados por outros bancos, não o Banco do Brasil.
Helton Simões Gomes
Entre os indícios, havia até imagens de pessoas com as marcas de outros bancos ao fundo. Outra coisa que chamou atenção foi o volume.
Na perícia, encontraram não só fotos de clientes do Banco do Brasil, mas clientes de outros bancos, até com o logo atrás. Essa perícia também mostrou que tinham sido realizadas 1,4 milhões de transações nesse meio tempo. E é daí que está vindo essa ideia de o maior roubo de dados biométricos porque a perícia da Unico constatou que dados de 22 milhões de brasileiros tinham sido extraviados.
Helton Simões Gomes
A acusação, aberta em forma de ação pela Unico na Justiça, é que o Serasa usou a Skill para usar o sistema da firma de biometria sem autorização e oferecê-lo a outras empresas como se fosse seu. Além disso, ela teria extraído dados biométricos do banco da Unico para criar a sua própria ferramenta.
Diogo Cortiz reforça que a preocupação vai além de "espionagem industrial", porque envolve um tipo de dado usado para autenticar pessoas em serviços. A gravidade está no alvo ser a identidade dos usuários, não só segredos de produto, diz
É dado biométrico, é um dos mais sensíveis que a gente usa para autenticar serviços. É muito mais do que só uma espionagem industrial. Você roubava dados que eram de inteligência de um produto, de um serviço; agora eles estão roubando dados das pessoas, dados biométricos. É uma coisa bastante grave e perturbadora.
Diogo Cortiz
Helton lembra que a biometria citada no episódio é a do reconhecimento facial usado para abrir conta em varejistas, bancos, seguradoras e planos de saúde -quando a pessoa precisa gravar um vídeo e provar que está viva. Era esse material que fica registrado nos bancos de dados da Unico.
O caso, afirma Helton, envolve uma disputa judicial em que a Unico pede que a Justiça enquadre a Serasa por concorrência desleal e interrompa a prática descrita. O processo corre em segredo de Justiça, e as empresas, segundo ele, evitam comentar.
UOL, Folha e OpenAI: como é o 1º acordo de licenciamento de IA no Brasil?
O primeiro acordo de licenciamento de conteúdo jornalístico para uma empresa de inteligência artificial no Brasil abriu uma fila de dúvidas práticas: o que a OpenAI pode usar, o que fica de fora e como isso muda (ou não) a relação do público com a informação.
No novo episódio de Deu Tilt, Murilo Garavello, diretor de conteúdo do UOL, responde perguntas do quadro Help Desk sobre a parceria entre UOL, Folha e a OpenAI.
É importante esclarecer qual é o acordo. São dois acordos diferentes, mas muito semelhantes. Um é do UOL, outro é da Folha. São empresas diferentes, não é a mesma empresa. Então são dois contratos. E claro que os contratos se referem somente ao conteúdo produzido pelo UOL e pela Folha.
Murilo Garavello
Delay na CazéTV: cabo submarino explica mais o atraso do que rixa com Globo
O delay nas transmissões por streaming já é o personagem da Copa -e até motivo de briga de condomínio quando alguém assiste pela TV aberta e grita gol antes. No novo episódio de DEU TILT, o podcast do UOL para os humanos por trás das máquinas, Diogo Cortiz e Helton Simões Gomes contam como nasce o atraso nas transmissões e por que ele não some.
Com Globoplay e CazéTV exibindo partidas via streaming de vídeo, o público passou a comparar, em tempo real, o sinal por ondas da TV aberta com a internet. A diferença, dizem os apresentadores, está no caminho físico dos dados e no "truque" do buffer para evitar travamentos.
O delay, do ponto de vista técnico, é a diferença entre, numa transmissão ao vivo, daquilo que acontece no campo e o que acontece na sua tela. A bola está rolando nos Estados Unidos, isso é filmado e vai para um servidor. O dado tem que passar por cabo submarino, aportar no Brasil em Fortaleza, descer para o Rio de Janeiro e entrar num data center. Depois, a transmissora empacota: narrador, logomarca, patrocinador. Quem está mais perto de São Paulo e Rio tende a receber antes. Depois, o dado vai para os hubs locais. Por isso, alguém em Campo Grande (MS) pode receber depois de alguém no Rio.
Helton Simões Gomes
Antes de Trump barrar, Deu Tilt usou IA poderosa: 'resolveu em 30 minutos'
O modelo Fable 5, da família Mythos, ficou disponível por poucos dias e saiu do ar após ordem do governo dos Estados Unidos para restringir o acesso de não-americanos. No novo episódio de Deu Tilt, o podcast do UOL para os humanos por trás das máquinas, Diogo Cortiz e Helton Simões Gomes contam o que o modelo de inteligência artificial fazia e por que o bloqueio virou assunto global.
Como não tinha como identificar quem nasceu ou não no país presidido por Donald Trump, a Anthropic cortou o acesso de todo mundo para cumprir a determinação.
O modelo Fable 5 da Anthropic é muito poderoso. Os poucos minutos que eu consegui usar -até meus créditos esgotarem-- foram surpreendentes na capacidade. Eu tinha alguns problemas que eu estava tentando resolver já há algum tempo com o Opus, que é o outro modelo que está disponível para todo mundo. Ele conseguiu identificar e encontrar qual era o problema nessa migração que eu estava fazendo entre duas tecnologias. Me surpreendeu.
Diogo Cortiz
DEU TILT
Toda semana, e conversam sobre as tecnologias que movimentam os humanos por trás das máquinas. O programa é publicado às terças-feiras no e nas. Assista ao episódio da semana completo.